Jeane | 04 | Cidade Para vampiros

 

Sumário

01 | PRINCÍPIO.. 3

02 | CONTO REAL. 7

03 | APRESTO.. 13

04 | SAUDAÇÕES. 19

05 | CAMPO DE TREINAMENTO.. 23

06 | ESTÁGIO BÁSICO.. 29

07 | JACK. 37

08 | DEPRECIAÇÃO.. 39

09 | ESTÁGIO INTERMEDIAL. 47

10 | PROPÓSITO.. 55

11 | VIDROS. 61

12 | BRENO.. 69

13 | ISA.. 73

14 | INSTÁVEL. 79

15 | CURTIÇÃO.. 87

16 | PARTIDA.. 93

17 | LANCE. 99

18 | DODGE. 107

19 | TANIA.. 119

20 | DECESSO.. 127

21 | PSICOPATIA.. 133

22 | EMILE. 145

23 | ACREDITAR. 151

24 | MEMÓRIAS MORTAS. 163

25 | DAVID.. 173

26 | BRYAN.. 181

27 | ABANDONO.. 195

28 | CASTELO.. 199

29 | ÊMULO.. 209

30 | VITÓRIA.. 215

REFERENCIAS. 223

 

 

 

01 | PRINCÍPIO

| “Desculpe o incômodo, mas preciso tirar esta coisinha do meu pé.”|.

Presa a uma cadeira, Aly estava com a boca tampada com um lenço, sua mão trêmula e olho espantado, seu cabelo loiro estava bagunçado, sentada em uma cadeira em meio a um circulo ela tentava atear fogo, mas não conseguia, o circulo a impedia. Eu a princesa com meu vestido Preto estavam pregados na parede com uma estaca, estava imóvel, sentia o cheiro de verbena pairar no ar. Tentava com todas as minhas forças sair dali, mal ganhei a capa de Aly e já queriam me roubar, ele a tirou de min sem nenhuma dificuldade, há dias estava fraca por conta da doença, devido a alguns problemas que tive com Jack não tive tempo para me alimentar. Estava totalmente perdida ali com minha prima, acabei de ser acusada por matar a mãe de Jack, apesar de toda a fome que sentia naquele momento, sabia com toda certeza que não fui eu quem a matou, não sei que tipo de coisa pode se transformar em um ser humano idêntico a min e matar a pessoa que seria hoje minha sogra, lembro-me de Jeane, ela é uma das poucas bruxas do mundo original, ela tem o poder de fazer isto, mas onde estará ela agora? Como conseguiu ressuscitar após Isa congelar tudo? O que teria acontecido?

Ele me olhava com aqueles olhos negros atrativos, seu corpo esbelto, seu cabelo negro desajeitado, usava uma blusa preta com gola em V, calças e sapatos pretos, está cor caía bem em sua pele branquinha como a neve. Até um momento o chamei de Príncipe, mas era tudo parto do plano que minha mãe criou para conseguirmos parte no Castelo, eu não o amava, não o amo e agora ele está aqui segurando esta capa como se fosse valiosa demais, tão valiosa quanto à porção. Seria este o objeto principal de Aly? Seria esta a chave do Castelo de vidro? A capa é bem grande e de cor vinho, aparenta aconchego e calma.

Alguém abre a porta e se assusta, tento olhar, mas estou travada pela estaca, qualquer movimento pode me matar.

“Está atrasado!”

Diz David segurando a capa. Olho diretamente para Aly que está bastante furiosa. Se não houvesse aquele circulo ali ela já teria matado David e todos ali dentro do hospital, ela é bem forte. Teria posto fogo em tudo.

“Cheguei primeiro!”

Diz David pegando outra estaca em seu bolso da calça. Sem medo Dodge corre até ele e o joga no chão, rapidamente este se levanta e tenta enfiar a estaca em Dodge, mas defendem-se com as mãos tentando roubar a estaca, eles lutam braço a braço, David da um soco na cara de Dodge e este retribui furioso o outro o joga em cima de uma mesa, ligeiro Dodge levanta e continuar a dar socos em David, mas este defende, tenta me libertar, mas a dor está crescendo dentro de min, vejo os dois caídos ao chão, Dodge leva mais um soco e desta vez sangue sai de sua boca deixando-o ainda mais bravo, ele tenta um soco, mas David segura seu braço e quebra pega novamente a estaca em seu bolso, tento gritar, mas minha voz não sai, fiz um grande esforço, minha vista escurece, estou ficando mais fraca, estou morrendo. Não vejo mais nada apenas ouço o grito de Dodge.

Antes de ouvi-lo gritar me pergunto por que me importo. Ele foi meu inimigo e sempre dificultou minha vida, sempre fez o possível para me machucar e destruir Jack. Então por quê? Por que ligo para isto?


Abro os olhos e estou presa acorrentada na floresta, estava sozinha no escuro e no frio. Por que eles me deixaram aqui? Queriam apenas a capa e pronto? Talvez sim, tudo não passou de proveito, as algemas estão fortes em minha perna direita, elas estão envolvidas com verbena e deixa marcas vermelhas em min, o único jeito de sair dali e quebrar a árvore e é isto que faço. Por um momento sorrio com a ideia absurda, mas não tenho outra escolha. Bato na árvore jogando o peso do meu corpo sobre ela e nada acontece, tento ser mais forte repetindo o movimento, ouço um estralo e continuo. A árvore cai ao chão me puxando junto, levanto desajeitada e arrumo meu longo cabelo em um coque, seguro a corrente nas mãos e puxo até a corrente se retirar totalmente da árvore, estou livre, mas a corrente ainda está em min e a verbena esta me incomodando. Vou andando pela floresta arrastando a corrente, vou direto para casa de meu único amigo Marlon.


Vejo aos beijos com Isa, eles se assustam e Isa sorri desajeitada e tímida.

“Desculpe o incômodo, mas preciso tirar esta coisinha do meu pé.”

Digo tranquila.

“O que houve? Sabemos que Jack acaba de perder a mãe e você é a principal suspeita. Como me explica isto?”

Diz Marlon. Perguntando deste jeito parece até um pai que pega no pé da filha. Ele puxa uma cadeira para min sentar e faço logo Isa vai buscar algo para cuidar da minha ferida.

“Principal suspeita, acredite não estava na casa de Jack naquela noite.”

“Ele foi direto para a delegacia. Entrou como estagiário.”

Explica Isa entregando um martelo a Marlon e algumas pomadas junto com um lenço.

“Por que ele está na delegacia? Ele se esqueceu de que não sou um humano?”

“Ele não quer você por perto.”

Diz Marlon, ele quebra a corrente em meu Pé com martelo.

“Tadinho. Que pena que não temos tudo o que queremos.”

“Isto significa.”

Diz ele passando a pomada e enfaixando meu pé.

“Viram meu novo Príncipe por aí?”

Pergunto.

“Deveria?”

Pergunta Isa.

“Ele está com algo que vai interessar a John. Minha mãe junto com eles estava à procura de uma bruxa, bem eu estava com Aly então Tacharam. É isto. O Castelo será erguido.”

“A quadrilha de John esta aqui com aquele tráfico.”

Afirma Marlon terminado o curativo e guardando os objetos em uma gaveta ali mesmo na sala. O tráfico na qual se referem é aquele procedimento de uma droga diferenciada baseada em dois conceitos, o primeiro matar um humano, junto com a droga é colocado uma substância perigosa, sangue de vampiro, o segundo conceito então é apenas transformar o pobre humano em um monstro. Este tráfico não é recente por aqui, ha tempos eles trabalham neste lugar, muitas e muitas pessoas foram transformadas, me pergunto por que tantos vampiros seria o exército deles? Admito que ache a ideia absurda e incrível, assim ninguém vai impedi-los de construir o Castelo. Mas como conseguem controlar tantos e tantos vampiros?

“Que tipo de coisa pode controlar um exercito de vampiros?”

Pergunto a eles.

“Bruxas?”

Diz Isa.

“É Isa, está com saudade da madrasta mal? Se prepare por que ela está de volta e veja bem, ela pode se tornar rainha. Não temos certeza do conto escrito no livro, será mesmo que bruxas não podem entrar em um Castelo de vidro?”

“Talvez seja uma farsa. E não, não estou com saudade dela.”

“Acho que vou ter que ficar por um tempo para descobrir algo a mais. Acordem-me cedo tenho aula.”

Um vampiro estudar parece ridículo, mas vou até a escola com outras intuições, primeira insistir em Jack acreditar em min e depois descobrir através de Dodge o planejamento deles. Se ele tentou me salvar algum motivo tem e preciso descobrir logo.


 

 

02 | CONTO REAL

| “Então já vou me preparar para meu posto de princesa.” |.

 

Vestido Preto, meias estilo listradas em Preto e Branco, botas nos pés, colar fixo no pescoço, luvas pretas nas mãos, meu cabelo longo solto sendo bagunçado pelo vento, o portão da escola está aberto e alguns alunos ainda estão ao lado de fora, entro sem medo, olhares estão direcionados a min, ignoro, me concentro na música que sai dos meus fones de ouvido, é de uma banda na qual curto muito,

 

Procuro a chave do armário na mochila que também é de cor preta, não há nada de importante ali, apenas duas armas e um, sobretudo, abro o armário balançando a cabeça escutando a música. Estou com os olhos fechados completamente fora de si, não escuto nada, alguém me cutuca, é ele David.

“Olá princesa.”

“Olá David. Estava te procurando.”

Digo tirando os fones, olho bem dentro dos olhos negros dele.

“Que bom, sentiu saudade?”

Diz ele levantando sua sobrancelha direita, é tão lindo e perfeito.

“Sim amor sentiu.”

Digo alto para Jack ouvir, ele acaba de passar com mãos dadas a Tânia.

“Ótimo, tenho boas notícias. Ainda quero que seja minha princesa.”

“Não conseguiu hipnotizar outra garota?”

“Não, na verdade preciso de alguém apto a lutar, alguém forte como você.”

Responde ele, fico confusa não sou nada disso.

“Você sabe mais do que eu que não sou tão forte.”

“Meu Deus, incrível. Isto sim é estilo. Você é linda e perfeita.”

Diz um garoto magro da minha altura, ele tem cabelos compridos e castanhos que combinam com seus olhos. Lembro-me dele, Pedro, o suposto irmão de Anne, a garota patricinha que me odeia tanto como Tânia e Gabriela.

“Você se enquadra perfeitamente.”

Diz Pedro ajoelhando-se no chão e fazendo um quadrado com as mãos desenhando uma câmera.

“Ele tem algum problema?”

Pergunta David.

“Acho que sim. Vamos sair. Pode ser contagioso.”

Cochicho para David.

“Esperem antes de ir convido vocês a próxima festa que vai ter aqui. Princesa e Príncipe vai ser um prazer tê-los presente.”

Ele aperta nossas mãos. Saímo-nos em seguida e Pedro continua a falar.

“Belo casal. Isto é lindo. O amor está no ar.”

Grita ele quando já estamos longe.

“Vai assistir alguma aula?”

Pergunta David.

“Sim eu vou por ali.”

Digo apontando para esquerda. Não vou assistir à aula, mas preciso tirar ele perto de min para que eu possa conversar com Dodge.

“Está bem. Até mais.”

Ele sai andando pela direita. Espero ele sumir para min ir atrás de Dodge cujo nem sei se está vivo, mas não dou importância para isto.


Sozinho na quadra, ele está sentado ao chão, parece mais forte, está usando sapatos e calça preta, uma blusa branca de manga cuja está dobrada, virando então uma regata que deixa seus músculos e tatuagens explícitos a mostra, admito que admire tanta beleza, seu cabelo está penteado para cima, me aproximo e ele levanta-se.

“Ora, ora, o que temos aqui se não é a princesa de vestido Preto. Como vai? O que quer?”

“Bem quero saber dos seus planos seguinte já que David também está com algo valioso em mãos.”

Ele olha para o lado se perguntando se pode confiar em min.

“Sabe o que não entendo, por que você não se tornou Príncipe junto com Gabriela ainda? O Castelo já estava erguido, vocês tinham tudo em mãos, então por que não deram partida nisto?”

Pergunto cautelosa.

“Alguém atrapalhou nossos planos. Estava tudo certo até então.”

“Quem ia ser rainha?”

Pergunto já que na quadrilha de John havia apenas homens.

“Sua mãe, ela ainda está por cima, ela ainda ver exercer esta função.”

“Então qual é o problema? De que mais vocês precisam?”

Pergunto.

“Alguém atrapalhou nossos planos. Estava indo bem, sua mãe como rainha estava muito bem, John seria o rei, eu o Príncipe, tínhamos a porção e o livro em mãos, o Castelo estava erguido, mas eu não tinha uma princesa e não tenho, não posso envolver Gabriela nisso, eu a amo demais para isto. Então.”

“Mamãe colocou David como o novo Príncipe, ele veio até min”.

Digo. Fico em silêncio por um tempo.

“O pior é que ele conseguiu. Vocês estão juntos nesta, palmas para os príncipes.”

“Acha que tive escolhas? Mamãe me abrigou a fazer isto. Se eu tivesse que escolher um Príncipe, não teria escolhido ele e nem você.”

Falo sincera sem medo.

“Mas você aceitou isto!”

O vejo furioso. Seus olhos estão vermelhos, parece emocionado. Nunca pensei que Dodge se sentiria assim, ainda mais por mim.

“Aceitaria novamente para poupar a vida de Jack.”

“Mais uma pessoa surgiu destruindo tudo. Não conseguiram fazer o feitiço para o Castelo. Faltou algo, a porção não é a chave certa e sim a capa, o conto escrito no livro está totalmente diferente das lendas que dizem por ai. As bruxas são sim convidadas a entrar e elas podem ser rainhas. Uma bruxa original muito poderosa entrou no Castelo de vidro e abriu a página do conto, vimos que tudo o que ela diz é verdade e agora ela também quer fazer parte disto. O Castelo foi destruído antes de David conseguir a capa, estava sem casa. Viemos para o Brasil novamente e ela está liderando tudo.”

“Então minha mãe não vai ser rainha? Como destruíram o Castelo?”

“O Castelo pode ser destruído, ele é apenas uma casa, sem o feitiço não há poder nenhum contra o mal.”.

“E agora?”

“Estão levantando outro Castelo aqui. Temos tudo, eu serei apenas mais um herdeiro, não serei Príncipe por que você escolheu David.”

“E por que eu tenho que ser a princesa?”

“Por que sua mãe quer. Foi à negociação que ela conseguiu com a bruxa.”

“Está bruxa por acaso se chama Jeane?”

Ele balança a cabeça afirmando. Fico espantada.


Agora compreendi tudo, foi Jeane quem matou a mãe de Jack, foi ela quem destruiu a casa o Castelo de vidro, ela quer se tornar rainha e todas as lendas que achávamos que sabíamos estavam erradas. Agora tudo estava perdido, Reis como eles vão tornar o mundo mais difícil de viver, agora sei que tipo de criatura pode controlar um exercito de vampiros.

“Por que precisam de um exército de vampiros?”

Pergunto a Dodge, estamos bem próximos.

“Os vampiros são escravos deles, eles não se alimentam, vivem presos cumprindo ordens, muitos morrem por não aguentar a fome. São torturados diariamente.”

Fico triste com o que ele diz. Estes vampiros famintos são os humanos que foram transformados em monstros e agora estão sendo torturados e escravizados, fico com pena.

“Alguns, muitos poucos, estão sendo preparados, estão sendo treinados para viver como um verdadeiro vampiro, um destes que sai durante a noite e transforma os humanos apenas com uma mordida, assim não perdemos tempo com tráficos, é mais seguro e mais divertido. Faço parte disto, é isto que sou um monstro e é assim que pretendo morrer. Não ligo se são apenas humanos, eles merecem sofrer, alguém tem que se sacrificar para conseguirmos o nosso objetivo principal que é o Castelo. Os vampiros estão aprendendo a lidar com seus medos e imperfeições, está aprendendo a controlar seus pontos fracos como a verbena e as estacas de madeira têm um lugar para isto chamado campo de treinamento. Lá eles podem ser eles mesmos, podem correr e lutar contra suas fraquezas. Eu junto com meu pai e meu tio John estamos os treinando. Eles também irão nos ajudar se tivermos qualquer problema no dia do feitiço do Castelo. Estamos nos preparando.”

“E o que acontece com os outros, os mais fracos?”

“Eles são o que chamamos de engenharia rápida. Veja bem, humanos construindo um Castelo demoram cerca de alguns meses, vampiros são ágeis e rápidos, são mais inteligentes e mais fortes, é para isto que eles servem, eles constroem tudo a troca de uma pequena miséria de sangue. Eles estão o tempo inteiro preso e sendo monitorados para que não fujam.”

“Onde estão?”

“Embaixo do campo de treinamento. Jeane fez um feitiço para prendê-los, é ela quem os controla. Esta tudo sobre controle. Temos tudo para conseguir.”

“Então é isto minha mãe me trocou por ela. Eu não quero isto para min. Não quero fazer parte deste jogo sujo.”

“Você não terá escolhas. Ela vai lhe prometer algo que você procura há um tempo, ela vai te dar um prêmio se aceitar.”

“Jack?”

“Possivelmente sim”

“Então já vou me preparar para meu posto de princesa.”

Digo sem medo. Se for para o bem de Jack eu topo tudo, topo participar desta bagunça, deste jogo de tortura, eu o amo e preciso protegê-lo. Afinal estamos ligados a uma maldição, se ele morrer eu também partirá, faço isto para proteger minha própria vida, ou talvez seja por ele mesmo, minha vida não tem mesmo importância.


 

 

 

03 | APRESTO

| “Bem digamos que precisamos de um exército de lobos. “|.

 

Estou andando com meu inimigo na escola como se tudo fosse normal. Não imaginava que eu e ele passaríamos por um momento como este. Saímos da quadra e andamos sem medo de ser pegos por alguém da direção. Coloco novamente o fone no ouvido e continuo as perguntas.

“Afinal de que lado você está?”

Pergunto.

“Estou do lado em que me torno um Príncipe. Eu e meu pai estamos planejando prender aquela bruxa filha de uma…”.

“É possível?”

“Pesquisamos alguns feitiços na Internet. Podemos prendê-la por um tempo até conseguirmos finalizar o feitiço. Estamos tentando fazer a cabeça de sua mãe, mas parece que ela está com medo de enfrentar Jeane.”

“Talvez ela saiba do poder desta bruxa. Talvez ela esteja certa.”

“É injusto.”

“Não é não. Sua porção não serviu de nada. David foi mais ágil naquele dia.”

“Queria que eu machucasse sua prima?”

“Você mesmo disse que não ligava.”

“Não é bom se meter com bruxas.”

“Está com medo?”

Ele ri um pouco.

“Não estou. Só não gosto de bater em mulheres.”

“E por que bate em min? Não sou uma mulher?”

“Não. Você é uma garota.”

Ironiza ele. Dou um soco de leve em seu braço direito. Ele ri e fica a me olhar admirado. Como se estivesse se apaixonado por min. Olho para seus olhos negros. Ficamos em silêncio encarando o olhar um do outro. Até que sorrio não consigo ficar seria com alguém olhando para min. Ele sorri também e se aproxima ainda mais de min. Estamos em cima do corrimão. Podemos ver os alunos sentados prestando atenção na aula. Observo a professora que está olhando diretamente para nós. Dodge percebe, vira e ver ela preocupada com o que podemos fazer.

“Seria divertido.”

Diz ele completando meu pensamento como se soubesse ler minha mente. Aproximo dele, desvio o olhar para professora, ele coloca sua mão em meu cabelo e me beija. Nossas línguas se tocam, estamos com os olhos fechados sentindo a sensação, é estranho beijar um inimigo principalmente Dodge que sempre me achou uma garota tão feia e diferente. Terminamos e olhamos para professora que está assustada. Logo os alunos olham para gente pela janela e novamente nos beijamos. Eles ficam a gritar.

“Foi divertido.”

Diz ele me soltando e pulando as escadas. Fico feliz por que tudo não passou de brincadeira mesmo. Vagamos juntos até a saída, agora que consegui o que queria não tinha mais o porquê de continuar ali.

“Nunca pensei que diria isto, mas obrigado.”

“Por nada princesa.”

Ele acena pondo a mão na cabeça.

“Até mais.”

Viro e ando.

“Você beija bem”

Diz ele, solto um sorriso, mas não olho para trás. Coloco o outro fone no ouvido e sigo.


“Novas notícias.”

Digo abrindo a porta da casa de Marlon e Isa.

“Bem digamos que precisamos de um exército de lobos.”

Brinco tirando os fones.

“Então é verdade, está liga existe?”

Diz Isa preocupada.

“Não apenas existe como esta sendo muito bem liderada por ela. Jeane.”

Vejo Isa se preocupar. Ela anda de um lado para o outro se perguntando o que teria feito de errado.

“Como é esta liga?”

Pergunta Marlon.

“Fazendo um resumo de tudo o que Dodge me disse.”

“Dodge?”

Pergunta Isa surpresa.

“Sim o pobre coitado perdeu o posto de Príncipe e ficou rebelde. Mas voltando ao assunto, humanos são transformados e divididos. Os melhores e mais aptos estão sendo treinando para proteger os coroados, Reis, rainhas, príncipes, princesas e herdeiros, eles também tem a função de transformar mais e mais humanos, assim ninguém perde tempo com tráfico. A outra parte está sendo manipulada por Jeane, são transformado e preso, sem direito a matar pessoas, que triste muito triste.”

Brinco um pouco.

“Vitória!”

“Está bem. Eles passam fome e fazem tudo o que Jeane pede para ganhar migalhas de sangue.”

“E o que ela pede?”

Pergunta Isa preocupada.

“Digamos que humanos não são tão bons engenheiros e pedreiros como os vampiros que são mais rápidos e fortes.”

Completo.

“Precisamos de uma alcateia.”

“Não quero estragar o plano de vocês, mas eles vão erguer o castelo de vidro antes da lua cheia.”

Digo, eles olham para min como se eu estivesse escondendo algo, e estava mesmo, não falei nada sobre mamãe e pretendo deixar isto em segredo.

“Tá bom eu beijei Dodge”

Eles continuam a olhar.

“Duas vezes”

Completo sorrindo.


Passo o restante do dia pesquisando sobre o assunto, procuro soluções para destruir toda aquela liga de vampiros. Pareço impossível, talvez eu deva aceitar a proposta de me tornar princesa, assim descubro o ponto fraco deles. Penso na possibilidade, olho para Marlon e Isa que me ajudaram muito até aqui, me ensinaram muito sobre o que sou e o que ainda vou me tornar, eles me ensinaram a me controlar, me ensinaram a importância da família e da vida dos humanos, mas agora nada disso importava, Jack estava ali indefeso correndo riscos, eu tinha que o proteger, não seria fácil, mas tinha que fazer este sacrifício, não se tratava apenas dele, mas também de min. Pulo a janela do quarto e procuro por Dodge, há esta hora já saiu da escola. Passo pela praça e avisto-o beijando Gabriela. Tusso para ele olhar para min. Ele assusta.

“Tchau Gabriela. Vaga.”

Diz ele firme hipnotizando ela.

“Coitada.”

Digo.

“Deseja algo?”

Pergunta ele arrumando seu cabelo.

“Onde posso encontra-la?”

Pergunto e ele não responde. Esta olhando para outro lugar. Algo atrás de min.

“Mais tarde princesa.”

Ouço David dizer me vira com feição de entediada.

“Deveria estar em casa descansando. Esqueceu que temos compromisso mais tarde?”

Diz ele sério.

“Está se referindo a festa ridícula e bizarra do garoto estranho chamado Pedro. É acho que não tem nada melhor para fazer mesmo.”

“Vamos?”

Ele estende a mão.

“Vamos.”

Seguro a sua deixando Dodge para trás. Não podia enfrentar David, lembro-me da primeira vez que ele me atacou. Fiquei a noite inteira estirada no Campo de futebol sofrendo as consequências. Eu tinha que me manter em paz com ele, afinal seriaram príncipes e isto já fazia parte do meu plano de descobrir tudo sobre a bruxa. Este é o foco principal e não posso estragar tudo. Tive que deixar Dodge sozinho, estranho, me preocupei com ele. Sigo sem olhar para trás e avisto Jack aos beijos com Tânia. No instante fico furiosa, mas não deixo aquele sentimento tão explícito, tenho que continuar a ser forte na frente de David. Fecho o punho sentindo muito raiva, tenho desejo de arrancar sua cabeça para fora e sugar todo seu sangue, mas sei que Tânia carrega uma doença maligna, assim como o câncer a AIDS também não há cura mesmo que viramos vampiros ou lobos continuamos com a doença presente nos destruindo. No passado não ligava tanto para isto, mas agora preciso me manter viva para que Jack também fique vivo. Sigo andando de mãos dadas com David, ele me deixa na porta da casa de Isa. Entro na casa para me livrar do peso que David trás quando nós encontramos. Sinto-me infeliz com que acabei de ver. Deixo minhas lágrimas caírem. Caio na cama e fico a chorar.


São 22 h 00 min é hora da festa. Há tempos não era eu mesma. Fiquei quieta por Jack, mas foi tudo em vão. Não tive coragem para ir até ele e dizer que não fui eu quem a matou, mas ele não liga mesmo, não se importa. De agora em diante sou Vitória a princesa de vestido Preto. Tomo meu banho e escolho outro vestido limpo, também de cor preta, coloco calças rasgadas ao joelho e jogo o vestido por cima ignorando qualquer crítica que pode vim a isto, troco minhas luvas colocando agora listradas em preto e Branco, calço minhas botas, coloco outro colar bem fixo ao pescoço, penteio meus cabelos longos e negros e reparto de lado de modo que fique uma franja em meu rosto, faço minha maquiagem escura para combinar com o vestido e me perfumo.

“Não volte tão tarde”

Diz Marlon quando desço a escada.

“Pode deixar.”

Digo.

“Divirta-se com cuidado.”

Diz Isa. Não é isto que pretendo fazer, mas minto balançando a cabeça.

“Tenham uma boa noite.”

Saio de casa e David já esta me esperando, ele estende a mão e finalmente vejo que minha vida vai começar, coloco a mão sobre a dele e saímos andando.


 

 

 

04 | SAUDAÇÕES

| “Perfeito, gosto de sangue com álcool” |.

 

Caminhamos conversando até a casa de festa.

“Está preparada para o posto de princesa?”

“Estou me preparando.”

“Estava procurando sua mãe hoje?”

“Sim estava com saudade dela.”

Minto.

“Falando assim até acredito.”

Chegamos à casa de festa, o som está alto e há muitas pessoas ali, olhando deste jeito fico até difícil escolher a refeição. Entro acompanhada com David, as luzes estão piscando sobre nós, está calor ali, avisto Jack junto com Tânia.

“Vamos beber?”

Chamo David. Andamos até o balcão e encontro Pedro que está servindo a bebida e controlando as músicas.

“Pra você é de graça princesa.”

Diz ele animado.

“Veja e aprenda.”

Diz David.

“Está bem.”

Ele entra passando para o outro lado do balcão.

“Não pode entrar ai.”

Diz Pedro, mas David ignora e escolhe uma bebida da prateleira.

“Que isto cara?”

Pergunta Pedro.

“Beba tudo.”

David manda e ele obedece, todos gritam. Coitado fica bebo e tentando colocar tudo para fora, mas David segura sua boca. Ele tosse algumas vezes.

“Isto foi incrível”

Diz Pedro dançando e pulando.

“Aprendeu? Agora deixe as pessoas mais animadas enquanto escolho um som.”

Diz David. Concordo pulo o galpão e escolho algumas garrafas. Levo até as pessoas e ofereço.

“Me de uma garrafa”

Pede Tânia.

“Não!”

Não quero que Jack beba, hipnotizo Tânia.

“Leve ele para casa está excitado.”

Digo olhando firme em seus olhos verdes. Ela sai e obedece. Preciso deixar Jack protegido de qualquer mal que venha acontecer durante esta noite. Continuo a distribuir a bebida, mais de 24 garrafas foram entregues. Ouço um som no qual curto muito, é a primeira vez que a casa noturna passa música Boa. Ficamos a dançar, vejo Dodge entrar com Gabriela. Logo David se aproxima para marcar presença.

“Fiz o que pedi?”

Pergunta David.

“Sim 24”

“Perfeito, gosto de sangue com álcool”.

Diz ele expressando fúria em sua voz. Engole um pouco e uma bebida.

“A propósito ótima música.”

Digo fazendo o mesmo com a mesma garrafa que ele me entrega.

“Venha.”

Ele me puxa para longe de Dodge. Ficamos a pular e dançar com o som da musica. Até agora esta sendo muito divertido.

Estamos pulando, dançando, bebendo se beijando e balançando a cabeça. Todos estão se divertindo com o som, ouço gritos e aplausos. Avisto Pedro em cima do balcão tirando a blusa e balançando em suas mãos para cima, todos estão a rir e gritar. Vejo várias pessoas, procuro uma mais compatível para ser meu jantar, encontro um homem alto e Moreno, chamo.

“Divirta-se”

Diz David.


O som esta alto, quando termino meu jantar David já está a minha espera em frente à casa noturna.

“Vamos.”

Ele me chama estendendo a mão. Andamos até a frente da escola onde ha um campo de futebol. Corremo-nos de um lado para o outro, estamos muito bebo, ele me beija intensamente me puxando para mais perto de si. Minhas vistas estão escurecendo. Algo está acontecendo, paro de beijá-lo e afasto. Deve ser a bebida, bebi muito. Não consigo ver nem falar mais nada, minhas pernas ficam fracas e caio ao chão, David fica calado ou também não posso escuta-lo, minha respiração pesa e sinto um grande sono vim, fecho os olhos parando de insistir em ver algo e deixo o sono e o cansaço tomar conta de min se é que era isto mesmo que estava se passando naquele instante, alguns segundos atrás estava bem e der repente.

 


 

 

05 | CAMPO DE TREINAMENTO

| “Bem vinda ao campo de treinamento. “|.

 

Abro os olhos lentamente, estou me sentindo muita cansada ate para isto, mas facho um esforço, vejo David e me assusto, ele rapidamente tampa a minha boca, estou deitada em uma cama e um quarto pintado de branco. Lembro- me o que houve mais cedo, foi ele, lembro-me do beijo e de como dormir apos isto.

“O que esta acontecendo?”

Cochicho.

“Sabia que você não aceitaria meu convite de vim ate aqui. Então.”

“Sequestrou-me.”

“Fiz por uma boa causa.”

Afirma ele com os olhos baixos, fica tão sexy olhando assim, mordo os lábios.

“Venha”

Ele levanta e estende a mão, novamente acompanho mesmo depois de tudo o que acabara de acontecer continua a confiar nele. Levanto segurando sua mão.

“Onde estamos?”

“Logo vai saber.”

Ele abre a porta e vejo que estamos em um corredor, enquanto caminhamos vejo muitas portas, possivelmente muitos quartos. Subimos uma escada feita de pedras e barro, piso e logo vejo minhas botas ficarem sujas, ignora e continua a andar.

Chego ao ultimo degrau me perguntando que lugar era aquele, tão frio e sujo. Olho para os lados e vejo arquibancadas de cor preta, um campo, é um campo semelhante ao de futebol, à grama no chão está bem verdinha e macia. Continuo a olhar em todas as direções, direciono os olhos para cima e vejo que é fechado, totalmente coberto como se fosse uma prisão, não é possível nem ver a luz do sol se é que está dia, o teto é feito de um vidro escuro, confusa olho para David que ergue a sobrancelha.

“Você já vai entender. Estamos aqui!”

Grita David.

Na minha frente ha outra porta que logo é aberta fazendo um rugido, avisto seguranças vampiros vestidos de Pretos que andam praticamente desfilando, uma mulher muito elegante entra, ela usa calcas pretas bem apertadas que combina com sua blusa, por cima ha um, sobretudo de cor beije, nos pés botas com saltos de cor preta, seu cabelo é ruivo natural e seus olhos são verdes, sua pele bem branquinha, é uma linda mulher que se aproxima de min.

“Olá princesa.”

Diz ela.

“Olá bruxa.”

Digo sem medo.

“Pode me chamar de Jennifer.”

Diz ela.

“Mudou o nome Jeane. Pode mudar o que quiser a, face, o corpo e as roupas, mas não será tão boa quanta Isa.”

Digo firme sem medo.

“Posso lhe provar ao contrário. A propósito estou na minha forma original usando minhas roupas e meu nome é em homenagem a minha filha.”

Ela solta as palavras leve sem medo. Assusto-me com o que ouço. Seu nome é Jennifer, conheço alguém com este nome, este alguém é irmã de Gabriela e Tânia. Seria possível?

“Júlia entre!”

Grita Jeane ou Jennifer não sei mais como chamar. Também fico surpresa já que também conheço alguém com o nome de Júlia cujo é minha irmã. As portas que estão atrás de min se abrem fazendo um rugido, olho para trás e vejo-a, uma mulher de pele branca como a minha e cabelos negros como os meus que combina com meus olhos como os teus.

“Olá princesa”

Diz ela próxima a min.

“Mamãe!”


“Bem Vitória, você está aqui por um bom motivo, você sabe mais do que eu que o melhor para Jack é você distante. Chamem os herdeiros, eles precisam saber quem será a princesa.”

Diz Jeane. Como ela pode dizer isto com toda clareza se ainda não decidi? Fico a pensar por que minha mãe se reuniu com ela, por que eu estava ali. Nas duas portas saem vampiros em fileiras, eles andam sincronizados até próximo, fazem um círculo ao nosso redor, eles usam roupas pretas com capas pretas e botas pretas, vejo que eles andam com espadas. Pergunto-me por que são herdeiros, herdeiros de que? Olho para todos eles e elas que estão com os olhos vermelhos, parecem ser bem fortes. Viro-me vendo o restante, olho rosto por rosto.

“Está é a princesa.”

Diz minha mãe. Num instante todos se ajoelham em sincronia. Por que tudo isto? Não mereço todo este respeito e toda esta atenção. Sinto-me mal e incomodada.

“Vitória, tenho uma boa proposta para você.”

Diz Jeane. Novamente a porta da frente se abre e fico a esperar mais uma surpresa. Vejo a gangue de John, o próprio na frente mostrando liderança cujo usa roupas muito elegantes, calcas preta combina com sua capa e seus sapatos, ele também carrega uma espada no cinto à direita e a esquerda está visível uma arma, atrás dele vem seu irmão vestido como herdeiro e ao lado Dodge infeliz por também está vestido assim, atrás vejo meu pai e outro garoto no qual não conheço, ele é pardo e têm cabelos pardos, seus olhos são azuis e seu corpo bem esbelto e bonito, também se veste como herdeiro. Aproximam-se, os herdeiros do grupo de John inclusive Dodge se ajoelha para min. Fico inquieta com isto. O que fazer?

“Minha proposta é esta. Você se tornar um de nós. Aqui você vai aprender a controlar seus medos e lutar contra eles. Aqui você vai aprender a sobreviver a estacas de madeiras, verbena, fogo, sol e principalmente o seu maior ponto fraco, o imprinting.”

Explica mamãe. Fico paralisada entalada e sufocada sem saber o que dizer. Penso em tudo, vou me tornar mais forte, vou lidar com todas minhas fraquezas.

“Recentemente vi que você tentou apagar a memória de Jack. Infelizmente um vampiro como David não pode controlar os sentimentos de Jack. Mas eu, eu sou uma original, sou forte e experiente o bastante para isto.”

Ela Jeane se orgulha do que diz em satisfação a si.

“Olhe bem para seu dedo, você sabe do que bruxas são capazes. Posso desfazer o imprinting, posso te ensinar a lutar contra esta maldição que o chamam de amor.”

Diz Jeane sincera tentando me convencer, sinceramente convenceu. O foco aqui é Jack.

“Ele terá uma vida normal na qual tanto deseja. Vai esquecer tudo sobre vampiros e lobos, bruxas e coisas semelhantes.”

Completa mamãe.

“Ele será feliz e você poderá se livrar dele, você vai destruir o único ponto fraco que possui, o resto nos ensinará no campo de treinamento como fizemos com nossos herdeiros, vamos preparar você.”

Termina Jeane.

“Em acordo. Estou aceitando sua proposta não por Jack, mas sim por que quero me livrar desta maldição ridícula e ser eu mesma.”

“Bem vinda ao campo de treinamento.”

Diz Jeane estendendo a mão, apenas agora percebi que ela usa uma luva transparente. Sem medo aperto e todos levantam aplaudindo.

 


Todos os herdeiros se dispersam dali entrando pelas duas portas.

“David você será o responsável pela primeira fase do treinamento de Vitória.”

Diz Mamãe. Ela sai junto com Jeane para porta atrás de min e David me puxa para porta da frente. Até então estou calada sem saber o que dizer ou pensar, estou ainda um pouco confusa com tudo. Passo pela porta da frente e descemos escadas sujas como a anterior, passamos também por quartos, seguimos em silêncio até o final do corredor, há um sensor onde reconhece a identidade de uma pessoa, David põe a mão na frente dele e uma porta é aberta, ha mais escadas, descemos em silêncio, desta vez aqui é escuro, vejo uma luz no final, estamos aproximando, chegamos ao ultimo degrau e avisto o verdadeiro, o campo de treinamento ou talvez seja o campo da tortura, o que vejo é aterrorizante.


 

 

 

 

 

06 | ESTÁGIO BÁSICO

| “Você esta incrivelmente horrorosa, mas vai se recuperar se não encontro alguém melhor.”|.

 

Vejo-os lutarem com suas estacas, vejo sangue em suas mãos e face, vejo uma garota com uma garrafa em mãos bebendo um líquido de cor Verde, sinto cheiro de verbena misturado com sangue de vampiro. Estão reunidos em grupos, olho para esquerda e vejo um deles enfiar e tirar a estaca de madeira em sua barriga diversas vezes seguida. Assusto-me soltando um suspiro. Eles próprios estão se torturando matando uns aos outros, vejo outro com uma espécie de colar no pescoço, com tanta verbena solta no ar fica até difícil enxergar de longe, senti cheiro de alho e reconheço o que está fazendo.

“Vamos!”

Chama David segurando minhas mãos. Passamos por eles, fico assustada com tudo, é terrível, terrivelmente gênio, se queremos ser melhores temos que aprender a controlar nossas fraquezas e é isto que vim fazer aqui, com a mente aberta pretendo acolher todos os ensinamentos mesmo que isto me mate, afinal como muitos dizem por ai, o que não mata fortalece. Ergo minha cabeça e tento ignorar tudo o que vejo. Eles vestem roupas brancas numeradas, andam descalços e no braço direito há uma espécie de munhequei-a com a cor preta, vejo um herdeiro, na sua blusa ha o numero 03 bem explicito, ele ali dentro possivelmente esta monitorando tudo, ele tem cabelos pardos e espetados, usa óculos e tem um belo corpo, da minha altura é muito bonito. Quando ele se aproxima mais, vejo que seus olhos são castanhos e sua pele não tão branca e não tão escura, está em meio termo. Ele segura uma roupa, vejo que é meu uniforme.

“Seja bem vinda princesa.”

Joga a roupa e eu aparo. Ele solta as palavras com nojo. Todos num instante param o que estão fazendo e olham para min.

“Reverência para princesa”

Diz David firme. Todos se ajoelham exceto o herdeiro.

“Ugo.”

Diz David pedindo obediência. Ele revira os olhos e se ajoelha olhando para min furioso, seus olhos transmitem ameaça, mas não sinto medo.

“Continuar o treinamento.”

Diz David e todos se levantam.

“Primeira fase. Aqui está sua ficha, espero que possa usufruir de tudo.”

Diz Ugo me entregando um papel, ele passa por nós furiosos.

“Vou te levar para o trocador.”

Diz David. Caminhamos e nos dispersamos no meio dos vampiros, logo à frente vejo uma porta vermelha e outra azul.

“Entre na Vermelha.”

Diz David. Obedeço, abro a porta e vejo várias garotas feridas, algumas estão a ajudar, existe uma união ali, as vejo fazerem curativos, todas olham para min, fico inquieta e insegura com um pouco de medo, ando com a cabeça baixa pelo corredor onde ha várias portas que estão fechadas, estão ocupados, caminho sentindo um calafrio nas costas, chego ao final do corredor e não há nenhum trocador vazio, olho para trás atordoada e vejo todas ajoelhadas. Suspiro e fico aliviada por não ter sido machucada. As garotas que estão em seus trocadores vão saindo e fazendo o mesmo. Um trocador ao meu lado acaba de ser liberado, caminho até ele. Tranco a porta e retiro meu vestido Preto. Quando estou nua olho mais uma vez para ele que sempre esteve comigo em bons momentos, aproximo do meu nariz e sinto o cheiro do meu perfume, talvez seja a última vez que farei isto. Jogo no chão e visto o uniforme que está escrito o número 0. Quando saio do trocador novamente as garotas tornam a olhar para min. Fecho a porta e avisto David com uma garota cujo é morena e têm seus cabelos presos em um coque, gentis David pega meu vestido e entrega a moça.

“Bem Jeane quer ver seu treinamento. Então vamos apressar os passos, ela não gosta de atrasos.”

Diz David. Ele anda tranquilo, leve sem medo. Acompanho entregando meu braço. As roupas me incomodam. Uso uma calca legue branca junto com uma blusa que ficou aparentemente grande em min também de cor branca está descalça, o chão é frio, estou sem minhas luvas e meias, me sinto nua. Andamos para o lado direito até o final onde ha vários tanques feitos de vidro. Sinto um grande cheiro de verbena, me sinto fraca e sem ar, tusso tentando ignorar, mas fica explícita minha dor.

“Também tive dificuldades com isto.”

Diz David andando. Quanto mais andamos mais minha respiração pesa, até que não consigo mais cessar, minhas pernas ficam fracas e caio ao chão ajoelhado, estou sem ar, não consigo respirar, puxo o ar para dentro e para fora, mas não parece possível e preciso. Tusso sem parar.

“Levante-se!”

Grita Jeane em minha frente. Olho para cima e vejo sua face de raiva. Obedeço, com bastante dificuldade levanto-me e seguro a mão de David. Continuamos a andar até próximo ao tanque de verbena. Continuo há tossir um pouco mais devagar, não consigo engolir o ar contaminando, meus olhos ardem, a esta altura está vermelho, lacrimejo. Estamos em frente a uma espécie de aquário onde ha verbenas plantadas.

“Suba!”

Diz David. Há uma escada ali, olho bem para Jeane, minha respiração ainda está falha, meus pulmões queimam de dor. Fecho os olhos e vou em direção à escada que é bem alta, eu diria uns 4 metros. Ponho as mãos no primeiro degrau da escada e escalo, estou subindo, vejo minhas mãos vermelhas e trêmulas, ignoro possivelmente meus olhos também estão vermelhos, continuo a subir, minha respiração fica mais difícil não por causa do cansaço, mas sim pelo cheiro daquela planta maldita. Continuo a subir até chegar o último degrau. Há uma espécie de tábua ali, ando e vejo toda a água Verde embaixo dos meus pés, o cheiro fica ainda mais forte. Olho para baixo e ouço David dizer algo.

“Pule!”

Diz ele. Aproximo-me mais da beirada, fecho os olhos e continuo a caminhar até cair na banheira.


Estou caindo ate o fundo do aquário com a respiração presa toco o fundo com meus pés e subo novamente nadando, a água esta me machucando, me queimando por conta da verbena, começo a me mover e se bater dentro da caixa d’água, meus olhos estão fechando, penso em abrir, mas sei que não posso, continuo a lutar, tento nadar para cima e sair dali, mas não tenho forcas para isto, meu corpo esta muito pesado não consegue mais nadar, estou caindo. Penso em quebrar a banheira, já que posso controlar a água, mas já é tarde para isto e não posso mostrar a eles quem sou de verdade, uma bruxa, isto pode estragar tudo. Ouço alguém gritar pedindo para me tirar dali, reconhece a voz, é Dodge. Mas ela Jeane diz para ninguém tocar em min. Tento ouvir um pouco mais , não consigo, estou muito fraca, sinto meu corpo bater forte no fundo da caixa. Abro os olhos, der repente meus olhos pesam, não vejo mais nada, não ouço mais nada, não sinto mais nada.


Pela segunda vez abro os olhos com muitas dificuldades, vejo uma luz forte em meus olhos, fecho e abro novamente, tento me mover, mas meu corpo esta paralisado, não consigo fazer nenhum movimento, tudo doí muito, meus olhos quando piscam, minha respiração quando sai faz com que meus pulmões doem e queimem, sinto dores no pescoço, braços, pernas, mãos, pés, exatamente tudo esta desconfortável para min, faço um esforço tentando falar, mas nem isto consegue. Estou olhando para cima paralisada por que não posso me mover, sinto alguém se aproximar, ele olha para min com aqueles olhos negros que combina com seus cabelos bagunçados.

“Você esta incrivelmente horrorosa, mas vai se recuperar se não encontro alguém melhor.”

Diz David sendo sincero, ele abre um sorriso malicioso e fico com raiva dele, estou com muitas dores ao mesmo tempo, meus olhos se enchem de lagrimas.

“Parabéns você bateu o recorde, ficou 03 min e meio, admito que me impressione.”

Diz Jeane aproximando.

“Mas eu não!”

Diz minha mãe aproximando-se também.

“Com todo respeito Jeane, concordo com Júlia.”

Diz David.

“Vamos, a princesa tem visita.”

Chama Mamãe. Todos saem e fico sozinha esperando a visita misteriosa. Olhando para cima, esta vai ser minha rotina ate se recuperar, isto é, se for possível, sinto o cheiro de Dodge.

“Como esta?”

“Muito bem, nunca me senti melhor!”

Digo com dificuldade, minha voz sai rouca, sinto gosto de sangue misturado com verbena em minha garganta.

“Serio?”

Pergunta ele.

“Explicito que não idiota, não ver que meu corpo esta composto 85% de verbena e não água.”

“Sinto muito”

“Não sinta. Quando eu me levantar vou te afogar, pergunta tola, tolerância zero.”

Digo sem graça.

“Esta bem princesa, não vejo a hora de você fazer isto.”

“Também aguardo ansiosa para isto. Preciso me levantar.”

Digo seria novamente lagrimas surgem em meus olhos.

“Não faca isto por agora.”

“Por quê?”

Pergunto ingênua.

“Por que você esta horrível.”

Ele brinca, sinto vontade de dar um soco de leve em seu braço direito como fiz na ultima vez na escola, mas não consigo.

“Acha que vou ficar bem?”

Pergunto com medo.

“Vai sim. Você é um vampiro e”.

“Shi!”

Digo antes que ele diga a palavra bruxa.

“Por que eles não podem saber?”

Pergunta Dodge.

“É melhor assim.”

“Posso usar isto contra você.”

Ameaça Dodge.

“Em troca de que?”

Pergunto.

“Príncipe.”

“Não será meu príncipe.”

Digo firme.

“E o que acontece quando eles descobrirem o que você é?”

“Não tenho medo de suas ameaças.”

“Deveria, o castelo de vidro é mais importante do que minha relação com você.”

Ele sai me deixando sozinha. Parece que ele mentiu para min, estava jogando comigo me pondo contra a parede para que eu o escolhesse, mas ele não sabia dos meus planos, em qualquer oportunidade sairia dali e planejaria tudo com Isa, já que as bruxas podem entrar em um castelo de vidro elas também podem destruir, é isto que vou fazer, este é meu objetivo não importa quantas pessoas estejam se torturando e se machucando a toa, não importa quantas mortes terei que enfrentar está absolutamente certo do que estou prestes a fazer e ignoro todas as consequências, afinal não sou mesmo uma princesa.

 


 

 

 

 

 

07 | JACK

Jack: Significa “Deus é cheio de graça”, “agraciado por Deus” ou “a graça e misericórdia de Deus” e “Deus perdoa”.


Narrador: Jack

Quando olho para Vitória me pergunto o que teria acontecido para se tornar um monstro, eu nunca a perdoaria pelo o que fez, ela tirou de min a única coisa boa que tenho aqui, ela tirou de min minha única família. Não pertenço a mais ninguém, estou sozinho, tenho apenas como amiga Aly e Tânia que se aproximou de min recentemente de modo a me cuidar, estou me apaixonando pelo o que vejo em seus olhos esverdeados, cabelos loiros, corpão de mulherão, vejo alguém mais madura e responsável, mais apta para um relacionamento, vejo uma princesa. Ela é mais forte, mais inteligente, ela é linda, ela se importa com as pessoas, não é egoísta e nem orgulhosa, ela é humilde e se mostra atraente, tem um belo sorriso na qual admiro muito, ela é a pessoa certa para min, a pessoa que me ama verdadeiramente, é ela que eu vou amar. E’ esta a minha escolha.


Estamos na escola e vejo Vitória entrar com seu vestido preto, suas roupas que sempre usou e sempre vai usar. Estou sentado no corrimão da escada logo em frente, vejo-a balançar a cabeça com o ritmo da musica, ando ate ela e escuto algo sobre festa. Finjo não escutar, mas fiz de proposito, não por ciúme ou curiosidade, mas sim por preocupação, sei do que David é capaz e sei que ele vai machuca-la cedo ou tarde. Eles andam em direção as suas salas e Tânia me cutuca. Viro e ela me da um beijo, diferente de Vitória ela é mulher de atitude, sinceramente Vitória não deve ser chamada de mulher, não é isto que ela é, ela é apenas uma criança, uma garota que nunca vai crescer e não posso escolher alguém como ela. Ignoro meus pensamentos e volto a beijar Tânia, afinal é ela quem tem que amar, me perco em seus beijos e carinhos. Alguém esta próxima e tosse, paramos ligeiro e vejo que é Isa a diretora da escola.

“Então vamos entrar.”

Pede Isa. Infelizmente eu e Tânia estamos em sala diferente. Despeço-me dela dando-lhe mais um beijo e entro na sala. A aula que tento assistir é língua portuguesa, mas me disperso pensando em Vitória, não se lembrando dos momentos bons que tivemos, mas me perguntando por que ela fez isto comigo, será que no fundo ela me odiava? Foi ato apenas de fome? Era ela mesma naquela noite?


Estou saindo da escola e Vitória não vieram me dar explicações sobre o corrido. Percebo que não faz mesmo diferença, se ela realmente fosse inocente viria ate min, mas nem isto foi capaz de fazer. Chega disso, bola para frente, acabou. Ergo a cabeça e ando ate a praça. Não demora muito e Tânia chega de carro, seu pai é um milionário e sempre satisfaz os gostos das filhas. O motorista abre a porta e ela desce, está muito linda, fico surpreso com tanta perfeição. Ela usa uma saia florida longa, sandálias de cor bege aos pés, uma blusa regata branca que valoriza seus seios e braços definidos, um colar que carrega uma cruz, seu cabelo esta cortado diferente, ela usa uma franjinha e o restante esta preso em um coque no alto, faz calor naquele dia, ela se encontra com óculos escuros, sua boca esta estampada de batom vermelho que realça a cor da sua pele branca. Ela retira os óculos e solta o coque balançando a cabeça, seu cabelo e desfeito em ondas, é incrivelmente lindo, acho que ate babei com tanta perfeição, ela era muito linda, uma princesa, ela é minha princesa.

 


 

 

 

08 | DEPRECIAÇÃO

| “Todos nós temos um ponto fraco. Você não é diferente. “|.

 

Estou paralisada sobre a cama, não posso me mover, todo o meu corpo está a doer, fui queimada naquela caixa, tento movimentar meus braços, mas estes doem muito. Lembro-me de Jack, dos seus olhos castanhos que combinam com seus cabelos, seu corpo esbelto e bem definido, lembro-me dos abraços que dei nele, podia sentir seus músculos e o sangue totalmente compatível com o meu, sinto saudades, mas tenho que ser forte, está é a única forma que tenho para deixa-lo ser feliz, feliz com ela, Tânia.

Sinto alguém se aproximar, não sei quem é a pessoa que se aproxima de min e mostra seu rosto curvando seu corpo já que não posso me mover. Parece um espelho, vejo alguém parecido comigo, é ela, mamãe.

“O que?”

Pergunto com medo.

“Shi”

Ela me interrompe. Vejo uma seringa em suas mãos, sinto medo, estou apavorada, ela tampa minha boca para que ninguém me ouça gritar, ela enfia a seringa em meu braço, sinto cheiro de verbena, meu braço está queimando, quero lutar, mas não consigo me mover, minha respiração pesa, estou sentindo a dor no corpo todo que surge como balas, doí muito, tentam respirar fundo, mas não consigo, minhas mãos e pernas estão imóveis, minha cabeça está quente como se fossem explodir, meus lábios estão a arder, tusso algumas vezes e solto gritos fracos, água sai de minhas mãos, seria um teste? Quando percebo já é tarde, o quarto está se enchendo de água. Mamãe tira a mão da minha boca e se afasta.

“Exatamente como imaginei.”

Diz Mamãe.

Continuo a despejar água até nos encobrir, vejo se afogando, estou afogando também, ha água por todos os lados, a porta está trancada, de repente ela se quebra e toda a água é liberada para fora. Tusso a água que estava em minha garganta e já posso me mover, com dificuldades tento me levantar de lado, apoio as duas mãos sobre a cama e respiro fundo, estou encharcada, ajoelhada jogo os pés para baixo e desço, mas minhas pernas ainda estão fracas, não consigo sustentar meu corpo, Caio ao chão pousando a mão direita sobre a barriga. Admito que esteja preocupada com mamãe, mas me sinto muito fraca, não consigo me mover, ouço alguém gritar, meus olhos pesam e então fecho.


“Ora, ora, princesa bruxa.”

Diz Jeane, ainda estou abrindo levemente meus olhos, estou deitada sobre uma cama e já posso me mover melhor.

“Foi bem desconfiável a sua aceitação ligeira sobre minha proposta, então decidi investigar.”

Diz ela caminhando pelo quarto, vejo que é todo Branco, estou tentando levantar.

“Pra alguém que acredita tanto na lenda de bruxas são proibidas ao Castelo de vidro, eu me pergunto por qual motivo você se juntou a min? Pra destruir tudo o que pretendo fazer?”

Pergunta ela olhando para min com aqueles olhos verdes marcador, sua expressão no rosto é sempre de orgulho. Estou deitada na cama com os olhos murchos e bem quentinha.

“O motivo se chama Jack.”

Digo baixo, pois estou fraca, minha mão esquerda está sobre minha barriga e não posso mover.

“Quem garante? Por que devo confiar em sua palavra?”

“Por que sou sua única chance.”

Respondo firme. Ela solta um suspiro.

“Ou então, por que não pode me subsistir por outra garota qualquer? Precisam de min não é mesmo.”

Pergunto cautelosa atingindo-a com minhas palavras, vejo que ela está ficando furiosa, engole em seco e pensa em dizer algo, mas eu interrompo.

“Não há amor não é? Precisam de min.”.

Ela fica intacta com minhas palavras, seus olhos mostram raiva, vejo que estão preocupadas com minha descoberta, suas bochechas ficam coradas de raiva.

“Levem ela para o treinamento.”

Ordena para dois vampiros vestidos de Branco, escravos, penso.

Eles puxam meu braço com força, levanto da cama fraca, caminho cambaleando até a porta e eles me largam. Avisto David.

“Prepare-se para lutar!”

Diz ele com os olhos espantados. Ignoro e continuo a andar. Eles me levam para o campo de treinamento, vejo que são pessoas novas, o que teria acontecido com os outros?

“Onde estão os outros?”

Pergunto a David.

“Já foram divididos.”

Responde ele. Sei bem do que se trata, mas prefiro fingir que não sei, apesar de Dodge não merecer isto faz por ter sido gentil em me contar.

“Reverência.”

Grita David. Novamente todos se ajoelham e levantam no mesmo instante. Estou de frente com David. Visto minha calça preta rasgada aos joelhos, à blusa branca cujo faz parte do uniforme estou descalço, ele me entrega faixas para mãos, vamos lutar, o vejo enrolando as suas e repito. Terminamos, ele põe as mãos em posição fechando os punhos de frente para os olhos, faço o mesmo, ele me golpeia com a mão direita, mas me defendo, novamente ele tenta outro soco e não consegue, estamos gritando, ele tenta várias vezes me acertar, mas eu vejo bem antes de ser atingida e me defendo. Finalmente ele parece estar cansado e tentam vários socos seguidos, todo eu consigo proteger. Ele abaixa as mãos e eu faço o mesmo, der repente ele me golpeia dando um soco na minha barriga fica sem ar e ponho as mãos tentando recuperar.

“Vamos lute!”

Grita David. Tiro as mãos da barriga e tento dar socos nele, mas defende. Paramos para um segundo, ele me acerta outro soco no rosto, fico tonta, mas não caio. Fico mais furiosa, tento novamente mais socos nele, estou me cansando mais não paro, ele está se defendendo muito bem, continuo a persistir metendo meus braços sobre os seus, ele se afasta e me chuta nos braços, mas seguro seus pés, ele é mais forte puxa de volta para o chão, tento acertar novamente um soco em sua cara, mas ele segura meu braço e torce, ouço um estralo, grito com a dor. Por um instante ele me solta, mas não desisto, demoro um tempo para voltar meu braço ao lugar, volto a tentar dar socos nele, de novo ele segura meu braço, mas desta vez luto tentando fazer soltar. Ele ri, fico mais furiosa e acerto um joelhada em seu estômago que o deixa também nervoso, ele puxa meu cabelo, me põe de lado e acerta um chute no lado direito da minha cintura, Caio com as mãos ao chão, tento levantar, mas ele mete outro chute em minha barriga, fico mais paralisada ao chão.

“Sabe por que não pode lutar comigo princesa?”

Pergunta David. Tento responder, mas estou muito ocupada tentando me levantar. Fico ajoelhada e David novamente me chuta na barriga e depois nas costas me fazendo ficar quieta ao chão.

“Por que eu sou mais velho e me alimento. Não importa quantas pessoas você mate, nunca vai ser melhor do que eu, nunca vai me derrubar.”

Dizem ele cuspindo as palavras, todos estão a nos observar.

“Todos nós temos um ponto fraco. Você não é diferente.”

Digo sem medo. Ele pisa forte em minhas costas, solto um grito.

“Por hoje é só!”

Diz David saindo. Passo alguns segundos ao chão, alguma a pessoas me oferece ajuda, uma garota morena muito linda me ajuda a levantar.

“Obrigado”

Agradeço.

“Não precisa agradecer princesa. Ah me chamo Kelly, este é Igor e bela.”

Diz ela apontando para seus amigos. Igor é pardo e magro, seu cabelo ondulado, e Belo se parecem com Kelly com a mesma cor de pele Porém seus cabelos são ondulados igual de Igor.

“Prazer”

Diz. Sinto gosto de sangue, há sangue em minha boca.

“Venha vamos dar um jeito nas suas feridas.”

Chama Igor.

Caminho com eles até seus quartos. Todos me olham diferente e espantado. Entro no quarto Branco idêntico ao meu, mas diferente ali há três camas.

“Pode sentar na minha cama.”

Diz Bela.

“Não, não precisa.”

Digo desajeitada jogando uma mecha do meu cabelo para trás. A esta altura estou descabelada mesmo. Sento ao chão.

“Não!”

Gritam os três ao mesmo tempo.

“É só o chão.”

Digo. Eles se entreolham.

“Vou buscar um chá”

Diz Bela.

“E eu os curativos.”

Diz Kelly.

Elas saem, são muito gentis.

“Bem sobrou-nos.”

Diz Igor.

“Há quanto tempo esta aqui?”

Pergunto seria. Ele senta ao chão.

“Dois dias. Por quê? Sabe para onde iremos daqui?”

Ele pergunta. Eu não sei responder, sei a resposta, mas não tenho certeza e isto é um segredo.

“Não sei”

Respondo insegura.

“Aqui esta”

Diz a duas Unidas chegando ao quarto.

“Muito obrigado não precisa.”

Digo.

“Você é a princesa devemos favores a você. Aceite o chá vai te deixar mais tranquila.”

Diz Bela. Pego a xícara e bebo o gosto e bom, ervas com bastante açúcar, está bem doce e bem quentinho, está muito bom. Enquanto estou distraída com o chá, Kelly e Igor cuidam das minhas feridas. Quando estou bem levanto e agradeço a eles.

“Por que não vem treinar conosco? Aquilo nem foi mesmo treinamento.”

Diz Igor. Penso na possibilidade, ele tem razão, não foi um treino, e seria bom eu ter a própria iniciativa, pois parecia que David não estava mesmo disposto a me treinar.

“Seria uma honra.”

Digo.

“Vamos!”

Eles me chamam. Caminhamos de volta para o campo e agora de verdade começo o treinamento. Após algumas horas vejo David, ele parece furioso. Ele e Jeane caminham até min. Alguém toca em meu ombro.

“Mamãe.”

Digo. Ela direciona o olhar para Jeane e David que se aproxima.

“Boa iniciativa princesa.”

Todos se ajoelham.

“Obrigado.”

Digo debochando de David.

“Estou orgulhosa.”

Diz Mamãe saindo. Ela passa por frente de Jeane, está logo a segue e David fica a me encarar.

“Não vai mais puxar meus cabelos.”

Digo firme. Ele não compreende.

“Podem me emprestar uma estaca?”

Peço, uma correria inicia ali. Todos estão procurando por uma estaca, parece um jogo. Um garoto com cabelos cacheados como de anjo joga uma para min, aparo em minhas mãos.

“O que vai?”

Pergunta David.

Parto meu cabelo ao meio, jogo para frente como se fosse trancar toco na estaca para verificar se esta bem afiada aproxima do meu longo cabelo e corto puxando de uma só vez, repito na outra parte do cabelo. Tudo está ao chão.

 

 

 

09 | ESTÁGIO INTERMEDIAL

| “Sua vez.”|

 

Olho para meus cabelos ao chão e depois olho para David que parece furioso, ele sai dali e eu ignoro voltando ao treino. Estou me acostumando a esta rotina de lutar e a cada dia encarar uma nova surpresa. Agora ficou mais fácil, tenho Bela, Kelly e Igor sempre ao meu lado, além deles alguns outros que conheci em seguida. Foi um dia cansativo, mas bem produtivo, eles me ensinaram a lutar e me proteger de socos. Estou no meu quarto novamente sozinho, meus músculos estão a doer, mas ignoro, pois sei que é apenas o começo de uma longa jornada. Estou muito ansiosa pelo o dia de amanha, Ugo me disse que Jeane tem um desafio, sem medo aceitei e tenho que me preparar, deita na cama que esta bem limpinha e seca, fecha os olhos e penso em Jack, me pergunto como ele deve estar a esta altura. Preciso ignorar e ser forte vira para o outro lado e pego no sono.


Esta bem cedo quando alguns herdeiros batem na porta do meu quarto para me levantar. Acordar a esta hora já é um desafio. Levanto e me ajeito tocando minha cabeça já sente falta dos meus cabelos, agora meu corte está ao pescoço, repicado com uma franja de lado. Abro a porta e vejo Ugo junto com dois outros herdeiros.

“Preparada para o desafio?”

Pergunta ele debochando

“Nasci preparada.”

Respondo tomando a frente. Caminhamos até o sótão, subimos longas escadas, já consigo imaginar o que Jeane quer que eu faça. Estamos lá em cima e avisto-a junto com mamãe, David e Dodge.

“Retire o anel.”

Grita David. Esta com pressa. Obedeço.

“Abaixar vidros!”

Ordena David a alguns vampiros ali vestidos de Branco. O sol está me queimando, mas ignoro, a dor está incomodando, luto para ser forte, está machucando muito, água começa a pingar de minhas mãos, o clima muda, olho para cima e vejo as nuvens entrando em frente ao sol, à nuvem está sendo desfeita, água começam a cair do céu, todos olham espantados.

“Leve-a para o desafio dois”

Ordena Jeane. Dois herdeiros me puxam para escada, descemos e caminhamos. Vejo alguns vampiros já acordados lutando com suas estacas.

“Este vai ser o seu treinamento do dia.”

Diz David.

“Deixe-me demonstrar”

Diz Ugo com uma estaca em mãos.

“Dodge!”

Pede Jeane.

Ele caminha e encosta-se a uma parede de cor bege. Ainda estou sem entender, ou não quero aceitar o que vai acontecer ali. Sem demoras, Ugo corre e enfia a estaca na barriga de Dodge, ele grita e cai ao chão. Assusto-me, ponho a mão na boca tampando o soluço, meus olhos se enchem de lágrimas.

“Hoje Dodge vai te dar o treinamento. Boa sorte. Vamos garotos.”

Diz Jeane. Ela sai levando os outros. Corro até Dodge.

“Pare! Eu não preciso da sua ajuda.”

“Dodge!”

Digo preocupada com os olhos cheios ainda. Ele olha para min deixando suas lágrimas caírem também e levanta.

“Vamos treinar! Meu foco é ser Príncipe, quer me ajudar. Então enfia isto em min.”.

Ele me entrega a estaca. Olho e vejo o sangue dele, estou preocupada com ele, é inexplicável este sentimento já que estou falando do Dodge. Olho para ele que esta me esperando na parede. Lembro-me de quando ele jogou Jack na parede da casa, o fez cair ao chão sangrando e desmaiando, fico furiosa ao me recordar. Limpo os olhos, corro gritando e enfio a estaca bem próxima a seu coração. Ele tosse, vejo seus olhos vermelhos de choro, estamos com os rostos bem próximos, posso ouvir sua respiração que esta pesando com a dor, ele suspira e cai ao chão, me ajoelho e puxo a estaca. Levanto e vou até a parede.

“Sua vez!”

Digo jogando a estaca ao chão. Estou com medo, mas não deixo isto à evidência. Encosto na parede com as mãos trêmulas, Dodge levanta recuperado. Ele corre até min e tenta meter a estaca, mas me defendo com a mão, tenta de novo e me defendo, dou um soco em seu rosto como fiz ontem com David, ele para e larga a estaca ao chão. Olha para min sério. Fico intacta e nervosa. Foi ridícula minha reação, eu tenho que o deixar fazer.

“Pode, por favor, tentar de novo?”

Pergunto encarando seus olhos cinza.

“Sim.”

Ele vira e cata a estaca. Num mesmo instante corre até min dando um grito de raiva, me assusto e me encolho pondo a mão na cabeça olhando para baixo, ele não me acerta. Espero um segundo e levanto lentamente a cabeça, vejo que agora ele está chorando de verdade.

“Eu não posso.”

Diz ele largando a estaca ao chão. Lembro-me do que falei ontem a David, todos tem um ponto fraco, o meu é Jack e o de Dodge seria eu? Engulo seca preocupada, meus olhos também transbordam água mordo os lábios, ele me empurra contra a parede me pressionando com seu corpo e me beija intensamente e levemente, fecho os olhos e sinto seus lábios aos meus, sua língua tenta invadir a minha, mas não autorizo, não posso não o amo, empurro Dodge, corro e cato a estaca, ele vem rápido para cima de min e me empurra ao chão, a estaca cai das minhas mãos longes, ele pega, me levanto e corro até ele lutando como David me ensinou, dou um soco em seu nariz e depois em sua barriga, dou um chute em sua perna, mesmo sendo acertado ele continua em pé. Luto rápido, ele faz o mesmo, pega a estaca e rasga minha blusa ao lado direito, tento pegar de sua mão, mas ele ergue, dou outro soco em sua barriga e um chute na sua coxa, ele enfia a estaca novamente no meu ombro esquerdo, rasgando a blusa junto com minha pele, ignoro a dor, pego seu braço e roubo a estaca de sua mão, acerto ele na coxa, enfio a estaca com todo força. Ele cai ao chão.

“Estou ficando entediada.”

Reclamo. Ele levanta muito rápido e retira a estaca, corre até min enfiando na minha barriga e quando percebo estou sangrando e perdendo a respiração, olho para Dodge como ele olhou para min, Caio ao chão de barriga para cima, ele não retira a estaca, prefere me ver chorar por mais um tempo, estou tossindo ao chão sem fôlego, não consigo dizer nada, estou fraca, minha visão está escurecendo, ele passa sua mão em meus cabelos curtos, se aproxima do meu rosto, lágrimas descem dos meus olhos, ainda estou sangrando e sofrendo com a dor, ele me beija na boca e retira a estaca.


Após algumas horas de treinamento com Dodge me sinto mais apta a enfrentar estacas.

“Vamos lutar de verdade agora.”

Diz ele puxando minha mão. Levam-me até o campo onde ha mais vampiros em treinamento, avisto meus amigos Belos, Kelly e Igor.

“Quem está afim de um joguinho?”

Pergunta Dodge. Todos gritam.

“Princesa pode escolher alguém para seu time?”

Pergunta Dodge.

“Kelly!”

Chamo sem medo, vejo que ele é bem forte, seu corpo é definido.

“Bela.”

Chama Dodge.

“Igor.”

Chamo e vejo que ele está contente por eu o ter chamado, queria Bela em meu time, mas Dodge infelizmente fez sua escolha.

“Ramon”

Dodge chama. Como não sei o nome de todos ali apenas aponto o dedo. Ficamos a escolher até completar 15 de cada lado.

“O que vamos jogar?”

Pergunto.

“Pegue! Vamos lutar.”

Ele joga uma estaca de madeira para min. Pego e corro até um dos parceiros tentando enfiar a estaca em sua barriga, todos começam a lutar, agora vejo que é mais difícil, há mais vampiros, me viro e vejo dois vindo em minha direção, meto o soco em seus braços para largarem as estacas, mas estes persistem, um consegue me atingir na perna direita, deixo a madeira presa e ignoro lutando com o outro, enfio a minha estaca em sua garganta, o terceiro meto o pé em sua cara, roubo sua estaca e enfio em seu peito. Ele cai ao chão, são 03. Retiro a estaca da Minha perna e jogo com toda força em outro parceiro de Dodge. Ele é atingido bem no ombro. São 04. Vejo Bela acertar um dos meus integrantes e vou até ela que me olha espantada, meto socos em seus braços e roubo sua estaca, enfio no seu braço. Seus amigos largam a estaca e todos olham para min. O jogo acabou.

“Até que você joga bem pra uma princesa.”

Diz Dodge.

“É princesa.”

Diz Bela. Esta aparenta raiva e nervosismo.

“A brincadeira acabou, voltem ao treino.”

Diz David aproximando com Jeane.

“Vejo que este indo muito bem Vitória. David por que não leva ela para a fase 02?”

Pergunta Jeane.

“Só se for agora.”

Responde ele. Eu e Dodge o seguimos, ele está caminhando para um lugar diferente, mais longe à direita, ha uma parede de cor cinza.

“Dodge.”

Diz David. O outro caminha até a parede ficando de costas desta vez. Vejo ali uma mesa com várias estacas, David cata uma e acerta Dodge nas costas apenas jogando com toda sua força a estaca no ar, assim de costas é mais perigoso, não podemos ver onde está o coração, fica mais difícil. Ele cata outra estaca e joga no ar acertando na barriga de Dodge. Demovo mais uma estaca é lançada e acerta agora a coxa. Há três estacas penduradas em Dodge, ele não mostra medo e nem dor, está virado para a parede desencostada, David joga mais uma estaca que acerta na perna direita de Dodge, depois joga mais uma acertando seu ombro esquerdo.

“Treino para mira, quantidade de estacas e força no lançamento.”

Diz David. Ele mira e acerta próximo ao coração de Dodge, este grita com a dor e apoia as mãos na parede, o grito deixa Jeane furiosa.

“Manda mais estacas.”

Pede Jeane.

David cata mais duas de uma só vez e acerta as duas na barriga de Dodge. Ele aperta a mão na parede com a dor, ha cerca de 10 estacas presa nele, Jeane ainda está furioso.

“Mais.”

Grita ela. Ele cata mais duas e acerta nos ombros de Dodge. Ele solta rugido bem baixo, mas Jeane escuta.

“Mais.”

Diz ela. David pega mais uma e joga próximo a seu coração de novo. Desta vez Dodge não grita apenas cai ao chão.

“Vamos”

Chama ela. Ele sai e eu corro até Dodge que esta ajoelhada retirando suas estacas. Meus olhos estão cheios de lágrimas e estou preocupada, abaixo e vejo os olhos tristes de Dodge que esta sofrendo com a dor.

“Aprendeu?”

Pergunta ele retirando a estaca de seu ombro. Balanço a cabeça, levanto e vou até suas costas e puxo algumas estacas, ele grita algumas vezes, mas faço, preciso fazer e aprender preciso ignorar o que ele está sofrendo, meu objetivo aqui é Jack mesmo que eu tenha que perder um amigo como Dodge, puxa a última estaca, ele se recupera e levanta. Olha dentro dos meus olhos cansados.

“Sua vez.”

 


 

 

 

 

 

10 | PROPÓSITO

| “A convocação dos herdeiros. “|.

 

Há entre 19 e 25 estacas presas a meu corpo. Estou em treinamento com Dodge, estou sentindo dor em todo corpo, ha sangue por todo lado que vejo.

“Mais uma”

Digo trêmula a ele que logo obedece me enfiando mais uma estaca no braço direito, solto um rugido baixo.

“Já chega Vitória. Já deu.”

Diz ele preocupado passando a mão em meu rosto.

“Ajude-me a tirar.”

Digo chorando. Cuidadoso ele puxa estaca por estaca, a cada uma eu solto um suspiro.

“Obrigado”

Agradeço quando ele tira à última.

“Está tudo bem?”

Ele pergunta. Olho em seus olhos cinza, os meus há esta hora estão vermelhos de todo cansaço. Ele se aproxima e me abraça acolhendo. Sinto-me mais a vontade para chorar. Estou muito cansada, fecho meus olhos e descanso em seus braços, e ele repete fazendo o mesmo. Somos apenas dois loucos com objetivos mais loucos ainda dentro de um campo de treinamento. Às vezes penso em desistir, mas me lembro da Vitória que terei no futuro, serei livre, serei princesa e Dodge será um Príncipe.


Acordo e me deparo com Dodge. Dormimos na mesma cama, mas não estou preocupada, fomos dormir muito cansados. Hoje acordo com gritos, algo está acontecendo.

“Dodge!”

Chamo.

“Só mais cinco minutos.”

Reclama ele. Ignoro e vou ver o que esta havendo. Encontro Ugo um dos herdeiros.

“O que esta havendo?”

Pergunto a ele.

“Estão escolhendo os melhores dos iniciantes para se tornar herdeiros.”

Explica ele.

“E o resto?”

Pergunto.

“Vão lá para baixo.”

“O que ha lá embaixo?”

Pergunto.

“Você não está aqui para perguntar e sim treinar. Jeane me passou esta lista para você trabalhar hoje. Vamos?”

“Não!”

Corro para o meio da multidão e dos gritos. Esta acontecendo uma luta ali. Vejo alguns sendo separados por correntes gigantes.

“Temos que nos unir para quebrar isto.”

Grito para Bela que avisto de longe. Ela concorda com a cabeça.

“Vamos!”

Ela grita. Todos pegam na corrente e puxa, ela faz um estralo e quadra ao meio. Os herdeiros pegam agora armas e atiram em toda uma confusa começa ali, estão correndo, estou sendo impensada, mas ignoro. Ouço um barulho em cima da minha cabeça, olho para cima e vejo as caixas cheias de verbena se romper. Toda água está vindo e caindo, todos começam a gritar. Não posso ficar ali, avisto David, ele vem até min e me segura na mão me puxando, eu sigo ele ignorando os outros, saímos da multidão.

“Temos que correr para sobreviver.”

Diz ele. Não quero concordar em ir com ele, mas não tenho escolhas. Vejo todos ali caídos ao chão, os mais fortes levantam. Ouço algo lá em cima e avisto. Fogo, fogo começa a cair sobre os vampiros. Não posso ajudá-los então fujo com David. Eles estão pegando fogo, eu e David subimos as escadas correndo, estou encharcada de verbena. Corrermos até em cima, olho para baixo e vejo alguns levantarem mesmo depois de serem afogados em verbena, queimados por fogo e levado tiros que provavelmente eram especiais para atingir vampiros, eles estão em pé e recebem um novo nome.

“Herdeiros!”

Grita Jeane de cima. Ela esteve controlando o fogo.

“Tragam os transformados da última festa e limpem a bagunça.”

Ordena a descendo as escadas. O sobrevivente obedece. Novas pessoas entram pelas portas, os reconheço. Tampo a boca tampando o soluço.

“Não”

Cochicho. Lembro-me de quando David me pediu para entregar e distribuir as bebidas, é tudo culpa minha, eu os transformei. Todas as bebidas estavam contaminadas com sangue de vampiros igual às drogas, todas as bebidas os transformaram em monstros, eu fiz parte disso. Deixei minhas lágrimas caírem. E agora?


Vejo Dodge chegar confuso, seus olhos estão inchados por ter dormido muito, ele olha para min demonstrando exaustão e cansaço pelo treinamento de ontem. David por impulso aperta minha mão, os novos iniciantes estão tomando um novo rumo para iniciar o treinamento, desço as escadas junto com David e vou até Dodge.

“O que eu perdi?”

Pergunta ele.

“A convocação dos herdeiros.”

Afirma David.

“Estou aqui para treinar e é isto que vou fazer. Vamos Dodge?”

Chamo. Saio na frente sem saber para onde ir, Dodge me segue e David continua lá atrás. Viro em um corredor seguindo os herdeiros que levam os mais fracos em suas mãos, quero saber onde está indo. Uma escada se abre ao chão, me assusto com o barulho e paro de caminhar. Eles descem as escadas e eu os sigo. Há um corredor bastante escuro e estreito, caminho sem medo, Dodge segura minha mão, olho para ele que parece transmitir medo para min com seus dedos frios e continuo a andar.

Chegamos ao final do corredor, outra porta feita de pedra se abre transmitindo uma grande luz me aproxima da porta, estamos do lado de fora, vejo o Sol, o dia está lindo, estamos em uma trilha no meio do mato.

“Vitória. Jeane quer ver seu treinamento hoje.”

Grita David atrás de min.

“Depois eu te levo no Castelo. Agora temos que ir. Lembre – se foco e objetivo.”

Grita ele. Então esta trilha aqui é o Castelo. Volto para a porta junto com Dodge e sigo David de volta ao campo. Olho para trás curiosa e a porta se fecha.

De volta ao campo de treinamento, ha novos herdeiros e iniciantes estão mais cheio aqui. Estou vestida com as mesmas roupas branca e descalça, pego estacas e enfio em meus braços, vejo Dodge e David fazer o mesmo. Eles estão a competir, não param de se machucar e torturar, mas é claro David e mais forte e resiste mais.

“Vitória Ajuda.”

Pede Dodge. Eu o ajudo a retirar as estacas. Ficamos ali na parte da manhã fazendo este mesmo treinamento, depois fomos aos novos tanques de verbena. Não vai ser tão difícil como da primeira vez então logo subo e me afundo. Mesmo ferida e cedendo a verbena continuo lutando braço a braço com David. Depois ensino a Dodge a sair de uma Enrascada de fogo, como posso controlar a água o fogo não me atinge, mas Dodge tem que aprender outro método e o melhor que encontramos foi correr em círculos para se formar uma camada de vento e apagar o fogo. Voltamos a treinar nosso limite de tempo no sol, fico impressionada com David que joga seu anel no chão e fica bastante tempo embaixo do sol, mas não o bastante para ganhar de min.

Tenho uma nova rotina, um novo lar e novos objetivos. Ser uma princesa? Não. Meu foco é apenas aprender e aprender aceitou a proposta de Jeane para se tornar princesa, mas não é isto que vou fazer, meu plano é sair daqui e procurar Isa, dizer a ela e Aly tudo o que sei e tudo o que eu aprendi e ainda vou aprender juntas derrubaremos o Castelo de vidro, terei que fazer isto em total sigilo. A cada dia que levanto me lembro de Jack e na recompensa que Jeane pode me dar se eu não a trair como estou planejando fazer, esquecer ele para sempre e viver minha vida, ele será feliz com ela e eu serei feliz sozinha, serei eu mesma, vou fazer tudo o que sempre fiz sem medo. Serei agora um vampiro e não está aberração. Levanto pelo sétimo dia seguido e me olho no espelho, gosto de fazer isto, gosto do meu corpo e do meu rosto, me acho incrível e muito bonita, me admiro, mostro meus dentes para min mesma no espelho, eles são lindos, minha pele está mais pálida e meus lábios mais corados, mordo fechando os olhos. Toco em meus braços e sinto meus novos músculos, meu corpo está diferente, estou mais forte apesar de algumas feridas que esta explícita em min. Olho meu cabelo que antes era cumprido e agora está curto na altura do pescoço, passo a mão nele jogando para trás fazendo minha franja voltar para o rosto que cobre meu olho direito. Tiro minha blusa e visto outra de moletom bem grande masculina da cor preta, continuo com as calças rasgadas aos joelhos. Ainda estou descalça e preciso de algo para calçar. Procuro David que sabe onde minhas roupas estão. Encontro ele conversando com Dodge, os dois estão lutando, parece que estão se entendendo.

“Preciso sair.”

Digo.

“Venha.”

Chama David. Caminhamos para entrada onde estive quando cheguei. Passo pelo mesmo degrau onde pisei na primeira vez que estive aqui me recordou do meu medo quando vi todos os vampiros se torturando, mas agora eu os entendo, afinal sou um deles, faço isto para me equilibrar e aprender minhas fraquezas, a cada dia que estive aqui aprendi a lidar com elas. Estamos de volta ao primeiro corredor onde ha vários quartos, David entra em um e eu o sigo. Dentro do quarto ha várias estantes de sapatos.

“Procure.”

Diz ele.

Caminho até uma prateleira e olho para cima, vejo minhas botas ali. Aponto com o dedo, ele pega uma espécie de vara e puxa a caixa fazendo cair ao chão. Pego as botas e calço.

“Obrigado.”

Agradeço calçando o pé direito. Saio andando depressa dali.

“Espere.”

Grita ele. Paro de caminhar e olho para trás, ele fecha a porta com a chave.

“Já que esta bem vestida vai ao Castelo.”

“Está bem só”

“A sós”

Completa ele. Eu iria chamar Dodge, mas já que ele não é bem vindo então concordo.

“Vamos”

Digo entusiasmada. Foi uma semana inteira presa ali, estou ansiosa para sair um pouco, principalmente para ver como anda o Castelo.


 

 

 

11 | VIDROS

| “Eu serei uma princesa!”|.

 

A porta se abre e vejo a luz do dia, eu e David andamos pela trilha, minhas botas estão sujando com toda lama, meus pés pesam, está frio lá fora, encolho colocando as mãos em meus braços. Apesar de estar vestida com uma blusa grande sinto frio.

“Espere.”

Diz David, ele segura a capa de Aly na mão, ele se aproxima e põe em min, puxo a touca e olho para seus olhos negros que transmite cuidados e segurança.

“Obrigado”

Agradece, ele vira e volta a andar pela trilha. Eu o sigo um pouco mais atrás. Andamos um bom percurso em silêncio, está ficando chato então puxo assunto.

“Existe amor lá?”

Pergunto-me referendo ao Castelo.

“Não. É por isto que precisam de você.”

“Mas se Jeane vai desfazer o imprinting como vou ser útil?”

Pergunto andando.

“Por que ela faria isto? Você é a única chance dela.”

“Se ela não fizer, vou destruir tudo.”

Digo firme. Ele para de caminhar e olha para min.

“Não pode derrubar o Castelo, sua mãe vai estar lá.”

“Eu não ligo.”

“Jeane está procurando formas para substituir o amor.”

“O amor é insubstituível.”

Digo parada. Ele olha para min e ignora voltando a caminhar. Faço o mesmo em silêncio, fico pensando no que acabei de dizer. Será que Jeane está mentindo para min? Sou mesmo a última chance deles? Ouço gritos e um barulho de matérias sendo jogados. Vejo vários vampiros correrem ligeiramente de um lado para o outro construindo, manuseado vidros, controlando máquinas, estão levantando uma casa linda e gigantesca toda feita de vidro, o sol reflete de volta para meu rosto, é incrivelmente perfeito, tudo é vidro e visível, posso ver quem está ali dentro e do outro lado, me aproximo e ergo a cabeça olhando para cima onde ha mais vampiros cuidando do teto. Meus olhos lacrimejam por conta do sol, ainda está fria, minha boca está seca. Fico olhando para o Castelo com a boca entre aberta, é lindo e perfeito. Tiro a touca e caminho ao redor observando cada detalhe que me impressiona a cada minuto. Escolher os vampiros para tal obra foi uma ideia brilhante, este tão perfeito. Eles são cuidadosos carregando os vidros de um lado para o outro, são pacientes e ao mesmo tempo ligeiros e rápidos.

“Quanto tempo?”

Pergunto a David.

“Uma semana.”

Responde ele. Dentro de uma semana tudo estará ainda mais perfeito e mais bonito, vejo o reflexo das árvores e dos vampiros que caminham e trabalham em sincronia e total eficácia. Fico a admirar.

“Nosso lar”

Diz David sorrindo. Também sorrio.

“Nosso lar.”

Cochicho para min e depois pensa.

“Será uma pena ter que derrubar tudo.”

Ponho a touca da capa de volta à cabeça e me afasto do Castelo.


Volto para o campo com David, caminhamos em silencio ate o local.

“O que vai fazer por agora?”

Pergunta ele, estamos em frente à porta que logo se abre.

“Preciso voltar a minha vida social.”

Digo retirando a capa e entregando a ele.

“Obrigado”

Agradeço.

“Jeane me pediu que levasse você.”

“Estou me referindo à capa.”

Ergo a sobrancelha.

“Não precisa agradecer, foi um passeio agradável.”

“Preciso ir”

Viro-me e procuro a saída. Pergunto-me para onde irei, não posso ir atrás de Isa agora se não vai ficar tudo muito óbvio, preciso fingir que tenho uma vida estar presa a Jack ou a Isa. Saio do campo subindo as escadas que logo se fecham no chão atrás de minando sem saber para onde ir, mas ando ainda este um pouco frio e não tenho nenhuma blusa para me cobrir. Lembro-me da promessa de Jeane, irei esquecer tudo o que vivenciei com ele, ficará livre da maldição e ele estará totalmente livre para ter uma vida normal com ela, tudo ficara bem. Caminho ate a praça, algumas pessoas me olham com total desaprovação, ate me esqueci de que estou diferente, estou mais forte fisicamente, meus músculos está à mostra, ignoro os olhares e continuou a andar. Ainda estou vestida com aquela blusa grande, ha uma touca, puxo cobrindo a cabeça e ando ate a escada da praça, sento-me no corrimão e ponho as mãos nos bolsos da blusa para aquecer. Por um minuto sinto uma presença estranha, senti isto algumas outras vezes, mas agora sito calafrios e imagino se ha alguém invisível aos meus olhos ao meu lado, olho para o chão pensando na situação, olho para direita e vejo-o, Jack com seus cabelos castanhos refletidos a luz do sol que parecem mais brilhantes, ele ainda não viu, está praticamente camuflada vestida assim. Ele esta sentado ao chão coberto por grama verde, ele veste um casaco bege e suas mãos também estão sendo aquecido nos bolsos da blusa, ele esta serio e pensativo olhando para o nada, suas pernas estão cruzadas ao chão, percebo que ele veste uma calca preta e tênis antigos de marca. Estou olhando seria para ele, esta ventando forte, sente o cheiro do sangue, mordo os lábios, ele vira e quase nossos olhares se encontram abaixo a cabeça envergonhada, quero olhar novamente e continuar a admirar tanta beleza, mas tenho medo de que ele perceba, passa alguns segundos e torno a olhar, nossos olhares finalmente se encontram e une, minha respiração pesa e meu coração acelera com toda adrenalina, é só um olhar que me faz sentir tantas emoções, vejo seus olhos cansados e tristes que esta sendo incomodados pelo sol, é de cor mel, agora esta ainda mais claro, estão dourados que combinam com seus cabelos, continuo a admirar sem medo, mordo os lábios, ele vira o rosto e olha para ela, a garota loira delicada com um laco rosa na cabeça, ela usa blusa de frio de cor também rosa, e um vestido florido acompanhado de belas sandálias trancadas, seu cabelo este solto e suas mãos estão sendo aquecido nos bolsos da blusa, seu cabelo loiro brilha com o reflexo do sol, olho nos olhos verdes de Tânia, vejo como ela é linda, seus olhos transmite beleza. Vejo Jack acenar com a mão para ela. Pulo do corrimão deixando a sós. Não sei para onde vou só sei que preciso sair dali. Caminho escondida dentro da blusa gigante ate a escola.


Chego à escola e já este calor tira a blusa grande e soco dentro do armário, estou com preguiça de dobrar, percebo que ha mais pessoas me encarando. Avisto Jack entrar pelo portão com ela, vieram de carro por isto chegamos praticamente juntos, eles passam me encarando também, avisto Dodge, ele vem ate min.

“Posso dizer uma coisa?”

Pergunta ele.

“Sim”

“Você esta uma gata.”

Responde ele. Estou usando uma regata preta e as mesmas roupas do campo de treinamento, as calcas rasgadas aos joelhos e as mesmas botas.

“Obrigado”

Agradeço. Ele esta vindo em minha direção apavorada.

“Vitória o que fizeram com você? Você esta bem?”

Pergunta Isa preocupada.

“Estou muito bem.”

“O que houve com seu corpo? São queimaduras? Onde você esteve?”

Pergunta agora Marlon, vários alunos estão a olhar para min, inclusive Jack.

“Eu estava na casa de mamãe, e estou muito bem, podem parar de me olhar assim?”

Pergunto cruzando os braços.

“Precisamos conversar sobre aquela casa.”

Diz Isa. Vejo agora David entrar chamando atenção das garotas, ele este mais lindo com seus cabelos negros e lisos, ele joga para trás e caminha levemente se exibindo. Seu corpo esta mais definido, seus musculosos estão a mostra, ele se aproxima de min e me dar um beijo, todas as garotas olham com desaprovação e demonstram raiva, ignoro , olho para Jack, ele puxa a mão de Tânia e sai dali.

“Vamos nos divertir”

Chama David, eu o sigo. Ele entra na sala da diretoria e ligam todas as caixas de sons, ele põe uma musica boa, The Black cujo não sei a banda, mas o ritmo é bom, balanço a cabeça, atrás de min ha outras pessoas que me imitam , percebo que são as mesmas que estão no campo de treinamento e se tornaram herdeiros, somos apenas um grupo de pessoas que treina vários dias seguidos e quer ter uma vida normal no meio de pessoas normais fazendo normalidades como dançar na escola em vez de estudar. A diretora entra na sala e desliga o som, paramos imediatamente, todos se dispersam.

“Ainda precisamos conversar.”

Diz Isa olhando para min. David olha para min desconfiado.

“A sós”

Responde ela.

“Tchau”

Aceno para David. Ele sai e ela fecha a porta.

“Quer me responder o que esta acontecendo?”

“Esta falando do meu novo namorado gato?”

“E Verdade ele é lindo, aqueles olhos.”

Diz Isa.

“O corpo definido.”

“Aquele cabelo, e quando ele joga para trás fazendo aquele charme.”

“Ele é lindo, mordendo os lábios.”

“Como existe tanta perfeição, ai para!”

Briga ela, retiro imediatamente o sorriso do rosto.

“O castelo?”

Pergunto ingênua.

“Sim o castelo.”

“Não sei nada a respeito.”

Digo virando as costas. Abro a porta e saio, não posso dizer tudo agora, David a esta altura este bastante desconfiado.

“Vitória volte aqui!”

Grita Isa, ignoro ainda assim.

“Ei princesa!”

Chama David.

“Oi!”

Ele me empurra na par de olha fixo nos meus olhos.

“Fica ligada, seria uma pena ter que amar Jack para sempre não é mesmo? Quer se livrar da maldição não é? Então tome bastante cuidado, eles não estão aqui por acaso.”

Diz David olhando firme para mim e depois para os herdeiros que estão vestidos de alunos.

“Eu serei uma princesa!”

Digo firme afastando seu corpo do meu.

Saio ignorando todos.

 


 

 

 

 

 

12 | BRENO

“”” “”” Breno: Significa “chefe”, “chefe do exército”, “líder”, ou” alto”, “nobre”.

Há ainda outros autores que atribuem a origem de Breno ao celta bre que quer dizer “monte” ou “colina”, e por extensão pode ser relacionado o significado de “alto” ou “nobre”.

A variante inglesa é muito comum na Irlanda por influência de Brian Boru, um rei irlandês que lutou pela libertação do seu povo na ocupação dos vikings.


Narrador: Breno

Eu acompanho, acompanho ate aqui. Eu a vi nascer e crescer protegeu de todo o mal que esteve presente, estou aqui tentando cuidar dela, eu sei que Deus faz suas escolhas e temos que respeitar, mas discordo em alguns pontos que presenteei com Vitória ate aqui, sou o anjo da guarda dela, sou seu protetor, guiarei para o lado do bem, não sei como vou fazer isto, mas tentarei. Neste exato momento estou a olhar para seus olhos tristes e cansados, ela esta sentada no ultima arquibancada da quadra com os pés suspensos balançando, estou ao seu lado, ela olha diretamente para o campo de futebol a nossa frente, o gramado esta verde e muito bonito, o sol esta forte, mas o clima esta bom, esta ventando muito hoje, percebo que ela se encolhe ao sentir o vento em sua pele tão frágil, ela cruza os braços procurando se aquecer, se ela pudesse me sentir ou me ver talvez seria mais fácil, ela continua olhando serio, seus lábios formam uma linha reta, seu rosto expressa angustia e raiva. Olho para Vitória que aos olhos deles se tornou uma princesa, mas para min a cada dia ela esta se transformando em um monstro. Lembro-me de quando ela tinha uma vida normal no mundo real, mas ela não abe que esta morrendo, ela não sabe que estamos presos ao purgatório, ela questiona dizendo que é tudo real, ela se relaciona com as pessoas ali como se elas de fato existisse, mas não, ela não existe tudo isto é apenas um sonho e preciso a fazer acordar, mesmo que não possa me ver ou ouvir, terá que fazer sacrifícios para salva-la, no mundo real terá que desobedecer às ordens de Deus está disposto a tudo, sei das consequências, mas não temo, não tenho medo e não vou parar ate ela me ouvir.

No meio da floresta Vitória estava aflita demais com a descoberta do câncer, ela estava muito perdida e confusa, sem rumo, ela estava com aquele vestido preto e aquelas botas andando de um lado para outro entre as arvores, e eu estava me perguntando o que faria a partir dali, mas algo ruim aconteceu, Vitória estava muito angustiada, ela se deixou vencer pela dor e pelas emoções, ela chorava intensamente e sua respiração estava ficando pesada, ela não parava de chorar e soluçar, um sentimento de incapacidade tomou conta de min, eu não podia cuidar dela e a livrar daquilo, ela não podia se sustentar, suas pernas estavam fracas, ela cai ao chão e passam por uma convulsão, suas mãos está apoiada em sua barriga, ela não podem respirar, seus olhos estão cheios de lagrimas e bem abertos como se ela não quisesse os fechar, ela tosse tentando recuperar o folego, mas não consegue, ela esta morrendo ali na minha frente e não posso impedir, eu oro e peco a deus que não, agora não, mas ele parece não atender minhas preces, Vitória continua a morrer deitada naquele chão frio, me ajoelho e lembro que não posso toca-la por que ela não me sente e não me ver, ela continua puxando o ar, ela tenta respirar, mas não consegue, seus olhos estão pesando e fechando lentamente, não ha nada que eu possa fazer, eu a toco em sua mão e peco mais uma vez que isto não acabe não é hora ainda, não posso deixa-la ire seguro firme sua mão e sinto, toco em seu coração e ouço, ela não esta morta, não ainda. Seguro sua mão firme, minhas asas estão aberta, tento a proteger do vento frio, minha visão esta ficando escura, algo esta acontecendo, minhas asas estão caindo, as vejo voarem no vento forte, elas continuam a cair levemente pelo chão, levanto-me assustado e vejo-as caírem, olho para o céu e compreendo tudo, mas não vou desistir não vou deixa-la morrer. Minhas mãos estão mais visíveis aos meus olhos, estou virando um humano, toco novamente em Vitória e a sinto ainda mais, pego-a em meus braços e carrego, ela não é pesada, não sinto nenhuma dificuldade, ando depressa procurando a saída daquela floresta imensa, ha nuvens carregadas no céu, não tenho muito tempo.


Deitada sobre a cama do hospital, ninguém pode me ver, posso ver eles, mas eles não podem fazer o esmoeu a observo, sua respiração esta normalizada por conta dos aparelhos, o que farei? Sei que quando alguém esta prestes a falecer sua alma vai diretamente para o purgatório, mas não poso ver isto, não posso ver almas, mas posso me concentrar e ver o que o cérebro de Vitória transmite, posso ver tudo o que ela ver. Alguém bate levemente na porta e entra, é ele Jack, caminha a ate e segura firme sua mão. Preciso entrar na cabeça de Vitoria e descobrir onde ela esta e como esta. Seguro sua outra mão firme e fecho os olhos, me concentro.


Um espelho vê meu reflexo e o dela pelo espelho, ela esta diferente mais bonita eu diria, mas algo esta errado, sua pele esta mais pálida, seus olhos parecem maiores, seus lábios estão mais corados e ha algo diferente em seus dentes, estão afiados e grandes, ela é um vampiro, este é o purgatório dela, ela se vê assim, um monstro.

Alguém bate na porta é ele Jack, tudo esta tão normal, seu purgatório não transmite medo e horror como vi em muitos outros, aqui todas as pessoas ligadas a ela estão presentes, vejo seus amigos e familiares. Não posso esquecer que é tudo sonho, vejo Vitória fazer absurdos, matar pessoas inocentes, ela esta furiosa, vejo que ha algo a mais nela e descubro logo o que é, é ele, Jack.


Quando Vitoria fica presa no hospital com Aly é quando posso ver realmente o que ela tem se tornado, sempre que posso me esforço para entrar em sua mente e ver o que se passa, vejo ela presa por uma estaca na parede, um cara alto e forte chamado David machuca Dodge, percebo que Vitória esta bastante preocupada com este apesar de tudo o que fez errado, ela esta com medo do que David é capaz, eu preciso tira-la dali, mas não sei como. Outros vampiros aparecem, eles vestem roupas pretas e caminha em sincronia carregando Vitoria desacordada nos braços. Está indo para a floresta, me lembro de como tudo começou, eles a prende na arvore com verbena, estou totalmente incapaz, não posso ajuda-la.

Estava certo sobre Dodge, ha algo em Vitória que chama atenção dele, e isto são bom, assim eles se entendem e param de lutar machucando um ao outro, esta claro que os dois não se amam mas se entendem, vejo eles se beijarem por diversão, a rebeldia de Vitória a cada dia fica pior. Eles ficam a conversar sobre um castelo que dar poder a vampiros, mal eles sabem que existem coisas maiores e mais poderosas. Alguns dias se passam e fazer contato com Vitoria esta ficando mais difícil, a vê em uma festa com David, ela esta diferente, entrega bebidas a uma grande quantidade de pessoas, por que ela esta fazendo aquilo? Pergunto-me. Mais tarde quando facho contato novamente com Vitória vê que as coisas estão piorando, ela esta sofrendo, esta em um campo de treinamento se torturando junto com outros, ela precisa saber que isto não é real, isto não existe. Estou desesperado sem saber o que fazer. Com uma estaca em mãos ela corta seus cabelos na altura do pescoço, tudo esta ficando mais difícil preciso tira-la daqui, preciso que ela acorde.

Volto a olhar para os olhos negros de Vitória que esta encarando o campo de futebol, eu posso me comunicar com ela se algum humano me aceitar em seu corpo, posso tentar fazer com que ela acredite que é tudo um sonho e que vai passar e ficar bem posso salva-la. Ela tem que tirar esta ideia maluca da cabeça de ser princesa, ela não precisa se preocupar com o que Jack esta passando, é tudo mentira, nada daquilo existe, ela precisa saber disto.

 


 

 

 

13 | ISA

Isabella: Significa “casta”, “pura”, “Deus é juramento” ou “consagrada a Deus”.


Narrador: Isa

Há dias percebo que Vitória está diferente, desde que ela voltou do hospital, sei que está escondendo algo. Depois que o tal do David entrou em nossas vidas tudo ficou mais complicado, posso ver que ele é mau e seu envolvimento com Vitória é apenas uma farsa em troca de algo maior e prioritário afinal ele está do mesmo lado de Jeane, não consigo imaginar o que prende Vitória a isto mesmo que sua mãe esteja envolvida eu prefiro acreditar que há outro motivo e preciso descobrir não posso deixá-la ir para o outro lado onde é perigoso.

No dia da festa Vitória some misteriosamente sem dar nehuma satisfação, eu e Marlon ficamos preocupados, nos a consideramos como filha, quando percebemos que Vitória não havia chegado ainda demanha fomos diretamente para a casa noturna. Havia um guarda parado lá e não nos deixou entrar.

“Como assim não podemos entrar? ”

“Está havendo manutenção ouve um acidente ontem a noite e a perícia está investigando, não podem entrar é perigoso. ”

Diz o homem alto negro e forte.

“Olhe ha uma garota que conhecemos que esta perdida desde ontem a noite, ela frequentou aqui e precisamos acha-la. ”

Diz Marlon furioso.

“Olhe senhor que queria poder ajudar mas infelizmente estou a cumprir regras. ”

Diz ele sério. Logo percebo que ha algo errado ali.

“Marlon venha. Acho que sei onde ela está. ”

Chamo mentindo.

“Que acidente pode ter sido? ”

Pergunta Marlon. Estamos nos afastando.

“Hipnotizado. ”

Ele para de caminhar imediatamente.

“Não posso controlar, estamos fracos lembra? ”

“Pode se transformar em uma criança?”

Pergunta ele. Concordo com a cabeça. Preciso me transformar escondido, ando em direção a uma arvore e me escondo, Marlon fica de guarda para que ninguém se aproxima, me encolho, sou agora uma garotinha linda branca como a neve, meus olhos e cabelos são negros e uso um laço vermelho na cabeça. Volto ate Marlon e caminhamos de volta para a casa. Ele se aproxima do segurança e eu entro sem que este perceba. Vejo corpos estirados ao chão, me assusto e puxo o ar de dentro da boca com a surpresa. Estariam mortos? O que teria acontecido? Procuro por Vitória passando entre as pessoas que parecem estar mortas, não a encontro, crio coragem me abaixo e toco em um deles, logo vejo que está morto, estão todos mortos mas Vitória não está ali, fico aliviada e saio para fora, caminho até a árvore e Marlon logo se despede do segurança.

“Transformados eu penso. Vitória não está la”

Digo.

“O tráfico, compreendo. ”

Diz ele. Nos sabemos do tráfico da cidade, drogas que matam pessoas e depois as transformam em vampiros mas ainda me pergunto onde estará Vitória, será que ela faz parte disso?


Alguns, muitos dias se passam e ela ainda está desaparecida. Vou até a escola com o coração apertado, estou preocupada, vejo finalmente Vitória, meu coração dispara e pula de alegria. Corro até ela que logo me ignora por causa do David, sei que está fazendo isto por estar na frente dele então a chamo para conversarmos a sós. Faço algumas perguntas que não são respondidas, eu sei que está acontecendo, sei que ela quer me contar toda a verdade mas está com medo, eu entendo e prefiro respeitar. Vejo que esta mais diferente, está mais forte e seus cabelos estão curtos, estou preocupada, o que teria acontecido durante este tempo? Vejo marcas nos braços de Vitória, parece queimaduras, ela aparentava estar muito machucada como se houvesse sido torturada, mas ela apenas ignora tudo como se valesse a pena, como se mais tarde viesse algo valioso em troca. Ouço a dizer para David que vai ser princesa. Princesa? Então é esta a recompensa por tudo isto? Ser uma princesa não é o mais importante para Vitória, talvez ela esteja mentindo, mas por que ela diria isto? Existe esta possibilidade? Me preocupo ainda mais, estou mais confusa, não posso me envolver tanto, tenho que deixar ela vim até min e dizer tudo mesmo que demore ou até mesmo que não venha.


Estou deitada em minha cama, ao meu lado Marlon dorme tranquilo. Ouço um barulho na janela, vejo pedras sendo lançadas, abro e uma me atinge.

“Ai. ”

Digo pondo a mão no olho.

“Desculpe”

Diz a princesa de vestido Preto.

“Vitória, quer entrar? ”

“Sim”

Ela responde. Desço as escadas e abro a porta.

“Espere você sempre pode entrar”

Digo confusa.

“Talvez esteja enganada. ”

Ela se transforma em Jeane. Me assusto, estou desesperada, meu coração acelera, dou pequenos passos para trás.

“Obrigado por me deixar entrar. ”

“Não repare na bagunça. ”

Digo virando criança.

“Muito engraca”

Marlon enfia uma estaca de madeira nas suas costas, ela nao sente nada, a dor não a atinge. Ela puxa a estaca por frente mesmo, fico surpresa com tanta força.

“Então Vitória não os comunicou que controlo um exercício de vampiros? ”

Pergunta ela sarcástica. Ela entra em minha casa dando passos leve, sempre está casual com calças coladas e sobretudo elegantes acompanhado com bota de salto alto.

“Vim em comunicado de paz. ”

Ela larga a estaca suja de sangue no chão.

Me afasto dando um suspiro com medo. Estou como criança não posso virar adulta, ela me deixa nervosa e incontrolável.

“Vim fazer um convite a vocês. A princesa já faz parte então nada mais justo. Estou cuidando de todos eles muito bem, é claro que tivemos que fazê uma certa divisão mas no mundo temos os forte e temos os fracos, vocês estão na média, serão herdeiros, viverão em segurança, seremos uma familia, seremos um Castelo. ”

“Não! ”

Grito.

“Está bem. Desculpe o incômodo e tenham uma boa noite. ”

Ela se vira e se retira.

“Qual foi o motivo? ”

Ela para de caminhar.

“Para Vitória aceitar a proposta. ”

“Jack”

Responde ela se virando, ela passa por Marlon e cochicha.

“Boa mira. ”

Meus olhos estão cheios de lágrimas. Estou perdida e confusa. Consigo me tornar adulta novamente.

“Eu a convidei. ”

Cochicho.

“Convidei. Convidei ”

Continuo a falar, Marlon se aproxima e me abraça forte. Fecho meus olhos e deixo as lágrimas caírem.


Muitas crianças não podem lidar com seus padastros e madrastas, eu as compreendo, ela me machucou, ela me torturou naquele Castelo e mandou um caçador atrás de min, ela matou meu pai cruelmente sem dor nem piedade, ela é má e só quer o poder, ela me odeia e sente inveja da minha beleza, não posso confiar, preciso tirar Vitória disso, ela está sendo enganada e manipulada, não sei o que fazer e como lutar, ela é mais velha e mais forte do que eu, sozinha eu não posso, mas não estou sozinha, sei onde ha mais, não sei quão vai ser meu primeiro passo mas meu novo objetivo é destruir o Castelo de vidro.


 

 

 

 

 

14 | INSTÁVEL

| “Do que ela tanto tem medo?|

 

O sol está mais belo hoje, posso apreciar ao lado de fora do campo de treinamento, estou indo em direção à escola sem propósito afinal não posso dizer nada a Isa, e Jack está sendo muito bem cuidado. Caminho pulando algumas poças de água que encontro no meio do caminho, Estou vestida com uma calca preta apertada e rasgada aos joelhos, são as minhas preferidas, visto pó cima uma blusa moletom bem grande masculina, ela tampa todo o frio e o vento, estou muito bem aquecida, nos pés uso botas e na cabeça um gorro Preto. O vento bate frio em meu rosto, mas o sol está forte, tenho vontade de tirar aquele anel do dedo e sentir o sol como uma pessoa normal, não ter que usar esta blusa grande, não ter que carregar este peso no dedo, não ter que ser vampiro, talvez se eu não tivesse sido transformada tudo estaria melhor agora, eu e mamãe estaria em casa como pessoas comuns, aquela rotina chata de adolescente de acordar cedo e ir à escola, em compensação a mãe de Jack estaria vivo e todas aquelas pessoas que machuquei e matei estariam em outras posições, não haveria maldição, eu não o amaria e não levaria isto como objetivo de vida, não teria conhecido Isa e Marlon, Jack e Tânia estariam em uma relação mais seria nossa casa estaria em pé, papai estaria vivendo sua rotina de sair com os amigos para beber e jogar conversa fora, eu não teria medo da lua cheia, não me transformaria em um monstro durante a primeira noite, eu não enxergaria com clareza nem ouvir, não poderia correr a longa distância em tão pouco tempo, não pular de galhos altos de árvores, não teria medo ou obsessão por sangue, não seria difícil como esta sendo, ficaria tudo bem. Estou na porta da escola, com meus pensamentos fluindo nem vi que andei rápido, mas afinal o que estou fazendo aqui?

Entro na escola e olhares estão direcionados a min. Passo ignorando todo mundo, nem sei para onde estou indo, mas só ando. Estou na quadra sem saber o que fazer, vai até atrás da arquibancada onde posso ver o campo alto, não posso ver a cor do gramado ou se há alguém ali, pois o Morro é alto, preciso subir a arquibancada para avistar. Volto refazendo o caminha e vejo Jack e Tânia se aproximar, para de caminhar ligeiro e me escondo voltando para arquibancada, não quero que me vejam aqui, fico encolhida e escondida atrás da arquibancada enquanto eles caminham de mãos dadas até a quadra, Jack olha para minha direção e torno a esconder.

“Outra festa hoje, parece divertido. ”

Diz ele. Percebo que não me viu. Ouço a conversa me concentrando, se eu não fosse vampiro não ouviria com clareza.

“É vai ser top, vamos beber e dançar muito. ”

Diz agora Tânia. Jack não pode beber, não quero que ele faça isto, na última vez eu o impedi e desta vez estarei nesta tal festa novamente com o mesmo objetivo. Espere! Não posso ficar seguindo ele e protegendo-o, preciso ser forte, não vou deixar esta maldição tomar conta das minhas atitudes.

“Espero que você não venha com papo de cansaço como na última vez. A propósito achei bem estranho, geralmente você fica até o sol nascer, o que houve?”

“Ah eu, eu não sei, estava uma bagunça. Foi até bom ter irmos para casa, meu pai disse que naquela noite houve transformações. ”

Diz Tânia. Fico surpresa, ela sabe dos vampiros, sabe da transformação. Isto está fora de controle.

“Sei que seu pai está trabalhando nisso, mas pode, por favor, não se envolver, é muito perigoso. ”

Diz Jack preocupado.

“Está bem meu amor. ”

Diz ela. Eles param de falar. Olho curioso está a se beijar. Uma raiva me consome, meu coração acelera. Encosto-me A e na parede da arquibancada, fecho os olhos e deixo minhas lágrimas escorrer, volto a olhar, eles estão se beijando intensamente, um toma conta do outro, estão, eles se completam, se abraçam, volto a me esconder. Abaixo a cabeça, limpo as lágrimas, preciso ignorar tudo isto e ser forte, não posso deixar a maldição tomar conta de min, preciso me superar, respiro fundo, me transformo em um lobo, pulo ligeiro para arquibancada e em seguida para o teto. Eles me viram Tânia solta um grito corre no teto.

“Você viu aquilo? Era um cachorro? ”

Pergunta Tânia preocupada.

“Não era nada não.”

“Era um lobo, eu vi com meus próprios olhos. Ele está aqui, preciso ligar para meu pai.”

“Não Tânia esta tudo bem, veja não era nada você está com medo. ”

Insiste Jack, entro em uma sala vazia qualquer pela janela para que não me vejam. Transformo-me em humano novamente. Estou aflita demais para se preocupar com o que Tânia estar a pensar. Estou com muita raiva, meus olhos se enchem de lágrimas e tudo o que quero e destruir tudo e ser eu mesma, não quero que isto me controle, quer minha vida de volta, empurro uma cadeira ali, depois uma mesa, me sinto mais aliviada, jogo outras duas cadeiras ao chão empurrando com minhas mãos pesadas, jogo mais uma mesa, estou descontrolada, empurro mais cadeiras e mais mesas ignorando o barulho e o valor destas, pego uma cadeira nas mãos e jogo na parede, estou mais forte, meus músculos esquentam e tudo o que quer fazer é continuar, chuto outra mesa e outra cadeira, minha cabeça lateja com toda a adrenalina, jogo mais cadeiras e mesas ao chão, ouço gritos, é Isa que está preocupada ao lado de fora, ela grita pedindo para parar, ignoro e continuo, ela bate forte na porta, fico mais furiosa e quebro mais cadeiras e mesas dando chutes e socos, não consigo parar, a raiva me consome, estou socando as mesas de madeira, uma delas se racha e corta minha mão espalhando sangue para todo lado, a madeira machuca, mas ignoro, volto a jogar o restante das cadeiras ao chão com força, a porta está quase se abrindo, pulo para fora virando um lobo, pulo diretamente para o teto e corro, corro muito até pegar impulso, corro ainda mais e pulo para fora da escola caindo no campo de futebol como um lobo.

“Um lobo! Eu disse que era um lobo! ”

Diz Tânia desesperada apontando.

“É um lobo ali! ”

Ela grita e Jack tampa sua boca com as mãos, levanto e corro sem direção.


Vou até a floresta correndo como lobo sente algo me seguir, algo ágil como eu, vampiro, ouço barulho nos galhos e sei que é vampiro, ele pula ligeiro pelos galhos da árvore, estou no chão correndo o mais rápido possível, ouço um barulho, ele pulou no chão, sinto se aproximar desvio entre a árvore procurando lugares difíceis e estreitos, ele corre atrás de min, eu me viro para não correr em linha reta, ele surge ligeiro em minha frente e me empurra ao chão segurando meus braços, me transformo em humano, ele está por cima de min, é Dodge.

“O que? ”

Cochicho sem fôlego.

“Shi. Vem comigo tenho que te mostrar isto ”

Ele levanta e me estende a mão. Seguro e me levanto.


Como crianças, estamos escondidos em cima de uma arvore entre os galhos, estamos em frente ao campo de treinamento onde hás varias carreta parada, cerca de 50 a 100, sente o cheiro de sangue pairar no ar, sinto fome.

“Humanos matando humanos.”

Diz Dodge.

“Estão sendo controlados. Mas para que tudo isto?”

Pergunto.

“Pelo visto Jeane quer alimentar alguém, o castelo esta praticamente pronto, ela esta se preparando.”

“Do que ela tanto tem medo?”

Pergunto.

“Criaturas mais fortes que bruxas originais, não facho nenhuma ideia, mas palpito por Demônios.”

“Demônios?”

Pergunto surpresa, é uma ideia absurda, é como acreditar em vampiros.

“Por que não? Existem vampiros, lobos e bruxas.”

“Talvez as fadas e os anjos também estejam entre-nos.”

Digo com ironia.

“Índios?”

“Índios!”

Balanço a cabeça confirmando. As carretas entram no campo.


Pulo da arvore e logo Dodge faz o mesmo, ele me empurra bruto em outra arvore e me encosta me dando um beijo intenso, retribuo sem receio. Alguém limpa a garganta e tosse, paramos imediatamente, vejo David bravo de braço cruzado em minha frente.

“Na próxima eu arranco sua cabeça!”

Ameaça ele.

“Você ainda não é um príncipe.”

Cospe Dodge. Furioso David parte para cima, mas eu impeço segurando em seus braços.

“Vejo-te na festa princesa.”

Diz Dodge saindo sem medo, David tenta partir demovo, mas eu o seguro.

“Por que não posso mata-lo?”

Pergunta ele furioso.

“Pare de bancar o babaca ciumento, se algo acontecer com Dodge o rei nos mata, se esqueceu de que ele é importante!”

Digo furiosa.

“Não.”

Diz ele balançando o dedo indicador.

“Você gosta dele.”

Completa rindo.

“Não seja ridículo, estou amaldiçoada esqueceu?”

“Você vai à festa?”

Pergunta ele.

“Sim.”

Respondo sem medo cruzando os braços.

“Também irei, vou treinar, te encontro lá.”

“Herdeiros tem permissão para sair e fazer suas próprias refeições.”

Digo e ele para de andar.

“Sim.”

“Por que tantas pessoas mortas dentro do campo de treinamento?”

“O que?”

“Esta desinformada. Deveria prestar mais atenção Príncipe.”

Digo com ironia. Ele com raiva me empurram em uma arvore como Dodge fez.

“Jeane esta se preparando para o castelo.”

Diz ele bem próximo a min, posso sentir e compartilhar sua respiração que flui com a minha.

“Pergunto-me por que tanta preparação e treinamento, de que ela tem tanto medo?”

Pergunto levantando a sombra celha, ele se afasta.

“Deveria estar treinando e manter seu foco e não se descontrolando por aquele garoto.”

“Sinto cheiro de ciúmes.”

“Hoje vai ser divertido!”

Diz ele correndo, não compreendo e fico preocupada, sei que David ira fazer algo hoje à noite, sei que ele sabe do medo de Jeane e de muitas outras informações confidenciais, mas nem eu e nem Dodge podemos lutar contra ele que é mais velho e mais forte.

 


 

 

 

 

 

15 | CURTIÇÃO

| “Bem já peguei tudo o que tinha que pegar então, sim eu vou sumir. “|

 

De um lado para o outro, caminho passando a mão nos meus cabelos curtos, ainda não estou vestida para a festa. Prometi a min mesma não ir para não incomodar Jack, mas não vejo outras escolhas, David vai estar lá para aprontar algo, preciso saber, preciso garantir a segurança dele. Ando pelo campo de treinamento e vou até o quarto onde está meu vestido. Visto junto com as botas e saio, vou até a casa de Isa me preparar melhor.

“Você aqui.”

“Sim, deixei algumas coisinhas minhas para trás”.

“Algo como? ”

Pergunta ela desconfiada. Levanto a sobrancelha sem entender.

“Uma meia 7/8 listrada em Pretas e Brancas, novas calçadas.”

“Vai à festa?”

“Não, Vou ao parque de diversão. ”

Digo irônica.

“Apenas quis saber se é você mesma. ”

Diz ela.

“Jeane esteve aqui?”

“Com uma proposta ridícula. ”

Compreendo, ela estava me testando.

“É uma boa proposta. ”

Entro passando por ela. Marlon também me olha desconfiado e fica calado. Subo as escadas e procuro minha mochila. Tiro de lá a meia e outra bota, me perfumo e penteia meus cabelos, ignoro a maquiagem. Olho-me no espelho e me sinto bem, Me sinto bonita. Cato a bolsa. Saio descendo as escadas.

“Não vai sumir como na última vez? ”

Pergunta Marlon irônico, ele está super. Calmo no sofá com roupões lendo um jornal, suas pernas estão cruzadas, nos seus pés ha uma pantufa, ele está muito bem confortável.

“Bem já peguei tudo o que tinha que pegar então, sim eu vai sumir. ”

Digo sem medo, saio deixando-os a sós. Ando sozinha até a casa noturna, há muitas pessoas ali, estou com fome então sei que vai ser divertido. Entro e logo vejo Pedro que acena para min.

“Pra você é de graça. ”

Diz ele me entregando uma garrafa.

“Onde ele está? ”

Pergunto me referindo a David, sei que ele fez isto.

“Ao lado de fora se divertindo. ”

Responde Pedro. Logo compreendo, Davi está se alimentando. Vejo Dodge um pouco mais a frente junto com Gabriela vejo cochichar a ela.

“Vai se embebedar lá fora. ”

Coitada foi hipnotizada, ela obedece.

Pedro também foi hipnotizado com o objetivo de me fazer ir até David, mas ignoro. Caminho lentamente até Dodge, ele se ajoelha e pega minha mão direita me dando um beijo. Ainda carrego a mochila nas costas.

“Boa noite princesa. Estava te esperando. Me de isto. ”

Ele pega a mochila e entrega nas mãos de Pedro.

“Cuide bem disso. ”

Ordena Dodge. Ele me puxa para a multidão, ficamos a dançar e pular, ainda seguro a garrafa, vira dando um gole. Ele me puxa para mais perto e nos beijamos, alguém nos interrompe, é a garota mimada loira de olhos azuis.

“Posso me divertir com você? ”

Pergunta ela delicada.

“Não! Estou ocupado com ela. Eu ja nao pedi para você vazar? ”

Diz Dodge Bravo.

“Já entendi. Vou lá fora”

Digo entregando a garrafa a Dodge. Ele dá um gole.

“Pegue o garoto das bebidas. ”

Ouço Dodge dizer a ela. Fico a rir com a situação. Caminho para fora, avisto Jack bebendo com Tânia, eles trocam beijos intensos. Paro de imediato, fico preocupada com a bebida, preciso tira-lo daqui sem que perceba.

“Tânia sua irmã está com algum problema. ”

Digo-te tanto torná-la de perto dele.

“É um bom pretexto Vitória. ”

Diz Jack, ele já sabe.

“Olhe para ela. ”

Digo, eles olham, Gabriela esta beijando Pedro e todos começam a gritar. Olho para Dodge e balanço a cabeça sorrindo de lado disfarçando.

“Você e Dodge estão bem amigos, estão até a combinar o jogo de hipnose.”

“Tânia leve ele para casa, você está muito cansada”

Digo firme.

“Não vai funcionar Vitória. Lembre-se de quando você foi embora para a casa de sua mãe. ”

Diz ele apontando para o pescoço de Tânia.

“Verbena. ”

Digo.

“O que? ”

Pergunta Tânia.

“Shi. ”

Diz Jack pondo o dedo na boca.

“Leve ela para casa se não quer que eu conte. ”

Peço.

“Vamos estou excitado! ”

Chama Jack puxando ela pela mão. Fico furiosa. Fico a escutar para ver se estão indo para casa mesmo. Estão longe, posso fazer minha festa. Estou furiosa, jogo um homem no chão, em seguida às mesas e as cadeiras que estão ali. Uma grande confusão começa ali, jogo mais uma pessoa no chão como se fosse uma cadeira ou mesa quaisquer todos começam a correr para fora gritando. Vejo David se aproximar.

“A festa é lá fora. ”

Diz ele.

“Aqui dentro é mais divertido, tem bebidas. ”

Digo, vou até o bar e cato as melhores e David carrega os corpos que joguei ao chão. Caminhamos pelas portas do fundo, ha dois seguranças ali, David os ataca mordendo seus pescoços, ouço barulho de sirenes, são policiais.

“Não temos muito tempo. ”

Diz ele. Balanço a cabeça e me alimento, misturo sangue com álcool, me sinto bem e feliz. Sou Vitória a princesa de vestido preto e ninguém pode tirar esta identidade de min.


Corremos para a floresta, eu e David, esta noite está frio, o vento bate forte em nossos rostos, corremos até o campo de treinamento. Ele para de correr e eu faço o mesmo.

“Vamos! ”

Diz ele olhando para o campo, hora de treinar.

“Vamos! ”

Confirmo voltando a correr.


Terminamos o treinamento, novos herdeiros estão a entrar com suas novas roupas no campo, reconheço um deles, Kelly.

“Olá princesa. ”

Ela se ajoelha e levanta.

“Sinto muito por seus amigos. ”

Digo inquieta.

“Não sinta. No mundo temos os fracos e temos os fortes, nos sobrevivemos, eles são que fracos não merecem esta honra. Venho lhe passar uma informação de Jeane. O Castelo esta quase pronto terá que dobrar seu treinamento para se adaptar. ”

Diz ela. Balanço a cabeça confirmando. Ela sai e então volto a treinar sozinha mesmo. Pego estacas de madeira e enfio diversas vezes seguidas em meus braços e próximas a meu coração, vou até a banheira de verbena e me jogo me segurando por mais tempo, treino minha mira, minha capacidade de velocidade, corro pela floresta, treino minha capacidade de controlar a água apagando o fogo de um lugar específico para este tipo de treinamento, bebo garrafas de verbena e água misturadas, estou lidando melhor com isto, treino meus socos e chutes, estou a lutar com outros vampiros, herdeiros, treino meus músculos, meu corpo e minha mente. Estou me preparando para o Castelo de vidro.

 

 

16 | PARTIDA

| “Podemos continuar princesa? “|

 

Gritos e mais gritos, acordo com isto, passei a noite treinando e capotei no chão mesmo, o que estará acontecendo agora? Levanto desnorteado ainda com sono, me estico, ponho as mãos até os pés com as pernas retas para me alongar, dormi no chão, meu corpo está dolorido, logo a dor passa. Procuro pelos gritos, está vindo do campo principal onde Jeane me fez a proposta, parece mais um campo de futebol, vou até lá e vejo uma multidão de iniciantes em cima das arquibancadas, vai acontecer um jogo, mas que jogo é este? Um telão é ligado no alto, estou distante, como sou um vampiro não é necessário olhar para lá, caminho tentando entender o que esta havendo, vejo Kelly e Ugo se cumprimentarem, estão vestido de herdeiros, estão descalços.

“Lutem! ”

Vejo David gritar. Ugo sai na frente e joga Kelly com toda força ao chão, meu coração dispara, estou confusa, não sei o que fazer, o que esta havendo ali? Me aproximo furiosa. Todos estão a gritar. Kelly se levanta e dar socos em Ugo, ele repete, mas ela se defende, Ugo apela para um chute na barriga de Kelly, ela cai como uma frágil árvore ao chão, mais gritos e aplausos, fico mais furiosa e caminho mais rápido. Kelly torna a se levantar, ela repete o golpe de Ugo tentando um chute também em sua barriga, mas ele defende segurando o pé dela.

“Parem! ”

Grito. Todos ficam calados imediatamente. Ugo continua segurando o pé da garota paralisado como estátua

“O que esta fazendo? ”

Pergunta David.

“Eles não podem lutar. ”

Digo firme.

“Não só podem como devem. Hoje inicia a Batalha dos melhores que logos serão numerados. ”

Explica David.

“O que? ”

Pergunto me virando para ele.

“Digo que a numeração inicia hoje, o melhor será chamado de número 01. ”

Explica David. Então é assim, eles não podem ter seus próprios nomes, não são nada mais que números.

“Podemos continuar princesa? ”

Pergunta David. Olho para Kelly preocupada.

“Quando acaba? ”

Pergunto.

“Quando alguém morrer. Lutem! ”

Grita David.

Desta vez Kelly é mais ágil, ela mete seus braços Unidos nos peitos de Ugo com toda sua força, ele cai ao chão, mas logo se levanta se recompondo, ele dá outro chute na cintura de Kelly, ela não cai e repete o golpe, Ugo é atingido, de novo Kelly esta na frente e todos estar a gritar, ela mete socos no rosto dele, mais e mais socos mais rápidos, ela está furiosa, ela não para de dar socos nele, ele cai ao chão e Kelly sobe em cima dando mais socos em seu rosto, Ugo apaga, ela se levanta e todos gritam. Ela se afasta do corpo como se estivesse se afastando de um lixo. Vejo que Ugo não reage, ele teria morrido? David faz um movimento com a mão pondo em seu pescoço transmitindo a mensagem tire ele daqui, alguns iniciantes saem do campo e puxam o corpo de Ugo. Logo David vai até Kelly e segura sua mão levantando-a para cima.

“Ela se chama número 01! ”

Grita ele é todos aplaudem, gritam e levantam satisfeitos. Não posso acreditar que Kelly esta mais forte e mais apta que Ugo, ele foi nosso treinador, ele é mais velho e parecia mais forte, como é possível? E se aquela não for Kelly, e se for apenas Jeane disfarçada.

“Esperem! ”

Grito e todos cessam calando e sentando aos assentos.

“Está não é Kelly! ”

Digo apontando o dedo. Todos gritam discordando, alguns poucos ficam confusos e parecem acreditar em min.

“Muito bem Vitória, até que você não demorou. ”

Ela se transforma em Jeane, eu estava certa. Todos ficam a cochichar e se perguntar o que esta havendo.

“Foi bem realista, parabéns pelo seu teatrinho. ”

Digo aplaudindo.

“Irônica você não?”

“Por que fez isto?”

“Quero que todos saibam que não seremos numerados, somos todos iguais, está luta foi uma lição para que vocês saibam que não podem lutar comigo. ”

Grita ela. Eu não tenho medo e tenho vontade de lutar com ela, mas não posso, por Jack preciso me manter calma.

“Reverência para rainha! ”

Grita David, todos se ajoelham exceto eu. Jeane fica calada com uma expressão de raiva olhando para min

“Princesa. ”

Diz ela se aproximando. Fico com raiva, meus olhos transmite isto, ignoro e ajoelho também.

“O treinamento esta aberto tenham um bom dia. ”

Grita ela se retirando. Levanto-me olhando para ela, o que devo fazer?


Todos se dispersam no campo de treinamento, eles passam próximos a min procurando por suas atividades, estou inquieta com o ocorrido, preciso de um ar, preciso sair daqui. Ando procurando pela saída. Entro na escola sufocada com o que acabei de passar, me encosto ao portão me recuperando e todos ficam a olhar, é sempre assim, sempre estão a me encarar como se eu fosse uma aberração, talvez seja. Desencosto do portão e ando, já sei para onde irei. Isa esta vindo em minha direção.

“Você esta bem?”

Pergunta ela, fico calada e saio ignorando-a.

Vou ate a quadra onde não ha ninguém para me incomodar, ninguém exceto Dodge.

“Olá, seu príncipe pegou pesado.”

Diz ele, esta mais elegante naquele dia, usa calcas pretas e botas, uma regata branca deixando seus músculos a mostra, seu cabelo esta penteado para cima.

“O que?”

Pergunto desatenta, estava checando a sua beleza.

“Ele esta brincando com Jennifer.”

Diz Dodge, fico alegre pela noticia, me sinto livre.

“Ele não pode, Jennifer é filha de Jeane, ele não sabe disso?”

Pergunto.

“Ele esta fazendo de proposito, com certeza esta furioso com algo.”

“Tipo o que?”

Pergunto ingênua.

“Uma luta talvez. Teremos que lutar pelo posto, lembre-se o melhor.”

Explica, compreendo apenas um dos dois pode ser um príncipe, meu príncipe.

“Vai ser divertido”

Digo entediada, vou ter que procurar outro lugar, quero ficar sozinha.

“Espere, você vai ao jogo hoje?”

Pergunta Dodge.

“Já fui.”

“Como se ainda não aconteceu?”

“O que?”

“O jogo daqui da escola, futebol.”

“Ah sim.”

“De que jogo achou que estava me referindo?”

“Uma luta bizarra que aconteceu hoje de manha no campo de treinamento. Mas que jogo é este?”

Pergunto levantando a sobrancelha.

“Um futebol que acontece todo ano aqui na escola, ganhamos notas por isso.”

“Desnecessário, somos vampiros não precisamos estudar, nem se preocupar com isto, somos mais inteligentes e fortes do que os humanos.”

Digo mostrando falta de entusiasmo.

“É apenas diversão para os humanos, incluindo Jack”.

Conclui Dodge, a palavra Jack me chama atenção, ele vai jogar me animo, ele é tão príncipe e vai jogar, preciso ir a este jogo.

“Tânia, Jeniffer e Gabriela estão organizando uma espécie de torcida, deveria participar.”

Diz ele rindo caçoando de min, dou um soco de leve no seu braço direito.

“Vou assistir.”

Confirmo.

“Só por que ele vai jogar!”

Diz Dodge desapontado.

“Sim Dodge.”

Confirmo firme. Ele se entristece e tenho medo disso, quando Dodge fica desapontado com algo ele costuma fazer coisas erradas e ruins que machuca os outros, mas não posso ficar enganando ele, é Jack que eu amo.

“Vejo-te no jogo”

Diz ele tocando de leve no meu braço, ele sai da quadra e eu finalmente consigo ficar sozinha com meus pensamentos.

 


 

 

 

17 | LANCE

| “Foi pra você princesa.”|

 

Ansiosa caminho pela quadra pensando na partida, será que o time de Jack vai ganhar? Torço para ele, vai ser uma boa noite, exceto ver Tania se sacudir com roupas minúsculas no corpo tirando toda a concentração do jogador principal do time. Ha outras coisas que podem me impedir, por exemplo, minha fome, se estiver muito cheio terei que assistir tudo de longe, aqui mesmo na quadra é possível, subo para arquibancada imaginando hoje à noite. Ouço alguém se aproximar, retira a expressão de alegria do rosto e me viro.

“Entregue para Jack!”

Diz Marlon jogando um par de roupas para min, percebo que é o uniforme do time.

“Por que eu?”

Pergunto, ele fica calado e me ignora saindo assim como fiz com Isa mais cedo. Olho para a roupa de cor vermelha e sinto cheiro do perfume de Jack, aproximo a blusa do meu nariz, suspiro com o momento, ele ira usar hoje à noite, estou muito ansiosa para vê-lo.

Ouço gritos e musica, são vozes de garotas, elas estão vindas para cá, pulo da arquibancada indo para de trás me escondendo como na ultima vez, dou uma olhadinha verificando, é o grupo das garotas Tania, Jeniffer e Gabriela. Vejo também David se aproximar, o que esta fazendo aqui? Deveria estar no campo de treinamento, talvez ele realmente esteja afim da tal da Jeniffer, afinal por que não? Ela é linda, ruiva com os olhos verdes, seus cabelos são bem grandes, ela é baixinha e tem um belo corpo, um rosto angelical. Outro garoto esta se aproximando, é ele, Jack que logo faz meu coração acelerar como se fosse sair pela minha boca a qualquer momento, minha respiração pesa, meus lábios secam.

“Por que não treinam no campo”? ‘

Pergunta ele dócil. Me encosto se escondendo, David esta farejando, ele sabe que estou aqui.

“Querido ensaiar embaixo do sol?”

Pergunta Gabriela com aquela voz enjoada dela.

“Aqui esta bom amor.”

Diz agora Tania, a palavra amor me tira do serio.

“Esta bem princesa vou pro treino.”

Diz ele beijando-a. Fico inquieta, a chamou de princesa, fico atordoada com estas palavras, olho para as roupas de Jack em minhas mãos, tenho uma ideia.


Presa escondida atrás da arquibancada não posso sair, eles podem me ver, tenho que aturar aquelas garotas gritarem aquelas frases ridículas de vamos ganhar, é tortura ouvir isto, David sabe que estou aqui, ele caminha para cima da arquibancada e senta, olha para min que estou em baixo, ele balança a cabeça negativamente e reviram os olhos, seu rosto mostra tedio e desaprovação para os gritos da garota, concordo sorrindo. Sento e fico a esperar. Ouço gritos vindos da minha frente agora, são os garotos que estão treinando para hoje à noite, aqui embaixo não posso ver nada.

“Dar para expulsar elas?”

Cochicho para David.

“Eu ganho um beijo?”

Pergunta ele. Reviro os olhos.

“Sim”

“Perdi a vontade depois de este olhar.”

Ele pega algo dentro do bolso, é um lixa para unhas, fico com a boca aberta surpresa, ele olha para min me dando um sorriso falso me provocando, cruzo os braços e fico a esperar. Uma musica toca e elas ficam a gritar, ouço um barulho estranho, uma delas caiu, pela voz vejo que foi Jeniffer. Olho para David, ele revira os olhos e sai da arquibancada. Dou de ombros, me levanto para verificar o que houve.

“Torci o pé”

Diz Jeniffer sentada ao chão verificando, às garotas estão ao seu redor.

“Vou chamar o motorista.”

Diz Tania com o telefone em mãos.

“Deixe que eu leve ela para casa”

Diz David aproximando, ele a pega no colo e leva, as garotas se dispersam, pois o sinal toca, estou livre penso. Elas saem e eu faco o mesmo, escondo o uniforme em minha mochila e saio da escola. Vou treinar que é mais importante.


Cansada, treinei o dia inteiro, mas ainda estou disposta a ir ao jogo e ver a cara de Jack ao saber que não tem uniforme, ele não irá jogar, pois está tudo aqui comigo, olho para a mochila e sorrio, ando até em frente ao espelho do meu quarto no campo de treinamento, estou suada, meus músculos estão explícitos. Preciso tomar um banho e descansar um pouco, mas isto não é o mais importante. Cato a mochila e vou até o vestuário tomar um bom banho. Vejo Kelly, também está suada, e parece estar mais forte que o normal.

“É você mesma Kelly? O que esteve fazendo hoje de manhã? ”

Pergunto desconfiada.

“Treinando”

Responde ela tirando suas faixas das mãos, faço o mesmo me admirando no espelho. Ela olha para min.

“O que mais estaria fazendo?”

“Lutando com Ugo. ”

Digo, ela solta um sorriso, percebo que é bem bonito, ela é bonita, sua pele é morena e seus cabelos são enrolados.

“Ele é meu treinador, é ridículo. ”

Balanço a cabeça e entro no vestuário. Ligo a água fria, enfio minha cabeça embaixo da ducha. É uma sensação agradável. Saio e vejo Kelly já vestida como herdeiro, mas algo está diferente, ela não está descalço, ela usa uma chuteira preta.

“Jogo? ”

Pergunto.

“É coisa de Jeane, vai entender. ”

Diz ela. Fico preocupada, levanto a sobrancelha mostrando curiosidade. Tenho que ir já está quase na hora. Pego a mochila e saio do campo.


Em frente ao campo há pessoas em todos os cantos, as arquibancadas estão cheias, vejo pessoas vestidas de vermelho torcendo pelo time de Jack e no outro lado vejo pessoas de Preto cujo não sei qual é o time. Os jogadores ainda não entraram no campo, estão no vestuário dentro da escola, vou até lá, mas o portão está trancado, olho para todos os lados checando o local e escalo o portão, pulo e sigo. Vejo-os gritarem e conversarem alto, coisas de homens, atitudes de homens, abro a porta bem devagarinho, eles estão muito dispersos para me notar aqui, vejo Jack, seus cabelos estão molhados, ele usa uma toalha vermelha na cintura, está sem camisa, vejo seus músculos, está lindo, estão tão Príncipe, mordo os lábios desejando-o. Ele abre seu armário e cata sua mochila procurando seu uniforme. Esta na hora, espero pelo momento em que ele não encontra seu uniforme, mas algo não planejado acontece, vejo tirar de lá outro uniforme, ele diz algo para um dos jogadores enquanto veste a parte de baixo, estou sem entender, algo saiu errado no meu plano, ele põe agora a blusa tampando seus músculos, ouço vozes de garotas, é a torcida que esta a se aproximar, é hora de sair dali, vou até a quadra aflita.


Estou na quadra, caminho de um lado para o outro para me aquecer, lembro-me que há uma blusa dentro da bolsa, aquela bem grande preta, abro e vejo a roupa de Jack, toco com todos os cuidados, pego e sinto novamente o cheiro de seu perfume, preciso estar mais próximo dele, tiro minhas roupas ignorando o vento frio, checo o lugar verificando se ha alguém e tiro também a parte debaixo, visto o uniforme completo inclusive a chuteira e as meios grandes, não sei por que estou fazendo esta loucura, mas decido continuar, cato minha blusa de frio e subo a arquibancada para ver se o jogo já se iniciou, até agora não, um vento bate forte bagunçando meus cabelos, está frio, então ponho minha blusa que cobre praticamente todo o uniforme de Jack, seu perfume está mais perto de min, posso sentir. Caminho em cima da arquibancada e fico a esperar o jogo, as garotas do grupo de Tânia entram no campo vestidas de vermelho, elas usam roupas iguais, shorts curtos, regatas, meias até a altura do joelho, nos pés um tênis específico para esporte bem confortável, nas mãos elas seguram pons pons de cor vermelha, elas estão muito bem maquiadas e vestidas, elas gritam no mesmo ritmo um hino que não faço muito questão de escutar. As garotas do outro time entram vestindo preto, elas usam minissaias curtas, meias até a altura do joelho, botas nos pés, blusa gola polo Preta, nas mãos luvas, elas não seguram nadas, apenas entram dando saltos pelos campos fazendo todos ali gritarem, com toda certeza elas estão mais capacitadas a torcer, mas também parecem mais fortes e ágeis que o normal, os passos são totalmente perfeitos, nunca vi nada igual assim, o time de Tânia não desiste e mandam passos complexos, cambalhotas no Alto, garotos que são da torcida as amparam no ar, algumas outras estão a pular e dançar entre cordas, o outro time faz sincronias melhores, elas pulam mais alto, dançam mais, dão cambalhotas e saltos no ar que parece impossível aos meus olhos. O momento está se aproximando, o jogo estar para começar, o time de Jack entram em campo em sincronia, na frente de Jack ha apenas dois garotos, isto mostra que ele é um dos melhores, ele caminha levemente pelo campo sem medo, eu admiro tudo olhando pela quadra, ele este tão bonito, seus cabelos parecem estar mais brilhoso, ele esta tão elegante, está tão Príncipe. Eles param nas suas posições de jogadores, Jack está na frente logo vejo que ele é atacante, estou torcendo por ele, não apenas eu como também Tânia que fica gritar seu nome junto com outras garotas, logo as pessoas que estão na arquibancada também gritam o nome de Jack, me arrepio com o momento, vejo que ele está feliz, todos gritam exceto o outro time. Os jogadores do outro lado começam a entrar cantando uma música.

Esta tudo fora de controle, não são jogadores comuns, não são humanos, vejo ente eles Kelly e Ugo, são os herdeiros, esta totalmente errado, é injusto vampiros contra humanos, vejo Dodge que também está como atacante não acredito que ele está fazendo isto, ele está com ciúmes e furioso, já esperava algo ruim dele, mas não isto, eles continuam a gritar cantando e caminhando pelo campo para suas posições, algo ruim pode acontecer, desço as escadas da arquibancada correndo, saio da escola e vou até o campo, subo o pequeno morro correndo, ouço o juiz apitar, o jogo se inicia, e agora o que vou fazer para impedir? Esta claro que este jogo não vai terminar bem.


Na frente do campo vejo Jack tocar a bola para um de seus amigos, ele estão na frente, mas um dos vampiros rouba o lance, contra ataque, o vampiro passa a bola para outro que logo faz um gol, o time de lá comemora junto com a torcida, agora sei por que elas dançam tão bem. Preciso acabar com isto, mas não sei como. O juiz apita novamente e agora Dodge está com a bola, um humano corre atrás da bola, ele é fraco não é tão bom quanto Dodge que é um vampiro muito bem capacitado e está claro que ele está usando isto a seu favor, me concentro e formo nuvens ao céu, já vi na televisão que jogos são interrompidos por causa de tempestades, posso controlar a água, posso fazer aquilo parar. Um jogador vai ao chão, foi Dodge quem cometeu a falta, o outro está desacordado no campo, um pequeno carro entra e retira o corpo, outro humano é posto no time para substituir. O juiz da uma penalidade a Dodge mostrando um cartão vermelho e diz que precisa de um atacante do time de Jack para bater um pênalti. Estou preocupada, Jack logo se oferece para tentar o gol, ele caminha até o local indicado e põe a bola no chão, não posso mandar chuva agora, preciso vê-lo jogar. Afasta-se da bola e olha bem para o goleiro, ele se concentra, o juiz apita e Jack corre metendo um belo chute na bola que acerta a rede do goleiro é gol, ele fez um gol, fico feliz e sorrio comemorando, Tânia corre até Jack e o beija, ele diz algo a ela que não compreendo muito. Tento ouvir, mas todos estão a gritar e não consigo com tantas vozes ao mesmo tempo. Concentro-me na chuva, apesar do jogo está emocionante prefiro continuar para que tenha certeza que não haverá nenhum acidente. A chuva cai sobre todos, o juiz apita fazendo um sinal de término do jogo, ele aponta para o lado do time Preto dizendo que eles venceram, todos gritam, alguns de raiva e outros de alegria, o time de Jack não ganhou, mas valeu a pena o ver jogar tão bem, todos se dispersam pelo campo saindo para suas casas, os jogadores estão cansados e fazem o mesmo retirando suas camisas, Jack retira a sua e admiro sua beleza de longe, ela se aproxima dando beijos nele.

“Foi pra você princesa.”

“Que pena que esta chovendo eu queria mais um”

Diz ela. Agora compreendo, o gol foi para ela. Tudo é para ela, ela é melhor, ela é uma princesa, eu sou apenas uma psicopata que gosta de matar humanos.

Não há mais ninguém no campo, estou sozinha com minha chuva, Dodge se aproxima.

“Você estragou meu jogo.”

“Tudo por ciúme? ”

Pergunto brava.

“Não, na verdade gosto de ser mal mesmo, diferente de você não deixo que ninguém tire minha identidade. ”

Ele sai, ele tem razão, depois do imprinting me tornei outra pessoa, não sou mais a mesma, não sou mais a psicopata que mata qualquer um que encontra na frente, desde que conheci Jack me tornei isto, evito matar pessoas, fiquei doente, fui para o hospital com Aly atrás de quimioterapia quando na verdade estava muito fácil para min, era só continuar a me alimentar dos humanos, mas Jack me interrompeu, ele me pediu para que parasse e eu obedeci, mas agora ele está com ela e está muito bem, preciso ficar bem também, preciso ser eu mesma e cuidar de min, preciso tirar este sentimento e está maldição de min, está na hora de voltar a ser a princesa de vestido Preto, aquela que matava e torturava, é assim que eu sou e é assim que vou morrer. Saio do campo indo para casa, meu novo lar, minha nova família, vou para o campo de treinamento onde posso ser eu mesma.

 


 

 

 

 

 

18 | DODGE

O significado do nome Dodge não foi encontrado. Este nome está sendo pesquisado por nossa equipe e em breve seu significado será divulgado nesse site


Narrador: Dodge

Há algum tempo me aproximei de Vitória com segundas intenções, apenas para tirar proveito, faço tudo o que meu pai pede, eu honro ele, mas depois que descobri que terei que lutar para conseguir meu papel no Castelo ficamos a ter um relacionamento mais complicado, eu não o obedeço mais como antes, a última satisfação que dei a ele foi à porção cujo foi uma troca justa, meu carro caríssimo, estou feliz com ele, é o que tenho de mais valioso até o momento. Agora que estou no campo de treinamento não faço questão de me aproximar dele e nem do meu tio, eu entreguei a porção, eu traí Vitória para conseguir isto, e agora ele, David tomou minha posse com uma capa em mãos que tem o mesmo valor que a porção, o pior é que não posso lutar contra ele que é mais forte e mais velho, estou em uma enrascada, eu tinha tudo em mãos, mas Emile a mãe de Vitória entrou aqui para estragar tudo o que tenho e conquistei. Luto e treino diariamente para o desafio, muitos dizem que é impossível e perca de tempo, mas não vou desistir, eu vou ser Príncipe.

Minha boa relação com Vitória iniciou quando fiz um pedido a ela, afastar Tânia de Jack, está é minha melhor amiga que considero como irmã. Sei que ele não é cara certo para ela, ele é muito imaturo, não quero que a machuque. A princesa de vestido Preto conseguiu fazer uma boa cena para que Jack se afastasse de Tânia, mas isto fui além, infelizmente eu não devia brincar com isto, agora Vitória o ama verdadeiramente o que estraga muito meus planos, com imprinting ela se torna mais forte e não posso mais controla-la.

Percebo que Gabriela não é pessoa certa para min, se serei Príncipe preciso de uma princesa, não pode ser ela que é apenas um humano frágil e é assim que ela vai continuar sendo, preciso protege – lá disto. Procuro alguém capacitado para tal função e concordo com a escolha de Jeane, Vitória como princesa me parece muito bom e inteligente, ela é forte e capacitada, ela é objetiva e persistente, eu a julguei pela sua aparência bizarra e seu comportamento psicopata, mas ela é igual à min, pensamos igual, matar é algo bom para os vampiros não há como negar, nos concordamos com isto, concordamos com o poder e o fato de ser melhores que os humanos, é ela de quem preciso, estão dispostos a lutar pela minha honra como Príncipe não apenas para meu posto como também para ficar com Vitória, seremos muito bons no Castelo de vidro.

Minha decisão de jogar as chaves do meu carro para Vitória no dia que Jack estava morrendo me esclareceu que preciso de Vitória aqui, se algo acontecesse com Jack isto causaria algo a Vitória também que esta com naquela maldição do imprinting, então resolvi ajudar não por ele e sim por ela. Pouco depois me deparo com a garota na escola. Amedrontado pelo meu pai decido explicar tudo a Vitória. A futura rainha Jeane, se juntou com meu pai e meu tio, se juntou também com Emile e David, nos somos os planejadores de tudo. Quando Jeane tomou a decisão do posto de princesa eu concordei, mas meu pai queria que fosse alguém como Gabriela, alguém aparentemente mais bonita, mas ele não sabe que ela junto com suas irmãs carregam uma doença maligna como a de Vitória que não tem cura nem mesmo virando um vampiro. Prefiro me calar e concordar com Jeane que afinal fez uma boa escolha. Mesmo meu pai não gostando da ideia ele foi obrigado a aceitar, afinal ele não será rei será apenas um próximo e nao rei, os próximos são Thomas e meu pai que serão Reis se algo acontecer com Jonh, a próxima é Emile que será rainha se acontecer algo com Jeane, entre eu e David todos concordam com uma luta justa, mas antes eu peço um tempo para preparar.

Após nossa reunião, Jeane me pede para que eu traga Vitória até o campo, mas não sou eficiente com isto, na escola eu digo tudo o que sei a princesa, mas isto a deixa amedrontada, no outro dia David chega de mãos dadas com Vitória, fico furioso ao vê-los e ao saber que ele conseguiu leva-la até ali. A princesa concorda com todos os princípios impostos por Jeane, mas é claro há algo que ela pede em troca, é justo, mas acho ridículo o pedido, o imprinting realmente é uma maldição que nos torna diferente, nossas identidades são tomadas por isto, é uma maldição.

Todos os dias levanto para o treino, algumas vezes luto com Vitória, Fica mais fácil com ela ao meu lado por que vejo que toda aquela tortura ha um bom propósito.


Hoje terá uma festa, com toda certeza ela estará lá, treino durante o dia, quando chega à noite vou para casa de Gabriela me ajeitar, tiro proveito por que posso hipnotiza-la, chego jogando minhas coisas ao chão, logo ela cata, vejo seu pai e sei que ele está junto com Jeane, meu proposito para continuar vendo a filha dele foi manter segredo para Vitória, ele não pode encostar-se a min sou sobrinho do rei. A garota loira de olhos azuis corre e cata minhas coisas, subo as escadas indo para o quarto de Gabriela onde ha uma banheira e bons produtos sempre estão a me ajeitar, sempre tento ser elegante como David. Tomo meu banho e ponho a toalha na cintura, Gabriela esta a me esperar com minhas roupas em mãos muito bem limpas e passadas, ela está usando um coque, seu cabelo é lindo e muito cheiroso, pego minhas roupas e jogo na sua cama, ela fica em silêncio paralisada como um robô, ela é isto mesmo um robô que faz tudo o que eu quero. Tiro a toalha deixando cair no chão, fico nu na sua frente, ela gosta e morde os lábios corados vermelhos, desfaço o coque dela com minhas mãos e a beijo intensamente, empurro – a na cama, faço um bom proveito dela, tenho vontade de mordê-la, mas sei que não posso, não posso ficar doente como ela. Termino minha diversão e a expulso do quarto, volto a banhar e visto minhas roupas, me arrumo inteiro para a princesa, passo bastante perfume fico bem elegante e cheiroso, coloco calças rasgadas ao joelho, uma camisa branca de mangas longas daquelas que se usa com terno, coloco uma gravata Preta, penteio meu cabelo para cima. Estou pronta para vê-la, estou ansioso por isto.


Aproximo-me da casa de festas e já posso ouvir a voz de Vitória.

“Mais bebidas!”

Diz ela. Preocupo-me, a bebida pode afetar sua capacidade de pensar e agir.

“Vai com calma.”

Diz Pedro, estou quase chegando.

“O garoto me faz um favor, vai dar uns pega na sua irmã.”

Diz ela, chego e vejo Pedro saindo hipnotizado. Cheguei tarde, Vitória já bebeu muito e esta descontrolada olha para todos os cantos procurando por David, não o vejo, olho para as mesas e vejo Tania e Jack aos beijos, que nojento, ela merece alguém bem melhor do que ele.

“Vitória chega, você não pode beber.”

Digo furioso. Eu não queria vê-la assim, era melhor ter ido treinar. Ela vira a garrafa dando mais goles, é uma bebida escura, o cheiro de álcool esta forte.

“É serio pare!”

“Ah Dodge relaxa, mais tarde quem sabe?”

Cochicha ela se aproximando.

“Por que você esta bebendo?”

Pergunto.

‘”Por que eu amo ele, ele é um idiota.”.

Diz ela fechando os olhos, sua fala sai estranha. Ela aponta para Jack.

“Eu sofro por amor não correspondido. Isto dói.”

Ela continua com o dedo apontado, esta totalmente fora de si.

“Chega vou te levar para casa.”

“Não, eu preciso ficar de olho nele, aqui esta perigoso sabia, olhe para seu redor.”

É ridículo, mas eu obedeço. Vejo apenas seguranças vestidos de pretos.

“Olhe para cima”

Diz ela misturando duas bebidas na boca, olho para cima onde ha uma pequena cobertura do quarto e vejo Alan observando.

“O que esta havendo?”

Pergunto curioso.

“Ele será rei, rei!”

Diz ela quase gritando.

“Não, ele não pode.”

“Ele esta andando por ai com estacas de madeira procurando lobos.”

Ela fala desajeitada.

“Lobos?”

Pergunto olhando novamente para Alan, ele se veste muito elegante e esta bem controlado, muito calmo.

“Gabriela e David estão se pegando lá fora.”

Diz ela. Tenho vontade de mata-lo, aquele maldito, largo Vitória no balcão de bebidas e vou para o lado de fora procurar por Gabriela, ha muitos carros ali e muitos seguranças que estão rodeando a casa o tempo inteiro, sinto que uma grande confusão vai acontecer ali, preciso encontrar Gabriela e sair daqui. Passo por um casal que estão aos beijos escondidos em uma arvore, vejo que é Pedro e agarota Anne. Ignoro e continuo a caminhar, vejo Gabriela e David mais na frente que também estão se me beijando aproximo e tusso para eles me verem.

“Olhe quem chegou para o jantar!”

Diz David.

“Passou muito tempo com Vitória, esta copiando as falas dela.”

“Sim isto por que ela vai ser minha princesa!”

Isto me deixa enfurecido tenho vontade de ataca-lo, mas não posso sou fraco.

“Gabriela tem que ir para casa, algo vai acontecer aqui.”

Digo olhando para os seguranças.

“Esta bem eu levo ela, cuide de Vitória, a esta altura ela esta muito bêbada.”

Ele cospe as palavras e sai.


Entro na casa noturna e vejo Vitória desacordada nos braços de Jack.

“O que aconteceu? ”

Corro perguntando.

“Ela queria beijar ele e eu dei um empurrão. ”

Explica Tânia.

“É só que ela caiu ao chão. Ela está muito fraca não devia, esta errado, ela é”

Diz ele se referindo a ser um vampiro.

“Você sabe o que ela é ”

Diz Jack.

“Quem carrega doenças incuráveis geralmente não podem se controlar com o álcool ou remédios. ”

Digo para eles.

“Falando assim parece um Nerd. ”

Diz Pedro.

“Vitória não mandou você ir dar uns pega em Anne. Tchau. ”

Digo.

“Me de ela. Vou levá-la para casa. Você já ajudou de mais. ”

Completo com ironia. Ele passa Vitória para meus braços, eu a seguro bem, está tão frágil, dormindo, seu cabelo está molhado de suor, ela continua sendo linda, vestida com aquele mesmo vestido, as luvas e as meias, ela continua sendo princesa.

“Tânia vem aqui.”

Ela obedece.

“Não. Não faça isto. ”

Pede Jack.

“Olhe para cima! ”

Digo e ele obedece.

“Vai haver uma pequena bagunça aqui na quais humanos não são convidados a ficar, sugiro que leve sua namorada para casa. ”

Digo saindo. Passo pelas pessoas que não tiram os olhos de min. Vou até meu carro carregando Vitória em meus braços, abro a porta de trás e delicado coloca-a sobre o assento, encolho suas pernas e fecho a porta. Avisto Jack sair com Tânia, me sinto aliviado não por ele, mas sim por ela que considero muito amiga. Entro no carro e acelero, vou para casa de Isa onde sei que Vitória ficará bem. Chego lá e a pego em meu colo, bato na porta e Isa que logo abre, ela se assusta e puxa a respiração preocupada.

“Álcool ”

Diz Marlon aparecendo ppr tras, logo apanha Vitória.

“Muito obrigado. ”

Diz Isa, vejo que seus olhos estão cheios de lagrimas. Saio preocupado me esbarro em Jack.

“Como ela está?”

“Pare de fingir e dizer que se importa. Você é um humano, quer ajudar então suma. ”

Saio e esbarro nele desta vez propositalmente. Entro no carro, e acelerando a ponto das rodas fazerem um rugido ao chão. Estou seguindo para a casa noturna, não sei o que esta acontecendo comigo, há lágrimas em meus olhos. Paro o carro e vejo a bagunça acontecer, todos estão correndo sem direção, estou sem entender, estou isolado ao lado da árvore, ouço um barulho, algo caiu em meu carro, viro e vejo um lobo, ele solta um rungido, ele desce levemente para o capô caminhando calmo. Afasto-me com medo, sei o que mordidas de lobos faz, saio do carro e caminho devagar, não tem para onde correr, ele da um grande pulo e me ataca, caímos ao chão, ele por cima de min, ele não me morde, transforma-se em humano.

“Marcos? ”

Pergunto. É meu irmão, como ele é um lobo se sou um vampiro?

Levantamos.

“Não posso me controlar.”

Avisa ele.

“Como você é um lobo? ”

Pergunto surpreso.

“É isto, por isto papai sempre preferiu a min. ”

Completo sorrindo.

“O que?”

“Venha vou te levar para um lugar que podem te ajudar. E você está nu. ”

Digo. Entro no carro. Ele senta no outro lado.

“Não dava para se sentar atrás? ”

Pergunto aflito, meu irmão nu no meu lindo carro é um grande desastre.

“Estou com medo. ”

Reviro os olhos e acelero tentando ignorar tanta loucura. Estou levando ele para o campo de treinamento. Chegamos e entramos, ele está muito amedrontado.

“Onde estamos? ”

Pergunta ele com uma voz de pavor.

“No campo de treinamento.”

Caminhamos entre os vampiros, avisto uma garrafa cheia de verbena e uma corrente. Vou até lá e cato, jogo verbena nele que cai ao chão, coloco a corrente e ele tenta se transformar.

“No campo de treinamento há apenas vampiros. ”

Completo puxando ele pela corrente. Ele grita com a dor.

“Dodge o que esta fazendo? Eu sou seu irmão. ”

Grita ele.

“Não é não. Você não é filho do meu pai. ”

Digo puxando a corrente, estou forte, posso fazer isto com facilidade. Vou até a sala de Jeane, bem organizada e bem limpinha, a sala é escura e há lustres espalhados no teto, é lindo. Puxo-o lutando pela corrente.

“Me solta Dodge. Pare. Você está descontrolado. ”

Pede ele.

“Olá meninos”

Diz Jeane virando a cadeira super. elegante.

“Tenho um presentinho para você ”

Digo puxando meu irmão pela corrente.

“Parem me solte.”

“Um lobo? ”

Pergunta ela se levantando da cadeira e observando bem meu irmão, ela está elegante vestindo um terno cinza feminino e saltos altos vermelhos, suas unhas também estão nesta cor que combina com sua boca cheia de batom. Ela caminha lentamente até próximo a nós e observa.

“É inacreditável esta sua capacidade de tentar se mostrar útil. ”

Diz ela, fico bravo.

“A luta é o que garante seu posto. ”

Diz ela. Foi à toa, levei meu irmão ali a troco de nada.

“O que vocês são? ”

Pergunta meu irmão.

“Estou impressionada. ”

Ela diz e pega um telefone na mesa digitando dois números.

“Temos mais um, venham buscar. ”

Diz Jeane calma. Meu irmão começa a lutar contra as correntes, ele está furioso e não posso segura-lo por muito tempo. Jeane olha fixo para ele e algo acontece, ele cai ao chão sentindo falta de ar, não pode respirar, parece que estar engasgado. Os guardas chegam e puxa a corrente de min, meu irmão tenta falar algo, mas está muito fraco para isto.

“Muito bem Dodge, você acaba de se aliar a Alan, está contra seu pai e seu tio? ”

Pergunta Jeane fico confuso.

“Como assim?”

“John e seu pai são híbridos, e você não é. Mas ele é ”

Ela aponta para meu irmão.

“O que quer dizer com isto? ”

Pergunto ingênuo.

“Ora sabemos que se você não é híbrido, então não é sobrinho do rei, o que pode te eliminar da luta, mas se você se comportar posso pensar em seu caso.”

“Está mentindo. Ele não é um vampiro. ”

Digo apontando para meu irmão. Ela morde seu braço, sangue pinga ao chão.

“Você quer descobrir? ”

Pergunta ela se aproximando do meu irmão que não é meu irmão.

“Ele não é filho do meu pai.”

“Dodge não seja imaturo, aceite logo. John e seu pai são híbridos”

Meus olhos se enchem de lágrimas de raiva.

“Alan esta procurando por lobos para atingir o rei. Alan quer o posto, nada mais justo.”.

“É isto que você quer não é?”

“Prefiro, seu tio é muito forte e mais velho, preciso continuar no topo.”

“Tudo por poder! ”

Cuspo as palavras.

“Sim. Isto é o mais importante aqui, é meu foco. Leve ele. ”

Ordena Jeane aos guardas.

“O que vão fazer com ele?”

“Mata-lo”

“Não. Não. ”

Corro para cima dela, mas algo acontece com meu corpo, caio ao chão e não posso respirar. Ela se aproxima com aqueles saltos, estou virando a cabeça para o chão buscando ar.

“Não se preocupe, eu quero você na luta para ver você perder, isto vai lhe mostrar o quão perdedor você é. ”

Tento puxar o ar, mas está impossível, minha cabeça está doendo e está muito quente, tento dizer algo, mas não consigo não posso respirar, meus olhos se enchem de lágrimas, ela olha para min séria e retira-se. Fico no chão até me recuperar. Viro para cima olhando para o teto cheio de lustres, me arrependo do que fiz. Não sei para onde ir e nem o que fazer. Minha única alternativa é ganhar a luta, mas isto também me parece impossível, mas tenho que tentar pela princesa eu vou tentar, acho que a amo.


 

 

 

 

 

19 | TANIA

Tânia: Significa “pertencente à família de Tácio”, “pertencente ao pai” ou “semelhante ao pai”.


Narrador: Tânia

Há pessoas que dizem que não acreditam em contos de fadas, mas eu vivo um, desde que eu o conheci minha vida mudou, com ele me sinto feliz, esqueço-me de todos os meus problemas, as pessoas costumam acreditar que por que tenho muito dinheiro a minha vida é um mar de Rosas, mas não é assim que a banda toca, há algum tempo não sou feliz, passei por muitas dificuldades não financeiras, psicológicas, está pra min é considerada a pior tristeza que alguém pode ter, eu vi minha morrer em meus braços, Gabriela estava desesperada esperneando sem acreditar, já Jennifer por não ser filha da nossa mãe ficou apenas confusa e chorando por ver-nos naquele estado. Tive que superar a perda de minha mãe e aturar meu pai que sempre pegou muito no meu pé, ele é muito protetor, até demais, não consegui ter um namorado até os 17 ano,  hoje tenho 18 e posso fazer minhas escolhas mas ainda assim ele está sempre presente com algum medo de que alguém nos machuque, mas Jack é diferente e sei que ele não vai me machucar, somos amigos ha um bom tempo, confio nele.

Neste mundo eu aprendi que nem todos são o que aparenta ser, aprendi da pior forma que meus amigos que diziam serem amigos não eram meus amigos. Vitória é um destes, ela me traiu, éramos grandes amigas, mas agora eu a conheci de verdade.


Pisco os olhos lentamente, olho para o teto do meu quarto que é de cor rosa, bem delicado decorado com borboletas e flores, olho para meus dois lados procurando por Jack, ele não esta, me levanto e faco um coque em meu cabelo loiro grande, caminho descalço, o chão esta frio, calco as pantufas mesmo, ainda estou sonolenta para procurar algum sapato, tiro o roupão jogando ao chão e entro no meu banheiro, passo pelo espelho ignorando minha aparência, tiro o restante das roupas e a pantufa, entro na banheira cuja água esta bem quentinha, sento e ponho meus braços sobre o joelho, fico pensando onde Jack teria se metido e há quanto tempo ele me deixou. Será que ele foi atrás dela? Meu coração doí só de imaginar, fecho os olhos um pouco sonolenta ainda e penso no que fazer, preciso chamar atenção de Jack de alguma forma, preciso que ele me note aqui e me valorize. Lavo-me pensando no que me fazer,  troco sem nenhuma resposta, vou ate o espelho e me vejo, sou linda, minha pele é  branquinha, meus olhos são verdes, sou melhor que ela, sou uma princesa. Cato a escova e penteio meus cabelos sem dificuldades, pois ele é liso e bem reto, prendo fazendo novamente um coque e ponho um lenço vermelho. Cuido do meu rosto, vou ate o banheiro e o lavo bem com sabonetes bem eficaz, passo minha maquiagem leve, meus lábios ficam vermelhos com o batom que uso, está ainda mais belo. Visto um vestido florido e sandálias trancadas, me preocupo com cada detalhe, tenho que impressionar ele.


Literalmente estranha, vejo a garota encostada no armário, ela veste uma calca preta rasgada aos joelhos, botas nos pés, luvas pretas nas mãos e um regata na cor cinza bem masculina, em baixo da regata ha um top preto, identifico isto e outras coisas que não encontro ali, diferente de min que tenho tudo muito grande, caminho e vejo Jack se aproximar. Propositalmente solto meus cabelos do coque, eles descem como ondas tampando minhas costas, o vento não o bagunça, jogo ele com as mãos partindo de lado, acho que consegui,  Jack para em minha frente e me beija intensamente, nos paramos quando Isa chama nossa atenção. Olho para Vitória para ver sua reação, ela cata uns óculos escuros no armário, percebo que seus olhos estão bem vermelhos, deve ter sido a bebida de ontem à noite, ele sai pisando forte ao chão, esta furiosa.

“Acho que deveria ir falar com ela.”

Diz Jack, me viro surpresa, é ridícula esta ideia. Ele coca a cabeça desajeitada sabendo que disse besteiras. Puxo ele pela mão.


As aulas terminam e Jack vai treinar com os garotos para a próxima partida de futebol, fico esperando meu motorista chegar à porta da escola junto com minhas irmãs Gabriela e Jennifer.

“Jack tem razão, devia ter vindo falar comigo.”

Viro-me, é Vitoria, ela esta mais forte vejo seus músculos e depois olho para seus olhos que ainda estão vermelhos.

“A sós.”

Digo andando em direção a quadra, abro o portão e entro, ela vem logo atrás.

“É ridículo!”

Digo.

“Acalme-se, só vim lhe passar umas informações que Dodge me passou mais cedo em relação a seu pai.”

“Meu pai?”

Pergunto preocupada.

“Sim o vampiro.”

“Que?”

“Original”

Ela fala e não entendo nada.

“Eu”

“Esta tudo bem Tânia, afinal você tem Jack não é mesmo.”

Diz ela se aproximando de min. Sinto cheiro de álcool.

“Ele foi atrás de min ontem.”

Continua ela me provocando andando ao meu redor com os braços cruzados.

“Mas ele não pode entrar no meu quarto, afinal quem garante que ele não é um lobo ou vampiro.”

“Esta mentindo.”

“Ele não ama você, ele ama o que você veste!”

Completa ela, deixo minhas lagrimas cair, ela sai em direção ao portão.

“Espere!”

Ela para.

“O que mais eu não sei sobre meu pai?”

“Provavelmente ele será rei, na verdade torço para isto acontecer.”

Ela sai e deixa o portão bater propositalmente, fecho os olhos e imagino meu pai vampiro, parece impossível para min, mas tenho que investigar, Lembro-me do que ela disse sobre Jack, talvez ela tenha razão, e se eu mudar minhas roupas, Jack vai continuar me amando?


No dia seguinte entro na escola e todos olham para min, esta sendo divertido, estou curiosa com a reação de Jack, vários garotos vestidos de pretos estão a me olhar, eles são do time do futebol aqueles que jogaram na ultima partida contra Jack. Alguns deles são bem bonitinhos, mas tenho que me manter o foco, ando em cima das botas pretas, estão pesadas, sinto calor usando calcas meias longas listradas em preto e branco uso um short bem curto, e uma blusa preta bem grande que cobre o short, uso um laco branco daqueles de cabelo na perna esquerda preso a coxa, uso luvas pretas que cobre metade dos meus dedos e vão ate meus cotovelos, meus cabelos estão soltos e uso maquiagens mais pesadas. Mesmo me vestindo assim me sinto bem, ando procurando por Jack e avisto Vitória que também veste uma meia 7/8 cinza e botas brancas nos pés, ela usa uma blusa moletom cinza bem grande que cobre seu short bem curto, no seu pescoço ha uma corrente e seu cabelo este solto e muito bonito, não compreendo por que admirei, ela me olha estranho e passa ignorando. Volto a procurar por Jack, provavelmente ele esta na quadra fazendo um treino. Chego lá e o vejo chutando a bola direto ao gol.

“Tânia?”

Pergunta ele confuso.

“Oi”

Digo calma. Ele põe a mão sobre o rosto e anda ate min.

“Esta linda”

Diz ele olhando em meus olhos, põe sua mãe no meu rosto próximo ao ouvido e delicadamente passa o dedo na minha bochecha, fecho os olhos.

“Mas prefiro que seja você mesma. Afinal eu te amo de qualquer jeito.”

Ouço suas palavras dóceis, abro os olhos, ele cata minha mão e retira minhas luvas. Depois me beija intensamente, estamos quentes, ele esta suado, puxo sua blusa e ele faz o mesmo…

Ela estava errada, eu estava errada, ha algo a mais entre-nos. Estamos na quadra, ouco um barulho, um lobo pula para o teto da escola.

“Vitória hibrida?”

Pergunto a Jack, ele vendo que não pode mais mentir confessa.

“Hibrido”


Chego a casa rindo a toa relembrando os momentos que tive com Jack mais cedo, cato a chave na bolsa e ouço um barulho atrás de min, paro como estátua, minha espinha congela, viro lentamente e vejo um lobo, é Vitória, posso reconhecer pelo colar fixo que ela usa no pescoço com aquele vestido estranho Preto, ela se aproxima e eu me afasto com medo, nervosa deixo as chaves cair ao chão. Ela se transforma em humano, está nu.

“Bizarro não é?”

“Sim. O que quer? ”

Pergunto logo.

“Vim lhe passar algumas informações, você sabe sobre os vampiros, os lobos, híbridos, mas você sabe sobre o imprinting?”

“O que? ”

Pergunto confusa. Nunca ouvi falar nesta palavra. É latim?

“Imprinting. Uma maldição destinada a criaturas sobrenaturais, especialmente os lobos.”

“Explica na minha língua, por favor.”

“Amor! ”

Responde ela. Fico mais confuso. Por que o amor é uma maldição?

“Imprinting é um substantivo da língua inglesa, que pode significar impressão, marca, cunho, carimbo, sinal, etc. Esta palavra também é usada para descrever conceitos e fenômenos relacionados com agem éticos e psicologia. Um imprinting pode ser uma marca física feita por uma determinada pressão ou uma impressão que é feita psicologicamente através de um comportamento ou atitude. O caráter, uma qualidade ou outras marcas distintivas de uma pessoa podem causar o imprinting, ou seja, uma marca fixada firmemente na mente de outro indivíduo. No ramo da psicologia, mais concretamente na psicologia do desenvolvimento, o imprinting foi um conceito desenvolvido pelo zoólogo austríaco Konrad Linz. O processo de imprinting (também conhecido como cunhagem) é um fenômeno crucial para o desenvolvimento dos animais e seres humanos, porque funciona como um instinto de sobrevivência nos animais recém-nascidos.O imprinting é também objeto de estudo da etologia, porque está relacionado com o comportamento animal. Na etapa inicial da vida de um animal, o imprinting consiste em uma fase essencial e mais propícia para aprendizagem e consequente desenvolvimento. Os dois principais tipos de imprinting são o sexual e o filial. No imprinting sexual, um animal jovem aprende as características que procura em um/a companheiro/a. O imprinting filial consiste na aprendizagem de uma cria com o seu / seu progenitor/a.Imprinting é uma espécie de amor à primeira vista, acontece quando uma pessoa encontra sua “alma gêmea”. Raro acontecer, mas quando ocorre é mais forte que tudo. A pessoa que sofre isso não consegue sair de perto da pessoa com quem teve imprinting. ”

“Você? Como fez isto?”

Pergunto depois deste grande texto.

“Vampiros costumam ser mais aptos para decorar, e mais inteligentes também.”

“O que quer dizer com tudo isto?”

“Nossa você é loira mesmo”

Diz ela, cruzo os braços com raiva.

“Quero dizer que minha função é cuidar muito bem de Jack então espero que você possa fazer isto para não termos problemas na lua cheia.”

Responde ela se virando para ir embora.

“Espere!”

Peço.

“Eu não posso ficar com ele sabendo disso.”

“E eu não posso ficar com ele por que sou uma vampira psicopata, na verdade hibrido, e costumam me chamar de bruxa também, descendente de índio e futuramente princesa.”

“Como assim?”

“Seu pai rei, eu princesa.”

“E quem é o príncipe?”

“Digamos que não sei quem é mais idiota o David ou Dodge.”

“Ah eu prefiro David, ele é mais gato, com aquele cabelo então, corpo perfeito.”

Digo.

“Verdade ele é muito bonito, e quando ele veste aquela blusa preta”.

“Aquela gola em V”

“Isto, junto com aquelas calcas.”

“Quando ele tira a blusa.”

“Ah pare!”

Pede ela se virando saindo.

“O que eu faco?”

Grito.

“Seja uma princesa.”

Responde ela se transformando em lobo, ate me esqueci de que estava nu, não foi uma conversa tão ruim, mas ainda estou preocupada com este tal de imprinting, preciso pesquisar sobre isto. Cato as chaves no chão e abro a porta. Subo as escadas e vejo Gabriela e David se beijando. Assusto-me puxo o folego.

“Desculpe”

Entro diretamente no quarto, ele olha para min como se estivesse me ameaçando, fecho a porta com medo, ele provavelmente é um vampiro.

“Gostei dos elogios!”

Ouço uma voz atrás de min. Viro-me e vejo-o, mas como é possível? Eu acabei de vê-lo no corredor. Assusto-me, estou com muito medo, caminho lentamente para traz.

“Estava esperando por você!”

Diz ele mostrando os dentes.

 


 

 

 

20 | DECESSO

| “Eu poderia apenas te transformar, mas qual seria a graça? “|

 

Narrador: Tânia

Sufocada, ele corre até min e põe suas mãos fortes na minha garganta me pressionando contra a porta, ele me levanta, estou sem ar, estou morrendo.

“Eu poderia apenas te transformar, mas qual seria a graça? ”

Diz ele me levantando ainda mais. Minha cabeça dói, não consigo respirar, não consigo respirar.

“É por isto que primeiro vou te matar. ”

Diz ele me pressionado mais ainda contra a porta. Minhas vistas estão escurecendo, não vejo mais nada, não sinto mais nada.


Abro os olhos lentamente com muito cansaço, ha algo errado comigo, sinto meu corpo mais pesado, está mais difícil levantar, olho para todos os lados, estou no meu quarto, ouço um barulho, olho para a direita e vejo David balançando para frente e para traz super acomodado com as pernas cruzadas e os cotovelos apoiados sobre os braços da cadeira. Assusto-me puxo o fôlego e me levanto, quase caio ao chão com o ato ligeiro, estou muito tonta e fraca, ele levanta da cadeira e caminha até min, me afasto, minha respiração está pesada, puxo o ar com dificuldade, me encosto-me à parede e ele se aproxima, ficamos com os rostos frente a frente, posso sentir a respiração dele. Ele me encara, seus olhos dão medo, é ameaçador.

“Você vai fazer tudo o que eu mandar! ”

Diz ele. Percebo que seus olhos se contraem.

“Não.”

“Vai fazer tudo o que eu mandar!”

“Não! ”

Grito empurrando ele que logo se afasta para trás, corro dali, desço as escadas correndo, é perigoso posso cair, ignoro , olho para trás e vejo-o, continuo a correr, termino as escadas e vou para a direção da cozinha, esbarro em alguém com força, é um garoto loiro com os olhos verdes, é meu irmão.

“Tania o que houve? ”

Pergunta ele preocupada.

“Nada. ”

Passo as mãos nos cabelos ajeitando e disfarço.

“Está bem, vou buscar Jeniffer na academia. ”

Diz ele catando as chaves do carro.

“Está bem. Posso ir junto? ”

Pergunto com medo.

“Sim. ”

Eu o sigo sempre estando próximo com medo, entro no carro e lembro-me de Gabriela que está sozinha em casa, mas não posso cuidar dela e não posso dizer nada a meu irmão, falar sobre vampiros parece ridículo. Pegamos Jennifer e voltamos para casa. Chego preocupada, mas tudo está normal.


Segunda feira de manhã, hora de acordar e ir para escola, me levanto e abre à janela, algo estranho acontece, o sol está queimando minha pele, fecho ligeiro, onde encontrei tanta agilidade? Abro devagarinho à janela e ponho minha mão direita para fora, está queimando, está doendo, o que esta havendo? Não compreendo. Fecho a janela e ando de um lado para o outro tentando entender, estava sendo sufocada por David, agora estou aqui sem rumo, o que houve naquela noite? Olho para o notebook e ligo para fazer uma pesquisa, era para min estar morta, não sei o que acontece, entro no primeiro site que vejo e leio a palavra vampiro que logo me arrepia, não posso ser isto, não quero ser isto, não posso acreditar.


Passo o dia trancada no quarto, à tarde Jack preocupado me visita.

“Tânia você está bem? ”

Pergunta ele quando abro a porta.

“Sim. Estou. ”

Minto, não quero que ele saiba que sou um monstro, vai ser melhor assim.

“Pode me passar o telefone de Vitória, preciso falar com ela. ”

Peço, ele fica desconfiado, pois sabe que não somos amigas.

“Você conversando com Vitória?”

“É sobre meu pai. ”

Digo mentindo. Ele parece acreditar, tira seu celular do bolso e procura na agenda, posso enxergar de longe, não sei como faço isto, ele dita os números e ouço com bastante clareza, é inacreditável como meus sentidos parecem estar mais aptos. Salvo o número no meu celular, mas não acho necessário, ele fica preso na minha memória como chiclete.

“Obrigado”

Respondo. Ele se aproxima de min e me beija, sinto o cheiro do seu sangue, eu o desejo, paro de beija-lo e me afasto com os olhos fechados com medo.

“Preciso ficar sozinha. ”

Peço ainda com os olhos fechados.

“Vitória disse algo a você, ela está por trás disso? ”

“Não Jack”

Digo tarde de mais, ele já saiu do quarto, abro os olhos e caminho até o espelho, meus olhos estão vermelhos.


A noite chega e minha fome aumenta, desço as escadas procurando comida, não há nada na parte de baixo da geladeira, abro o congelador e vejo muitas carnes de muitos tipos, vejo o sangue pingar delas, meus dentes começa a doer, me afasto da geladeira deixando a porta aberta, meus dentes e minha gengiva doem muito. Meus dentes estão ficando maior, sinto o cheiro da carne forte, corro até o congelador e cato a primeira que encontro, rasgo ela com meus dentes afiados, eu engulo puxando o sangue de cada pedaço cata mais outros sacos e rasgo, estou afobada comendo e comendo.

“Tânia. ”

Ouço uma voz. Viro-me e vejo Vitória.

“Diz-me que você não completou a transição? ”

“O que é isto?”

Pergunto confuso.

“Vamos cuidar da bagunça, depois te explico. ”

Diz ela catando os sacos do chão.


“A transição, você morreu e o grande idiota que fez isto deu sangue de vampiro a você para se transformar, se você tomar sangue humano vai completar a transição.”

Explica Vitória.

“Tem como eu não fazer isto, eu não quero machucar ninguém”

Digo com medo.

“Tem. ”

Fico aliviada.

“Mas você vai morrer. ”

Diz ela, fico preocupada, penso, eu prefiro morrer.

“Você não vai morrer, você terá que cuidar de Jack. Venha vou te levar até Isa. ”

Diz ela. Fico surpresa, Isa a diretora da escola sabe sobre nós.


A casa de Isa é linda pelo lado de fora.

“Não vou a deixar entrar, quem garante que não vai completar a transição?”

Diz Isa abrindo a porta.

“Tenho um plano, ela vai sobreviver.”

“Qual? ”

Pergunta Isa.

“A porção. Tenho certeza que Dodge vai ajudar.”

“Por que tem tanta certeza?”

“Por que ele vai ser meu Príncipe. ”

Diz Vitória, fico confusa. Ele é namorado de Gabriela.

“Mas”

Digo.

“É uma longa história. Quer viver ou não? ”

Pergunta ela, balanço a cabeça.

“A porção me parece uma boa, mas por que está fazendo isto? ”

Pergunta Isa. É estranho Vitória está me ajudando quando poderia simplesmente me fazer um monstro ou me deixar morrer.

“Por que ela tem que cuidar de Jack. Ela vai fazer isto, se não eu a mato. Com minhas mãos. ”

Ameaça Vitória. Isa balança a cabeça afirmando e eu faço o mesmo, se minha função aqui é cuidar de Jack, é isto que farei.

 


 

 

 

21 | PSICOPATIA

| “Sou apenas um humano.”|

 

Imprevisível, Tânia a qualquer momento pode perder o controle e matar o primeiro humano que ver na frente, se ela completar a transição tudo estará perdido, eu não me importo com o que ela venha a ser, me importo apenas com Jack que só será feliz ao lado dela. Olho para seus olhos verdes de medo, nao consigo imaginar ela tão frágil sendo um vampiro, apesar de ela ser descendente por conta de seu pai agora a história é outra, ela nao esta instável, vejo sua face cansada. Levanto da mesa onde estou sentada encarando a frágil garota loira e vou até a porta, tenho que ir atrás de Dodge e pedir ajuda mas antes tenho que ir ao campo de treinamento e ver se descubro quem fez isto, se eu o encontrar posso simplesmente mata-lo e Tânia estará salva, poderei escolher o Príncipe, nao que Dodge não seja bom mas nao posso confiar tanto nele. Ponho minha blusa grande preta moletom e visto shorts curtos de modo que se tampe com a blusa, uso meias na altura dos joelhos na cor cinza e uma bota branca, ponho as mãos no bolso da blusa e saio andando até o campo.

Sinto um grande cheiro de sangue ao me aproximar, entro e vejo muitos e muitos vampiros herdeiros se alimentando, algumas vítimas ainda estão morrendo, ouço gritos na porta da frente e vou até la. Abro com toda força e desço as escadas correndo, vejo Dodge, David, Jeane e outros herdeiros prendendo vários humanos em correntes.

“Quer jantar princesa? ”

Pergunta mamãe. Fico assustada com o que vejo.

“Você foi muito bem até aqui. Agora estamos trabalhando a fase final. Você é forte e capacitada, ágil e inteligente mas seu processo de cura está lento, isto por que você está desnutrida, terá que se alimentar se quiser continuar no posto. ”

Diz Jeane calma. Olho para todas aquelas pessoas, me sinto um monstro ao tomar a decisão mas faço, eu quero continuar o posto.

“Faça bom proveito. ”

Diz Mamãe se retirando junto com os outros. Fico sozinha olhando paras elas gritarem para min não fazer, mas não tenho escolhas, nao preciso temer, já fiz isto muitas vezes no passado então por que agora esta tão difícil? Corro até uma mulher que grita apavorada e a mordo no pescoco, puxo um pedaço de sua pele, faco o mesmo com os seguintes, sao muitas mortes naquela noite.


A diversao acaba, estou encharcada de sangue, vou ate o vestuario e tomo um banho, saio e me deparo com dodge, me assusto, ponho a mão no coração.

“O que esta havendo?”

Pergunta ele desconfiado.

“O que?”

“Eu sei que esta escondendo algo.”

Diz ele sério, não posso dizer nada agora, ainda posso descobrir quem matou Tania.

“Como assim? Eu vim com o intuito de treinar.”

“Sei. Não vai mais derrubar o castelo princesa?”

“Você sabe que é impossível”

Cochicho.

“Espere está mesmo acreditando que Jeane pode desfazer a maldição?”

Diz ele caminhando inseguro.

“Ela esta mentindo.”

Diz ele se aproximando de min, sinto sua respiração bem próxima.

“Não seja ingênua, nada pode desfazer o imprinting. Ela esta te manipulando e se aproveitando de você.”

Diz ele sério, até acredito nisto, mas prefiro tentar.

“Eu não vou parar!”

Digo saindo atropelando ele.

“Princesa?”

Paro de caminhar.

“Ainda gostar de matar? Ainda gosta de usar este vestido ridículo?”

Pergunta ele.

“Você não é mais a Vitoria que conheci, faça uma escolha inteligente no dia da luta.”

Diz ele saindo na minha frente, fico paralisada sem saber o que fazer.


Entro na casa de Isa, ouço gritos e desço para o porão, me deparo com Tania acorrentada nos braços que estão virados para trás e presos em um cano e nos pés, ela chora e grita muito, Isa põe um pano em sua boca para abafar o som, seus olhos estão vermelhos e sua pele esta tão frágil que vejo a se desfazer um pouco, esta ressecada, ela grita e puxa a corrente, se Jack souber disso ele vai ficar muito atordoado.

“O que disse a Jack?”

Pergunta Isa cruzando os braços e encarando a cena.

“Não vi ele.”

Respondo.

‘Por que?”

Pergunta Marlon incredulo.

“Estava ocupada matando pessoas.”

Digo saindo, subo as escadas, preciso ir ate Jack para que ele não venha ate aqui procurando por min ou Tania.

Chego à delegacia, ele este focado e distraído olhando vários jornais.

“O que faz?”

Pergunto entrando.

“Tentando entender por que álcool e drogas transformam pessoas em monstros.”

Diz ele irônico. Cruzo os braços mostrando apelo. Ele caminha até a porta e tira uma estaca de seu bolso, tenta me acertar, mas eu bato com minha mão fazendo-a cair.

“Ora Jack, estou no campo de treinamento, serei princesa, como você é tolo em pensar que pode lutar comigo.”

“Onde esta Tania?”

Pergunta ele furioso.

“Não se preocupe sua namoradinha esta bem.”

“Você fez algo com ela? Você é um monstro, quem mais você vai tirar de min? por que você me odeia?”

“Eu não te odeio, e não fui eu quem matou Tania, não sou burra, sei da doença que ela carrega.”

“Morta? Você disse morta?”

“Se acalme ela esta bem!”

“Deu sangue de vampiro a ela?”

“E tinha outra escolha?”

“Você a matou! Ela estava te procurando mais cedo.”

“Inclusive deixei muitas marcas de mordidas em seu corpo!”

Digo com um olhar ameaçador, falando assim pareço com David.

“Você!”

Diz ele apontando o dedo na minha cara.

“Se Alan souber disso”

“Ele não vai saber, não tente nada, se não eu termino de matar Tania.”

“Onde ela esta? Preciso saber onde ela esta!”

Grita ele.

“Se você for bonzinho e cooperar no segredo te leva para uma visita.”

“Não faz isto com ela, não a transforma.”

“Não ha outro jeito Jack”

“Então por que ela esta no cativeiro? Por que ainda não completou a transição?”

“Por que ela não vai ser um vampiro.”

“Ela vai morrer, vocês vão mata-la?”

“Não ,não vamos, pare de gritar, eu sou a princesa aqui, eu dou as ordens.”

“Você não é uma princesa, eu nunca vou me ajoelhar para você!”

Grita ele.

“Sim você vai!”

Grito também.

“Não vou!”

“Vai sim, no campo de futebol.”

Falo com raiva, saio deixando ele para traz.


Com raiva vou até o campo de treinamento para treinar. Chego na hora da refeição, mais e mais corpos estão jogados no campo e os vampiros herdeiros estão se divertindo. Entro na brincadeira também, um som começa a tocar, todos gritam e comemoram. Eles dançam e pulam como se estivesse em uma festa, a música é um Rock antigo, balanço a cabeça.

“Os deixe fazer a festinha, se divertirem”.

Ouço a voz de um garoto, saio andando passando pela multidão e procuro a voz, vem lá de cima, lá do Soto, subo as escadas e ouço barulhos de salto em contato com o chão, Jeanne esta ali sobe devagarinho entanto escutar algo.

“Está bem, eles precisam se alimentar mais o Castelo esta feito, precisamos apenas escolher o Príncipe, uma luta me parece bem justo, quem sobreviver não morrer, será coroado.”

Afirma Jeane. Estou no último degrau, ando até eles que estão mais a frente, todos estão de costas, apenas mamãe me vê.

“John esta de acordo?”

Pergunta mamãe. Sei que não é verdade e que haverá uma suposta luta entre John e Alan para escolha do rei, a mulher elegante falsa Jeane mente.

“Ele está de acordo”

“Mentira!”

Digo chegando. Todos viram para min, inclusive um garoto loiro com os olhos verdes, é o irmão de Tânia, mas o que ele está fazendo aqui?

“Vai haver uma luta, entre Alan e John. ”

Digo para mamãe.

“Vitória não devia estar no treinamento? ”

Pergunta Jeane cautelosa.

“Você não devia estar cumprindo com suas promessas? ”

Pergunto.

“O Castelo esta pronto, serei a rainha, não tenho direito de escolher o melhor? ”

“Eu concordo. ”

Responde mamãe, fico confusa. Por que ela concorda em Alan e Jeane juntos? O combinado sempre foi o John.

“Por que não vai dar uma olhada no Castelo? ”

Pergunta mamãe.

“Por que ele está aqui? ”

Pergunto apontando para o garoto.

“Este é nosso psicopata. Nossa mente criminosa, ele é apenas um humano, bastante inteligente. ”

Explica Jeane.

“Qual significado disso? ”

“Atrair alimento. ”

Responde Jeane.

“Mas como? ”

“Não é viável você saber. ”

Responde mamãe. É hora de ir embora e conferir o Castelo. Saio dali deixando todos para trás, caminho pela trilha e me pergunto se o irmão de Tânia esta por trás da morte da própria irmã, ou talvez ele esteja sendo controlado como os outros, como Alan tem coragem de manipular o próprio filho? Eu posso destruir esta luta se eu disser sobre Tânia, ou as coisas pode piorar, mamãe talvez tenha razão, não posso enfrentar Jeane, ela é mal e muito perigosa e sabe do meu ponto fraco. Não sei por que ainda estou neste posto, ela pode estar mentindo, mas eu quero acreditar que este pesadelo um dia vai ter fim.


“Bryan: Significa “colina”, “montanha”, “nobre”, “forte”, “virtuoso” ou “aquele que é forte”.

O nome Bryan, assim como a sua variante mais comum, , tem a sua origem no Gaélico – língua Celta originária da Irlanda. Embora ainda exista discussão sobre o significado deste nome, os registros indicam que provavelmente signifique “colina”, ou “montanha”. A mesma palavra também seria utilizada para designar alguém que é “nobre”, “forte” e “virtuoso”.

A história diz que um dos primeiros e mais famosos “Bryans” seria a figura lendária de BrianBoru, um antigo guerreiro e rei irlandês do século XI. Brian Boru foi responsável por expulsar os vikings que controlavam o país em 1014 e devolver a independência aos irlandeses. Ainda hoje ele é um dos mais admirados heróis nacionais da Irlanda e um dos seus mais famosos reis.

De acordo com as histórias da mitologia celta, o nome Bryan representa um elegante e corajoso homem que teria ajudado a libertar a “filha do Sol”, Deò-ghrèine. A história de Bryan é contada nas histórias de James MacPherson e é baseada nas lendas gaélicas.

Força, nobreza, virtude e liderança são as ideias principais transmitidas por este nome predominantemente masculino que reflete, ainda, a beleza das colinas e das montanhas.

Este é meu nome! ”

Diz o garoto loiro que vi mais cedo, estamos dentro do castelo de vidro, por ainda não estar com feitico e com donos,entramos sem problemas. Como ele chegou tão rapido? Não o vi passar por min.

“Que tipo de criatura é você?”

Pergunto curiosa.

“Apenas um humano.”

Parece ridículo, um humano tão esperto assim é raro.

“Por que vocês vampiros acham que sao melhores que a gente?”

“Por que somos!”

Digo ele caminha se virando de costas, ele tira do sobretudo preto uma estaca de madeira e lanca em min, acerta meu braco, puxo furiosa e a dor percorre o restante do meu corpo, o que é isto? Eu aprendi a lidar com estacas, mas quanto mais tento tirar mais dor sinto.

“Não tente puxar, vai ser pior para você.”

“O que é isto?”

Pergunto fraca, esta doendo muito.

“Uma estaca especial produzida superficialmente de madeira e internamente muita verbena misturada com alho, ah ja assitiu o dracula? Aquele cara me ensinou muito.”

Diz andando levemente, ele tira outra coisa do, sobretudo, é uma garrafa cheia de sangue, mas aquilo não me machuca então por que trouxe isto?

“Beba!”

Diz ele, não posso confiar nele, ha algo dentro daquela bebida.

“É de Jack!”

Confirma-o, fico mais furiosa, ignoro a estaca presa no meu braço e parto para cima dele dando um empurrão com as mãos e dois socos em seu rosto, a garrafa cai ao chão, sinto o cheiro de sangue, me ajoelho e ponho as mãos sobre, não posso fazer isto, não posso, luto contra a vontade, minhas mãos estão sujas, tenho vontade de lambê-las.

“Eu não faria isto se fosse você.”

Diz Bryan limpando o nariz e sorrindo, ele realmente é um maluco, é um doente, um ser pior que eu tales.

“Sangue morto.”

Diz ele, levanto imediatamente e limpo minhas mãos nas roupas com nojo e medo.

“Ha muitas coisas que você precisa aprender ainda, eu estarei te passando um treino descente a pedido de Jeane, é explicito o amor que ela sente por você, já percebeu? Princesa para cá princesa para lá, não acho estranho?”

Ele provoca, fico com raiva e corro para empurra-lo de novo mas não do tempo, algo cai sobre min como chuva mas doi, sei o que é e posso resistir, verbena não me machuca mais. Fogo no teto vindo em minha direção, o que ele esta fazendo? Tentando me matar?

“Você pode controlar a agua, se concentre. O dia da luta esta próximo.”

Diz ele, me contorço ao chão, ate que o fogo apaga, eu fiz isto? Estou paralisada ao chão sentindo dores no meu corpo todo. Bryan se aproxima com uma estaca em mãos, tento me afastar.

“Não se preocupe, quando terminarmos você vai se alimentar e ficar curada.”

“O que você?”

Tento dizer, ha sangue em minha boca.

“O que você é?”

Pergunto com dificuldade.

“Sou apenas um humano.”

Diz ele olhando de cima, estou apavorada, nunca pensei que um humano poderia ser mais forte do que eu.

“Então princesa, quem é melhor? Nos ou vocês?”

Pergunta ele, fico furiosa.

“Vai se ”

“Shi”

Ele abaixa enfiando a estaca de madeira no meu olho esquerdo arde e dói muito, madeira com verbena misturada me incomoda, grito de dor e me contorço para tirar, lembro que não posso ainda ha uma estaca em meu braço.

“Ora uma estaca na barriga, no braço, na perna, é muito fraco para vcoes que dizem ser melhores não é mesmo, veja bem , seu olho é mais frágil, posso atingir outros lugares mas prefiro deixar você cega e intacta por um tempo.”

“Pode ser mais inteligente, mas não é mais forte!”

Grito.

“Diz isto para minha estaca.”

Ele abaixa e me olha no outro olho.

“01 cm distante do coração, por que sou muito bonzinho.”

Diz ele, fico amendrontada, ele ergue a estaca e enfia bem próximo ao meu coração, fico intacta, não me movo, não sinto nada, estou vendo com um olho so.

“Quem é melhor Vitória?”

Cochicha ele, vejo o sangue pingar de seu nariz, tenho vontade de mata-lo mas estou intacta ao chão. Ele levanta e fica me olhando de cima com um largo sorriso, Bryan é um psicopata que esta sendo controlado por Jeane, posso fazer ele parar, todos temos um ponto fraco, o dele com toda certeza é sua irma Tania, eu voltei, eu quero matar, sou a princesa não do castelo de vidro, sou a princesa de vestido preto.

 


 

 

 

 

 

22 | EMILE

Émile: Significa “rival” ou “aquela que fala de modo agradável”.


Narrador: Emile

De modo a proteger Jack estou sempre por perto sem que ninguém perceba, não sou notável, as vezes me sinto invisível, mas é melhor assim, sem ninguém saber. Depois que descobri que minha filha virou um vampiro minha preocupação com Jack dobrou, ela não conseguiria ficar longe dele, até mesmo por que os tipos sanguíneos são compatíveis. Admito que quando descobri da maldição de Vitória fiquei mais aliviada, cuidar de Jack não vai ser apenas tarefa minha, deixei-o um pouco de lado e voltei ao meu foco, o Castelo de vidro. Sem nada em mãos tive que convencer David que seriamos reis, o plano inicial era conseguir algo valioso para que eles nos aceitasse, o livro já estava nas mãos de John, a porcao nas mãos de Dodge, só restava o verdadeiro amor que partiria de min, mas como Vitória está amaldiçoada com o imprinting eu pensei numa possibilidade melhor. Ela será a princesa junto com David, nada mais justo já que ele conseguiu algo melhor do que a porção, eu não serei a rainha pois Jeane é mais forte, diferente de Vitória reconheço isto, estou feliz no meu posto de herdeira.

No campo de treinamento estou tentando acompanhar os passos de Vitória, não concordo com a desfeita do Impriting, preciso convece-la a tirar isto de mente, mesmo que seja melhor para Jack ficar longe de vampiros e lobos, optar por esquecer tudo não é a escolha mais coerente. Minha garotinha cresceu, não me orgulho com seu modo de agir em relação aos humanos humilhando-os, mas admiro o fato de ela tentar proteger Jack de todas as formas possíveis, enxergo isto mesmo ela ignorando. Está mais bonita e forte, mais matura eu diria, a escolha do Príncipe estou em desacordo, mas a luta é que vai decidir tudo, estou passando muitas aprendizagens a David.


Estava claro que Jeane não aceitaria John no posto de rei tão fácil assim, apesar de seu mérito bem merecido pois foi ele quem conseguiu o livro, ela, não aceitaria com tanta facilidade assim. Alguém como Alan não é tão forte quanto John, há algo a mais nesta história que preciso investigar, não faz sentindo algum já que Alan é híbrido e o Castelo estará pronto antes da lua cheia. Como Alan estará tão forte para derrubar John que também é um original e é mais velho, apenas se Alan não for Alan é possível, é isto, quem lutará será Jeane, é brilhante.

Já faz um tempo que Vitória saiu para ir ver o Castelo, preocupada vou atrás dela, sigo a trilha e sinto cheiro de humano, Bryan. Corro desesperada preocupada, sei do que ele é capaz, está sendo controlado por Jeane. Chego ao Castelo e abro a porta com força, Vitória está ao chão com feridas no corpo todo, me aproximo e tento pega-la no colo mas seus músculos estão pesados, ligo para Dodge e ele vem ligeiro.

Delicado, nunca pensei que Dodge era assim, ele é tão cuidadoso para com ela, pega em seu colo.

“Por aqui. ”

Digo caminhando na frente. Vamos até a casa da minha mãe que está vazia, é ao lado de uma ponte onde ha um pequeno rio. Ela é posta na cama, frágil reparo, toco em sua mão, ela está bem ferida e não consegue acordar.

“Dodge vai buscar comida. ”

Ordeno a ele.


Com todos os cuidados limpo as feridas dela. Alimento injetando sangue com uma seringa. Seus olhos estão se mechendo, ela está acordando.


Assustada, Vitória tenta levantar da cama, mas eu seguro sua mão e peço que volte a deitar, ela obedece encostando a cabeça no travesseiro.

“Como esta? ”

Pergunto sentada na beirada da cama.

“O que aconteceu? ”

Pergunta ela confusa pondo a mão na cabeça que provavelmente esta doendo.

“Bryan ”

Digo levantando. Ela solta rungido recordando -se.

“Está sendo controlado por Jeane, ele sabe tudo sobre os vampiros, Jeane passou tudo durante o treinamento, vocês estavam sendo vigiados dia e noite para que ele estudasse perfeitamente o verdadeiro ponto fraco de vocês, ele está no comando, ele é inteligente e pode machucar muitos vampiros sem esforço algum.”

Completo explicando.

“Deve haver algum jeito de fazer ele parar de ser controlado. ”

“Jeane é uma bruxa original, vampira, por que seria possível se ela pode controlar um exército de vampiros? ”

Pergunto.

“Por que Bryan é apenas um humano, muito inteligente, ele pode parar. ”

“Ele sabe reagir a um hipnotizo mas estamos falando de Jeane. ”

Digo.

“Por que você tem tanto medo dela? ”

Pergunta ela sentando-se se recuperando.

“Não tenho medo. Apenas sei que ela é perigosa. ”

“Não. Ha algo a mais. Sei que há. Você faz tudo o que ela pede, de que tem tanto medo? ”

Pergunta ela injetando mais sangue na veia.

“A verdade Vitória, quer mesmo que eu diga a verdade? ”

“Sim”

Responde ela soltando a seringa.

“Jack. ”

“O que? ”

“Tenho um imprinting com Jack. ”

“Como é possível? ”

“Eu e Ana éramos bem próximas, se recorda? ”

Pergunto e ela balança a cabeça. Ana é a mãe biológica de Jack.

“Quando ela foi morta estava grávida. Mas o assassino deu o sangue a ela, mas Ana sempre disse que não queria ser isto, mesmo com um filho para cuidar ela sempre achou melhor não completar a transição. ”

Digo com lágrimas aos olhos, Ana foi uma grande amiga minha, recordar me emociona.

“Jack nasceu, e ela pediu para que eu cuidasse muito bem dele, quando o olhei tão frágil e tão sozinho tive que aceitar a missão de cuidar dele. No primeiro instante que vi Jack soube que seria mais um filho para min, tentei diversas vezes me afastar mas aqui no campo sempre tivemos problemas com vampiros, e ai que entra meu pai caçando, ele não sabia que eu era um monstro mas descobriria cedo ou tarde, então resolvi fugir com seu pai, deixei Jack com sua mãe de criação e você com sua vó”

Explico, ela esta olhando para min espantada.

“Admito que quando soube da sua maldição fiquei aliviada por não ter que resolver tudo sozinha. ”

Completo.

“Facilietei o seu lado. ”

“Sim”

Respondo. Ela está recuperada, está bem, so um pouco instável com o que acabei de dizer.

“Vitória”

Chamo

“Não pode desfazer o impritimg. Jeane está mentindo para você. ”

Completo.

“Ora você também. Me deixe, você não a conhece, eu vou tentar. ”

Diz ela levantando-a furiosa.

“Está bem. Não vou mesmo te convencer não é mesmo? ”

“Continua na sua função por que eu sou Vitória a princesa de vestido Preto, agora se não se importa vou descontar minha raiva em um humano qualquer. ”

Diz ela virando as costas para sair.

“Filha ”

Chamo e ela para como estátua.

“Humanos são apenas humanos”

“Humanos são nossas refeições e nossos brinquedos, são nossos inimigos. ”

Responde ela saindo e fechando a porta.


 

 

 

 

 

23 | ACREDITAR

|”Ele está caído, desacordado, dormindo, sonolento. “|

 

Após a conversação com minha mãe fui correndo para casa de Isa avistar a situação de Tânia. Chego e a vejo estirada ao chão pálida, Isa esta a chamar.

“O que aconteceu? ”

Pergunto preocupada. Nem sei por que sinto isto. Corro até a garota loira delicada que veste um vestido florido e sandálias trancadas aos pés, me ajoelho e toco em sua cabeça.

“Ela está muito fraca. ”

Diz Isa.

Respiro fundo buscando não me preocupar tanto ou deixar isto a evidência.

“Descobriu quem é? ”

Pergunta Isa passando as mãos nos cabelos loiros de Tânia, fazendo isto parece uma mãe acolhendo uma filha.

“Não. ”

Respondo triste.

“Fizemos algumas pesquisas e descobrimos que descendentes exige menos tempo de transição. ”

Explica Marlon, Tânia e filha de Alan que é um híbrido diferente de Jack ela é descendente de vampiro e lobo.

“Temos quanto tempo? ”

Pergunto levantando e me recompondo.

“Não muito. 03 horas eu digo. ”

Diz Marlon em pé com os braços cruzados.

“São 00:53. Não está pensando em continuar procurando o tal assassino está? ”

Pergunta Isa.

“03 horas é o suficiente. ”

Respondo saindo.

“Vitória! ”

Ouço Isa chamar.

Caminho para fora da casa pensando em uma alternativa melhor. Talvez Tânia devesse mesmo morrer e deixar Jack de lado, mas ele estaria correndo perigo estando comigo, e nunca me perdoaria por não a salvar, não posso deixa-la morrer, lá no fundo bem no fundo me preocupo, ainda vejo como uma amiga, não posso deixa-la partir. Tenho pouco tempo então corro ligeiro até o campo de treinamento onde possivelmente esta o assassino. Entro e reparo em cada vampiro que é suspeito. Olho para Kelly, Ugo e até mesmo David. Talvez eles não saibam da doença de Tânia. Por um instante penso em pedir ajuda para Alan, quando ele descobrir isto com toda certeza culpara Jeane, logo John voltará para seu posto de rei, o que devo fazer? Quem escolher? Se eu deixar que John vire rei serei obrigada a aceitar Dodge como Príncipe, está não é a escolha mais inteligente. Desisto vou salvar Tânia com a porção. Procuro por Dodge.

“Precisamos conversar. ”

Digo.

“Está mais bonita hoje. ”

Elogia ele, estou usando calças pretas rasgadas ao joelho, uma blusa regata cinza que deixe meus músculos a mostra, botas nos pés e meu cabelo está de lado mostrando bem a franja.

“Tânia. ”

Ele retira o sorriso do rosto imediatamente.

“Alguém muito burro a matou. ”

Digo cautelosa. Ele tenta correr apavorado e eu o seguro.

“Ei acalme-se. ”

Digo segurando seu braço.

“Como assim ela foi morta? Onde ela está? ”

Pergunta ele desesperado quase chorando.

“Diz que é só uma brincadeira sua. ”

Fala ele deixando suas lágrimas caírem. Ele realmente tem um laço forte com Tânia.

“Sinto muito. ”

“A porção. ”

“Me diz que ainda está com você? ”

Pergunto e ele balança a cabeça.

“Sei onde está. Mas não está fácil, um tipo de psicopata está cuidando muito bem dos objetos. ”

Diz ele.

“Bryan. ”

“Ouvi outro nome! ”

Diz ele. Será que há mais pessoas igual Bryan.

“Isto. Um tal de Pedro se não me engano. ”

“Ah ótimo temos dois psicopatas na liderança. ”

“E se dissermos a verdade a Bryan? ”

Pergunta ele.

“Ele está sendo controlado, não pode nos ouvir. ”

“Se prepare para lutar os psicopatas são inteligentes. ”

“Mas não são fortes. ”

“Por que é desnecessário. Enquanto isto vou tentar descobrir quem matou Tânia, a esta hora o pobre coitado está muito doente. ”

Digo saindo para o outro lado.


“Ei. ”

Grita um garoto pequeno de pele branca e cabelos negros bem grandes, é uma criança. Me recordo desta criança. Salvei ele assim que apaguei pela primeira vez à memória de Jack. Mas o que ele faz aqui? Caminho devagar até ele com um pouco de medo.

“Precisa parar. ”

Diz ele.

“O que? ”

“Precisa se concentrar e parar de sonhar. Isto aqui não é real. ”

“Quem é você? Esta maluco? Eu te salvei. ”

“Eu não sou o garoto que você salvou. Eu sou Breno seu anjo. ”

Diz ele. Tenho vontade de rir mas os problemas são tantos que prefiro ignorar. Saio andando.

“Espere. Estou dizendo a verdade. ”

“Por que devo acreditar em um pirralho? E mais sonhos não duram muito tempo, vampiros não costumam sonhar. ”

“Isto não é sonho, é pior que isto. Você está morrendo, você está no purgatório, tem que acreditar em min. ”

Diz ele como uma criança. E ridículo, continuo a andar.

“Eu sou seu anjo de verdade, sei tudo sobre você. ”

“Já que você é mesmo um anjo então me mostre suas asas. ”

Digo me virando e cruzando os braços, e ridículo mas aguardo.

“Não posso. Eu cair para te salvar. E eu não tenho 08 anos, tenho 20. ”

“Garoto se interna, tenho mais o que fazer. ”

Descruzo os braços e continuo a andar.

“Eu sei que sua roupa preferida e seu vestido Preto, sei que ama Jack mas prefere manter em segredo, sei que no fundo ainda ama Tânia e é por isto que está tentando ajudar ela. ”

“Mas o que é isto? É um teste? Jeane? Eu não vou cair nisto. ”

Pergunto olhando para cima. Só pode ser uma brincadeira de um dos psicopatas.

“Não é nehuma brincadeira, estou dizendo a verdade. ”

Insiste o garoto.

“Se você é um anjo salve Tânia. ”

“Não posso. ”

Responde ele, saio voltando ao meu foco, o garoto continua a me seguir e dizer coisas absurdas. Entro em cada quarto e checo para ver se alguém esteve passando mal.

“Existe uma forma melhor para isto. ”

Diz o garoto.

“La em cima na sala de controle. ”

Completa ele.

“Sala de controle. ”

Digo debochando. Subo as escadas e vou até a sala. Porém esta trancada. O garoto entra na minha frente e roda a maçaneta para o lado contrário e depois para o lado correto, a porta é aberta. Não me impressionei, ainda acho que é um jogo. A sala é escura e fria, vejo todos os quartos dos vampiros mais fracos, os herdeiros não estão sendo vigiados, checo quarto por quarto e não encontro nada, olho as imagens do campo de treinamento para ver se há algo errado e tudo fluiu muito bem até então. Consegui tirar apenas uma conclusão até aqui, um dos herdeiros foi o susposto assassino.

“Não está pensando em matar um herdeiro está? ”

Pergunta o garoto. Balanço a cabeça negando. Nisto ele tem razão, ainda não estou apta para tal função. Meu telefone toca é Dodge.

“Missão cumprida”

Diz ele.

“Casa de Isa”

Respondo desligando.


Chego a casa de Isa junto com o suposto anjo.

“Me chamo Breno. ”

Diz ele.

Entramos, ele não precisa ser convidado.

“Quem é ele? ”

Pergunta Isa.

“Meu anjo da Guarda”

Digo com ironia. Todos olham sem entender.

“Me chamo Breno ”

“Pirralho ninguém quer saber seu nome. ”

“Não sou pirralho tenho 20 anos”

Responde ele. Todos estão olhando espantados.

“É so uma criança com distúrbios mentais. ”

Digo.

“Jack estava ligando. Ele disse que vem para cá. ”

“Vamos esperar? ”

Pergunta Dodge com a porção em mãos.

“Não. Acabe logo com isto. Beija ela eu sei que você quer. ”

Digo brincando.

“Por que não colocam na boca dela? ”

Pergunta o garoto.

“A porção não pode entrar em contato com nada morto ou doente. ”

Explica Isa.

“Então é melhor esperarmos Jack. ”

Brinca agora o garoto. Dodge olha com raiva. Alguém bate na porta, é Jack.

“Seu atraso pode matar sua namorada. ”

Digo quando ele entra.

“Desculpe se sou apenas um homem que caminha Normal. ”

Diz ele.

“Humano lento. ”

Digo provocando. Ele caminha até Tânia e se ajoelha.

“Quem fez isto? ”

Pergunta Jack.

“Se eu soubesse não teria motivo para você estar aqui. ”

“Você o mataria? ”

Pergunta ele.

“Não chamaria para tomar umas para comemorar. ”

“Vitória acha que o susposto assassino é um herdeiro. ”

Diz o garoto.

“Quem é o pirralho? ”

Pergunta Jack.

“Vamos salvar Tânia ou ficar de papo furado? ”

Diz Dodge com raiva. Ele passa a porção que está em um vidrinho minúsculo para Jack. É uma espécie de pó, Jack abre a boca e joga uma pequena quantidade em sua língua. Cuidadoso ele aproxima-se de Tânia e a beija na boca. Ela pisca os olhos lentamente.

“Jack”

Diz ela chorando.

“Esta tudo bem, acabou”

Diz ele acariciando a pele macia dela. Balançando a cabeça ela levanta, ela está bem. Olha para min e depois para Dodge.

“Obrigado Vitória. ”

Diz ela com os olhos baixos. Não customo olhar em seus olhos. Os meus estão cheios de lágrimas, preciso parar imediatamente.

“Não agradeça ainda, vou querer algo em troca. ”

Digo me virando para sair.

“Não podia matar ele. ”

Diz ela. Paro de caminhar. Ela sabe quem é o herdeiro que fez isto.

“Quem é? ”

Pergunto curiosa.

“Não precisa saber. Vai ser melhor assim. ”

“Esta com medo? ”

“Sim. ”

“Ele não vai mais te machucar. ”

Digo.

“Não pode mata-lo. ”

Diz ela. Não faço ideia de quem pode ser.

“Quando eu descobrir eu vou mata-lo.”

Diz Dodge.

“Você não consegue. ”

Diz Tânia.

“Sim ele consegue. Percebi que antes de você ser morta alguém sugou seu sangue, o que significa que o tal assassino carrega a sua doença. Não vai ser difícil descobrirmos. E Dodge terá minha autorização para mata-lo não importa quem seja. ”

Digo saindo.


Entro no campo de treinamento ainda investigando quem matou Tânia. Vou até Jeane para termos uma conversa seria.

“O que te traz aqui princesa? Sente-se”

Sento na cadeira na cor cinza super confortável, estamos no escritório elegante.

“Meu posto está garantido. ”

Digo. Ela olha para min suspirando.

“Quero que der partida na mente de Jack. ”

“Esta bem. ”

“Hoje. ”

“Horas? ”

“Agora”

Digo.


Vou até a escola, Jeane está disfarçada de aluna, ela se parece com Jennnifer sua filha, ruiva com os olhos verdes. Andamos até a quadra e subimos para a arquibancada, lá vemos o time de Jack jogar.

“Quer mesmo que eu faça isto? ”

“Sim. ”

Respondo seria.

“Esta bem. ”

Ela salta da arquibancada e caminha para fora da escola. Percebo que usa nos pés um all star Preto cano médio, Jeane está bem diferente, mais bonita eu diria. Ela caminha até os meninos, num instante todos saem dali. Fica apenas ela é Jack no campo.

“Vitória ”

Ouço o garoto Breno me chamar. Agora ele está em um corpo diferente.

“Agora você acredita em min? ”

Pergunta ele cruzando os braços. Um garoto um pouco mais baixo que eu eu, Branco, tem tatuagens e alargador, um pouco mais rebelde eu diria, ele usa roupas pretas, camisa de banda, mumhequeira, ele usa uma espécie de barba, percebo que seu corpo e definido, é um garoto bonito e pegavel.

“Até que você cresceu. ”

“Não tem graça. ”

“Não tem cara de 20. ”

Digo sorrindo.

“Não saía do assunto. Não pode deixar Jeane fazer isto. ”

“É o melhor a fazer”

Digo virando e olhando para Jack. Eles estão conversando. Jeane toca em seu pescoço e depois no seu rosto, vejo Jack ficar fraco e cair ao chão ajoelhado, depois o peso do seu corpo o joga no chão de lado. Jeane sai deixando sozinho. Vou atrás de Tânia.

“Seu namorado está de ressaca no campo de futebol. ”

Digo abrindo meu armário que é colado ao dela.

“O que? ”

Pergunta ela.

“Ele está caído, desacordado, dormindo, sonolento. ”

Ela sai correndo. Jeane entra na escola chamando atenção dos garotos.

“Resolvido princesa. ”

Confirma ela. Fecho a porta do meu armário e a sigo para fora da escola.

 


 

 

 

 

 

24 | MEMÓRIAS MORTAS

|”Só pra te lembrar. Posso te matar e salvar várias vezes, já parou para pensar? Que divertido seria para min. Cuide dele. Capite? “|

 

Tudo está novo na mente de Jack, até então ele não se recorda de nada, mas por preucacao sigo ele para ter certeza, afinal não posso confiar em Jeane.

O resto do dia tudo flui bem. Alegre, Tânia aproveita o bom momento para se aproximar mais de Jack, quando eles estão a sós saio voltando para o campo de treinamento. Encontro com Dodge e iniciamos o treino.

“Você não me quer como Príncipe, por que? ”

“Não está preparado. ”

“Vou te provar ao contrário. ”

Diz ele enfiando uma estaca próxima ao coração. Ignoro e saio.


São 02 horas da manhã quando acordo sentindo que Jack está em perigo, é essencial de uma bruxa perceber sensações, sinto que há algo errado, visto minha blusa de frio preta moletom bem grande e corro até a casa de Jack. Chego lá e o vejo ao lado de fora de sua casa olhando para uma árvore.

“Jack”

Chamo caminhando.

“Jack”

Chamo de novo. Ele está paralisado e não me ouve.

“Jack. ”

Ele se vira.

“O que esta fazendo aqui? ”

Pergunto no frio e no escuro, tiro o capuz cá cabeça.

“Eu não sei. ”

“O que? ”

Cruzo os braços.

“Eu estava sonhando. Sonhando que estava aqui e quando percebi estou aqui. Sonhei com você. Estávamos naquela árvore e”

“Jack”

“Quem é você. ”

“Tem que ir para casa ”

“Vitória”

“Não. Não. Me chamo Brenda. ”

“Eu não te conheço? ”

“Não. Vamos ”

Digo puxando sua mão até a casa de Tânia. Me preocupo pois ele caminhou muito. Deixo na casa.

“Obrigado Vitória”

Diz ele entrando em casa.

“Brenda”

Digo batendo a porta na sua cara.


No dia seguinte vou a escola para ver se Jack está bem. Como já se era de esperar não está. Ele está olhando fixo para a quadra talvez se recordando de algo. Vejo-o de longe, balanço a cabeça e vou atrás de Tânia.

“Ah estava mesmo te procurando. ”

Diz ela delicada. Hoje está com uma saia na cor marrom, blusa preta regata que realça seus seios e um colar bem grande ao pescoço, pulseiras nos braços e as mesmas sandálias trancadas aos pés, seu cabelo está preso em um coque simples que pode ser solto a qualquer instante.

“Digo o mesmo. Sua incompetente. ”

Digo com raiva.

“O que? ”

“É sua função distrair Jack para que ele não volte a lembrar de min. ”

“Quer que eu passe o dia colada nele. Eu estava ocupada no salão arrumando a unha. ”

“Quanto leseira garota. Olhe aqui o garoto está andando para cima e para baixo confuso com pensamentos estranhos na cabeca, se quer que ele me esqueça faça sua parte. ”

“Eu estou fazendo. ”

“Não está fazendo pra valer! ”

Grito.

“Acalme-se. Estou tentando. ”

Cochicha ela.

“Tente mais. ”

Empurro ela na parede com as minhas mãos, estou a sufocando, ponho minhas mãos no seu pescoço e a levanto.

“Só pra te lembrar. Posso te matar e salvar várias vezes, já parou para pensar? Que divertido seria para min. Cuide dele. Capite? ”

Digo e a solto. Ela está sem ar pondo a mão no pescoco e checando se ainda está viva.

“Mais um recado. Eu costumo torturar antes de matar. ”

Ameaco com um grande sorriso no rosto saindo.


O Príncipe David se aproxima.

“O que me diz da luta. Sei que está escondendo algo”

Diz ele.

“Olhe chegou quem não devia. ”

Diz Dodge atrás de min. Ele está em cima do corrimão da escada com os braços cruzados.

“Deveria estar treinando se não quiser morrer. ”

Diz David

“Não vou morrer. Sou melhor que você. ”

“Chega”

Digo.

“Apagou mesmo a memória daquele idiota? ”

Pergunta David.

“Sim. ”

Respondo cruzando os braços.

“Sente-se incomodado pequeno Príncipe? ”

Diz Dodge debochando. David tenta partir para cima mas eu o seguro.

“Esconda as presas, não seria inteligente as pessoas saberem o que você é ”

Digo.

“Jack venha aqui! ”

Chama David. Ele vai fazer algo para me provocar. Passo a mão na testa preocupada.

“Por que não vai dar uns pega na Tânia? ”

Hipnotiza ele.

“Não. Eu não quero. ”

Responde Jack.

“Este idiota bebeu verbena. Não vejo nada. ”

Diz David.

“Espere. ”

Peço preocupada e curiosa. Me aproximo de Jack para ver se sinto o cheiro.

“Estou tão acostumado a verbena que nem sei mais quem está com ela e quem não está.”

Diz Dodge pulando do corrimão.

“O que é verbena? ”

Pergunta Jack confuso.

“Uma garota. ”

Cacoa Dodge.

“Estranho. Não há verbena. É David esta perdendo o jeito ”

Digo rindo.

“Concertesa ha algo errado com ele. ”

Diz David defendendo-se. Provavelmente ele está certo, há algo errado ali. Sempre soube que não podia hipnotizar Jack mas os outros ainda tem este poder.

“Por que ele não pode ser hipnotizado? ”

Pergunta Dodge.

“Por que ele é descendente. Mas ainda assim deveria estar sendo atingido. Há algo errado. ”

Digo.

“Talvez Jeane não foi 100% na missão.”

Diz David.

“Vou dar uma pesquisada. ”

Digo saindo deixando eles.


Chego na casa de Isa e conto tudo a ela.

“Você já parou para pensar que o problema não está em Jack e sim em David que pode estar em outro estado? ”

Explica Isa.

“Pesquisamos, fomos até a casa de show para sabermos quem matou Tânia naquela noite e por que. ”

Explica Marlon.

“David não é burro. ”

“Ele não sabe da maldição das garotas. ”

Explica Isa.

“Por que maldição? ”

Pergunto.

“Quando ficou mais evidente a existência de vampiros e lobos, as bruxas jogavam maldições de doenças malignas em seus próprios filhos para os poupar de algum mal que possa aproximar. ”

Explica Marlon.

“Então provavelmente a mãe de Tânia e Gabriela também são bruxas? ”

Pergunto.

“Sim. David não sabe. Você mesma disse que poderia ser um herdeiro. ”

Diz Isa.

“Procuramos saber onde todos estavam naquela noite. Você estava bêbada aqui conosco, Jack levou Tânia em sua casa enquanto Dodge lhe trouxe, chegando lá Jack aguardou Tânia adormecer e em seguida veio correndo para cá. ”

Diz Marlon.

“Mas algo saiu errado. O tempo que Jack leva caminhado a pé como um humano até a casa de Tânia mais o tempo que ele perde esperando-a dormir mais o tempo que ele vem caminhando até aqui não coincide com o tempo que Dodge te deixa de carro aqui. ”

Explica Marlon

“Em um determinado momento. Jack não era Jack. Jack era Jeane. ”

Explica Isa.

“Você estava literalmente fora de si. Geralmente bebidas não consomem a mente de um vampiro por ele ser muito inteligente e forte a reação. Havia algo na sua bebida. ”

Explica Marlon.

“Mas foi Pedro quem me passou as bebidas. ”

Digo.

“Ou ele foi hipnotizado ou está do lado de Jeane. Mas o que vem ao acaso e que as pessoas consideradas herdeiras no Castelo de vidro estavam com outras ocupações. Alan foi capturado por John que descobriu sobre a alcateia. Lobos são procurados pela Polícia local onde a escala de Jack está posicionada no horário. Na mesma noite Marcos some misteriosamemte, até então não sabemos onde ele está. Sobrou Ugo e Kelly que estão transando no carro, e alguns outros herdeiros que não foram convidados para entrar na casa de Alan, verifiquei pelas câmeras de segurança do próprio. ”

Explica Isa.

“Apenas David tem a permissão para entrar. Ou Jeane. ”

Digo.

“É isto que ainda não compreendo. Jeane sabe da maldição das garotas, por que ela deixaria David fazer aquilo então? ”

Pergunta Isa.

“E se David não for David? ”

Pergunto.

“Provavelmente Jeane era Jack que estava o tempo inteiro observando o movimento da festa, o verdadeiro Jack estava escalado para trabalhar na Polícia local. Sendo assim, Jeane no corpo de Jack caminha de um lado para o outro verificando tudo. Ela entra na casa de Alan como David, logo em seguida outro alguém com a mesma interface de David entra. ”

Explica Isa.

“Temos as imagens. Você quer verificar? ”

Pergunta Marlon.

“Não. Não precisa. Mas quem garante que o primeiro é Jeane e não David? ”

Pergunto.

“Conheço Jeane. Ela entrou primeiro procurando por Alan que foi sequestrado pela quadrilha. Não encontrando ela se transformou em Bryan o irmão das garotas. Alguns minutos depois Bryan e Tânia saem de carro, mas verifiquei pelas mesmas câmeras que Bryan não entrou na casa naquele dia. ”

“Por que o segundo não pode ser Bryan? ”

Pergunto.

“Por que tenho reparado em David. Ele está mais magro. Esta diferente. ”

Explica Isa.

“Não faz sentindo Jeane matar Tânia sabendo da maldição da garota. ”

Explica Marlon.

“Onde será que Marcos esta? ”

Pergunto.

“Bryan? Alan? ”

Pergunta Isa.

“Onde será que Jeane quer chegar? ”

Pergunta Marlon.

Tenho que ignorar estes novos problemas, preciso focar em Jack.


Hoje terá mais uma festa. Mas desta vez serei mais esperta e estarei mais atenta, ou talvez não. Vejo Jack bebo no balcão.

“O que deu para ele? ”

Pergunto a Pedro.

“O que ele pediu. ”

Responde ele se virando.

“Eu estou legal. Estou feliz. Me recordo de você. Princesa do vestido Preto, seu nome não é Brenda, seu nome e Vitória.”

Diz Jack meio torto, as palavras saem erradas e lentas.

“Onde está Tânia? ”

Pergunto a Pedro.

“Ali. ”

Ele aponta para David e ela que estão aos beijos. Começo a rir. É meio esquisito. Rio por que sei da tolice que David fez, agora acredito em Isa, foi ele quem a matou. Rio de angústia e tristeza, mas Rio também por ser engraçado, se ele soubesse. Pedro me olha confuso.

“Qual é a piada? ”

Pergunta ele.

Fico a rir e não consigo falar. Paro um pouco e respiro fundo. Deixo minhas lágrimas caírem. David irá morrer na luta, Dodge será meu Príncipe. Jack cai ao chão. Desacordo dos meus pensamentos e o pego pelo braço.

“Deixe eu te ajudar. ”

Diz Pedro pulando o galpão. Nos o levamos. Chegamos a porta e avisto Dodge com Gabriela.

“Olá princesa. Vi que não vai se divertir mais hoje. ”

Diz ele.

“Parabéns pelo seu posto. ”

Digo e continuo a caminhar. Ele fica confuso mas ignoro.

Finalmente Jack é posto na cama. Hipnotizo Pedro.

“Muito obrigado. Mas agora você terá que ir vigiar Dodge e David. Quero eles bons e fortes para a luta. ”

Ele sai. Fico sozinha com Jack, estamos no quarto de Tânia. Meus olhos se enchem de lágrimas. Preciso parar. Cato o celular e ligo para Tânia mas ela não atende. Sinto um aperto no coração. Eu a avistei com David, ele não pode matar ela duas vezes mas sinto que ha algo de errado. Afinal por que ela estaria com ele, por que não está com Jack? Volto a ligar mas o celular apenas chama. Persisto duas vezes seguidas. Na terceira vez o celular está desligado. Algo está acontecendo. Meus olhos se enchem, sei que ha algo errado.


 

 

25 | DAVID

David: Significa “amado”, “aquele que é amado”, “querido”, “predileto”.

David é uma variante de , nome originado a partir do hebraico Dawid, Dawídh, que deriva do termo dwd, que quer dizer “amado”, “querido” ou “predileto”.


Narrador: David

Estou junto com Tania em uma festa qualquer, estou aproveitando por que depois da luta terei que casar-se com Vitória e ser fiel, digamos que é uma despedida de solteiro, vejo Gabriela e Jenniffer juntas, mas claro Dodge esta ao meio.

“Se divertindo David.”

Diz ele dando as mãos a Gabriela.

“Muito, so um pouco entediado com esta dona aqui, acho que vou trocar.”

“Eu vou matar você na luta!”

“Venha Tania”

“Afinal por que esta com ela?”

Pergunta Dodge gritando. Caminho ate o lado de fora, tudo esta parado, a festa é ao lado de dentro, estamos no deserto, rumo errado.

“Por que estamos aqui?”

Pergunta ela ingênua.

“Estou verificando algo.”

“O que?”

“A presenca de alguem .”

Respondo. Eles estão se aproximando,posso sentir o cheiro horrivel e desagradavel. Em cima da casa, vejo um, dois, agora sao tres lobos.

“Vieram buscar ela?”

Pergunto e Tania se assusta.

“Vieram tarde!”

Seguro em seu pescoço com meu braço direito. Posso mata-la.

“Onde ele esta?”

Pergunto referindo a John.

“Então esta do lado de jonh?”

Diz um garoto se transformando, percebo que sua feicao é de japones, seus olhos pequenos e puxados, seu cabelo bem preto e um pouco grande com uma franja.

“Sim, onde ele esta?”

Pergunto.

“Por que isto ?Não compreendo. Dodge vai ficar em seu posto.”

Diz o garoto.

“Dodge não sera um príncipe, ele não pertence à família de John, e eu ganharei com toda certeza a luta.”

Digo.

“Interessante. Dodge perdera o posto mas Alan não.”

“Onde ele esta?”

“Tambem queremos saber.Ele sumiu desde a ultima noite que teve aquela confusao aqui onde os policiais estavam atras de vampiros”

“Eu quero saber de John.”

Digo apertando o pescoco de tania.

“Solte a garota não sabemos onde ele esta.”

Diz o garoto.

“Então diga a Alan que também não sei onde sua filha esta. Compreenderam?”

Ameaco dando passos para trás, puxando-a. Caio ao chão, Tania se solta, um lobo estava atras de min e não o vi. Me levanto ligeiro, ataco-o mas os outros logo vem para cima também, sei que mordida de lobo é fatal, então lutar não é a escolha mais inteligente, corro ate Tania e quebro o pescoco dela. Todos se transformam, vejo que o que me atacaou é Vitória.

“David!”

Diz ela. Não posso lutar contra, é perigoso. Saio fugindo dali.


Chego no campo de treinamento fraco, corri muito, minha respiração pesa, algo esta acontecendo comigo, nunca me senti tão fraco,minha cabeca doi e minhas vistas ficam escuras por um pequeno tempo, volto a respirar normal, preciso me alimentar, saio do campo cambaleando como se estivesse bebado, avisto uma garota ali próximo que esta em um cavalo, ela pula.

“Você esta bem?”

Pergunta ela.

“So estou.”

Digo aproximando cambaleando ainda.

“So estou com fome.”

Mordo seu pescoco, ela grita.


O dia da luta finalmente chega. Entro no campo indiposto, meu cabelo e minha barba esta mais grande que o normal. Estou sonolento e fraco. Caminho ate o meio do campo, vejo Dodge e sorrio para ele, nunca esperei tanto por um momento como este, finalmente vou mata-lo e pegar meu posto. Avisto Vitória com o mesmo vestido preto, as mesmas luvas e botas, a mesma Vitória de sempre, ela esta com raiva posso ver em seus olhos, não sei para quem ela torce, não faz diferenca pois vou ganhar a luta mesmo.

“Uma luta limpa e justa vai definir o cargo de vocês. Quem sobreviver sera e príncipe.”

Diz Emile.

“Vitória você podera pedir para finalizar a luta quando decidir quem vai ser seu companheiro. Sendo assim ninguem morre. A seu comando princesa.”

Diz agora Jeane. Me posiciono e encaro Dodge, estamos vestindo as mesmas roupas.

“Comprimentam-se”

Pede Vitória, estendo a mão e ele aperta.Soltamos.

“O melhor vence. Não quero ninguem morto aqui.”

Olho para Dodge , mas não é isto que vai acontecer aqui, eu vou mata-lo.

“Lutem!”

Grita Vitória.


Empurro Dodge, ele se segura, está mais forte, continuo a empurrar mas ele não cai, seus pés se arrastam no chão. Fico furioso e empurro com mais força, ele da uma ajoelhada em minha barriga e depois vários socos em minha cara, fico tonto e com mais raiva, atinjo ele na perna direita com um chute, ele sente dor mas não para de me socar, seguro sua mão e meto um ajoelhada em sua barriga também, depois dou vários socos fazendo-o cair ao chão, minhas vistas escureceu. Ele está ao chão mas não estou muito confiante, me sinto fraco, minha respiração pesa, estou sem ar. O garoto se ergue e eu procuro fazer o mesmo. Ele me empurra do mesmo jeito que fiz mais cedo, furioso soco seu rosto, vejo sangue em minhas mãos, me sinto fraco, ele se recupera e agora me soca ligeiro no rosto e na barriga, não vejo mais nada, minhas vistas novamente estão escuras, caio ao chão e ele aproveita a oportunidade para me dar mais socos, sinto cheiro de sangue, provavelmente vem de min, estou ficando mais fraco não consigo me defender, ele soca minha barriga e meu rosto várias vezes, ouço gritos, ele para, abro lentamente os olhos com dificuldade, está mais difícil se recuperar, vejo que alguns herdeiros puxaram Dodge.

“Por que puxaram ele? Eu quero que continue! ”

Grita Vitória.

Os herdeiros são Ugo e Kelly.

“Perdão alteza pensávamos que você não queria ninguém morto como disse mais cedo.”

Diz Kelly. Olho para Jeane preocupada, depois para Emile que parece estar conformada, em seguida Vitória que provavelmente esta torcendo para Dodge.

“Mudei de ideia. Vamos abrir uma exceção. ”

Responde ela. Levanto mais furioso. Ataco Dodge empurrando -o soco sua barriga, seguro sua cabeça e dou várias joelhadas em seu estômago, jogo-o ao chão e faço o mesmo que ele fez comigo, subo em cima dele e meto vários socos em seu rosto até que ele fica desacordado. Levanto Alegre e satisfeito, novamente minhas vistas estão escuras, estou fraco e não consigo respirar, estou prestes a cair também, tento respirar mas não consigo, mesmo sendo um vampiro não posso me recuperar, ponho as mãos no joelho tentando me recuperar mas ainda não consigo ver nada, ouço muitos gritos, Vitoria diz algo.

“Vamos Dodge levanta. Levanta. Não pode deixar ele ganhar, levanta-se. ”

Pede ela em choro. Provavelmente esta chorando incorfomada mas a verdade é que já ganhei, ele não pode levantar. Ouço todos gritarem em contagem regressiva até que der repente sinto um soco forte no meu estômago, caio ao chão e sinto socos no meus rosto, sinto na barriga também, acho que ele se levanta e sinto um chute em minha cara. Todos contam regressivamente mas não consigo levantar. Dodge é o Príncipe, não estou preparado para a função.


Todos saem do campo, fica apenas eu e Jeane.

“David. ”

Diz ela calma se aproximando de min.

“Eu dei a você uma ordem. ”

Explica ela. Apoio às duas mãos no chão para levantar. Ela mete um chute forte no meu estômago, volto a cair ao chão tossindo sangue. Não sei o que esta acontecendo.

“Você um vampiro mais velho, experiente, inteligente e bonito, muito bem treinado e capacitado para tal função mas me desaponta com isto? ”

Pergunta ela dando passos ao meu redor, estou com medo do seu próximo golpe.

“Está doente? Por que? O que houve com a psicopatia? Acreditei por um instante que você era um dos meus. ”

Ela me chuta novamente.

“Tânia. Você já foi melhor. ”

Diz ela sorrindo.

“Eu como uma boa líder de um grupo reconheço os mais fracos. Por isto lhe dou uma segunda chance. ”

Diz ela seria. Levanto imediatamente. Meu sangue está fervendo, ela faz o feitiço sem nehum esforço.

“Mas terá que me fazer um favor. Com ou sem você o Castelo sera erguido. Estou com a porção em mãos então vai ser bem divertido te matar todos os dias, concorda? ”

“Você é doente. ”

Digo cuspindo mais sangue.

“Posso te apagar e fazer voltar quantas vezes for necessário. ”

“O que você quer? ”

Pergunto.

“Alan como rei. Você e Vitória como Principes. ”

“Não sei onde ele está”

“Procure ”

Ordena ela. Meu sangue está fervendo de novo e minha cabeça dói muito, ponho as mãos segurando com força, está doendo ainda mais como se fosse explodir a cada instante, caio não chão ajoelhado, mordo os lábio sentindo a dor, aperto os olhos.

“Então já sabe onde ele esta? ”

“Sim. Pare! ”

Grito. Ela para imediatamente, solto as mãos e sinto um alívio, recupero o fôlego e levanto.

“Desta vez não vou errar. ”

Digo.

“Desta vez você será Príncipe. Se fizer tudo de acordo te curo da doença. ”

Balanço a cabeça confirmando. Saio cambaleando suado.


 

 

 

 

 

26 | BRYAN

“Bryan: Significa “colina”, “montanha”, “nobre”, “forte”, “virtuoso” ou “aquele que é forte”.


Narrador: Breno

Em um novo corpo posso me comunicar melhor com Vitória que ainda assim não acreditava no que eu falava. Ela precisa acordar deste pesadelo antes que algo ruim aconteça, mas ela me ignora sempre que toco no assunto.

“Eu não sei o que você é, e nem o que quer, estou muito ocupada com meu novo Príncipe comemorando nossa Vitória. ”

Diz ela firme.

“Vitória. ”

“Vai embora! ”

Ela bate a porta.


Não sei mais o que fazer para que ela acredite em min. Ando distraído e vejo Jack se aproximar.

“Onde está Vitória? ”

Pergunta ele.

“Com Dodge. ”

Respondo.

“Aconteceu algo? ”

Pergunto.

“Tânia sumiu. ”

Responde ele me atropelando. Corro para a casa da garota e ver se descubro algo. Há apenas as garotas assistindo na sala de estar, elas não sabem ainda o que esta havendo. Avisto Bryan e tenho uma ideia.


No corpo de Bryan encontro Vitória e Jack armados para procurar Tânia.

“Sabe onde ela está? ”

Pergunto no corpo de Bryan.

“Você? ”

Pergunta Vitória.

“Breno! ”

“O que? Como é possível? Ele é um psicopata, muito inteligente. ”

Responde ela.

“Disse que Tânia foi morta e está prestes a virar um vampiro. Ouço por ai que todos temos um ponto fraco. Felizmente descobri o de Bryan. ”

Explico.

“Algo me diz que alguém quer trocar Tânia por alguem”

Diz Dodge.

“David? ”

Pergunta Vitória.

“Eu devia ter matado ele. ”

Diz Dodge arrependido.

“Não se preocupe teremos a chance. ”

Responde Vitória.

“Muito bem onde será que Alan um lobo está guardando John um vampiro como ouro?”

Pergunta Isa chegando com Marlon com papéis nas mãos.

“Verifiquei as imagens da cidade. Alan foi visto por último na BR dentro de um carro Preto, logo atrás vários outros o seguindo. Como uma verdadeira gangue. ”

Explica Jack.

“Podemos farejar! ”

Responde Vitória.

“Encontrar Tânia. Recuperar John nosso rei. ”

Diz Marlon.

“Por que John tem que ser o rei. Não dou a mínima para quem vai estar no posto. O foco é Tânia aqui. ”

Diz Dodge. Fico surpreso já que John é seu tio.

“Já que tocou no assunto vamos tentar descobrir onde está Marcos seu irmão. ”

Afirma Isa.

“Ele não é meu irmão. ”

Afirma Dodge com lágrimas aos olhos. Acho que compreendi.

“Dodge onde está seu pai? Ele é um herdeiro pode nos ajudar. ”

Pergunta Vitória.

“Não precisamos dele. Vamos trazer Tânia de volta e o resto é insignificante. ”

Responde ele andando até a porta.

“Vamos para a BR. ”

Chama Vitória.


Paramos no meio do nada, percebo que Vitória farejou algo.

“Estão por ali”

Diz ela apontando para uma Mata.

“Tem uma estaca ai? ”

Pergunta Jack. Logo Isa joga uma para ele. Vitória vai na frente procurando, Dodge vai atrás abrindo o caminho, vou atrás de Dodge, atrás de min vem Jack, Isa e Marlon.

Saímos da Mata e estamos caminhando sobre uma trilha. Vitória para de repente como se estivesse perdida. Volta a andar para frente, não é mais uma Mata é uma floresta com grandes árvores cheias de frutos, vejo passarinhos voando, o vento está um pouco forte, Jack anda com medo olhando para todos os cantos. Caminhamos e caminhamos, percebo que ha algo errado. Estamos andando em círculo.

“Vitória! ”

Chamo confuso.

“Estou perdida não consigo encontrar. ”

Responde ela.

“Tem certeza que é por aqui? ”

Pergunta Marlon. Ela se ajoelha e toca no chão.

“Aqui em baixo”

Cochicha ela. Todos se ajoelham imediato procurando a entrada.

“Aqui! ”

Diz Jack.

“Encontrei algo. ”

Completa ele. Há uma espécie de porta no chão coberta com Mato e folhas que caem das árvores.

“Está fechado com magia forte. Teremos que chamar Aly. ”

Diz Vitória.

“Você é uma bruxa! Não pode tentar?”

Pergunta Jack.

“Se ela conseguisse já teria feito. ”

Diz Dodge.

“Dodge você ainda está com aquele carro? ”

Pergunta Marlon.

“Acho que posso tentar. ”

Diz Isa. Todos olham para ela.

“Mas vou precisar de ajuda Vitória. ”

Completa ela.


De mãos dadas elas dizem bem baixinho palavras estranhas. Um vento forte inicia ali, folhas estão sendo jogadas de um lado para o outro, olho para o céu e vejo pássaros voarem incomodados. Olho para elas que estão unidas uma apertando a mão da outra. Vejo sangue pingar do seu nariz, me preocupo.

“Ela tem que parar! ”

Digo.

“Não, não podem parar. A porta tem que ser aberta. ”

Diz Jack.

“Vitória não está bem”

“Tânia também não. ”

“Seu egoísta. ”

Digo dando um soco em seu rosto, ele faz o mesmo.

“Parem vocês dois. ”

Diz Isa me puxando. Vitória caia ao chão ajoelhada.

“Eu não consigo. ”

Diz ela limpando o nariz. Caminho até ela para ajudar mas Dodge chega primeiro.

“Dodge você terá que buscar Aly. ”

Diz Isa.

“Vitória vem comigo. ”

Diz ele.

“Ciumento possessivo, não irei. ”

Afirma ela levantando.

“Não compreendo. Você é forte para lutar como um vampiro mas quando se trata de magia você trava. ”

Diz Marlon.

“Eu não sei o que esta acontecendo. ”

Responde ela.

“Tudo bem. Vou buscar Aly. Chego em uma hora. Divirta-se com o tédio. ”

Responde Dodge.

Ele sai e ficamos a esperar. Isa e Marlon ainda com livro em mãos ficam a ler sentandos ao chão. Jack deita e fica a olhar para o céu. Vitória caminha de um lado para o outro preocupada.

“Nos vamos encontra-la. ”

Digo.

“Eu preferia você como psicopata. ”

Diz ela. Abaixo a cabeça.

“Você não é um anjo. Se fosse já teria aberto isto aqui. ”

Percebo que esta bem furiosa.


Quando Dodge chegou com Aly, esta foi direto para a porta. Aly é uma garota muito bonita, loira e seus olhos sao castanhos bem claro, ela usa um vestido Preto longo até os pés, luvas pretas nas mãos e um capa amarela na cabeça . Vestida assim parece mesmo uma bruxa. Ela se aproxima do local com um livro em mãos, ela solta o livro mas não cai, fica no ar levitando, bate um vento e as páginas são passadas, Aly está segurando algo invisível aos olhos deles mas posso ver que é uma espécie de vara mágica.

“Magia forte. ”

Diz ela.

“Espero que não tenham tentando abrir isto aqui. ”

Diz ela. Todos a olham.

“É tentaram. ”

“Consequência? ”

Pergunta Isa.

“Atinge o cérebro, faz com que sintam dores no corpo. ”

Todos olham surpresos.

“Vou tentar outro jeito ”

Completa ela, agora vejo um caldeirao no chão e em suas mãos uma especie de concha.

“Esta conzinhando? ”

Pergunto.

“Você pode ver? ”

Pergunta ela espantada.

“Sim”

“O que você é? ”

“Um anjo ”

Digo e ela fica espantada.

“Não me diga que esta acreditando nisto? ”

Peegunga Jack.

“Nunca vi nada igual. ”

Diz ela abrindo a boca de surpresa.

“É esta sim. ”

Responde Jack infeliz. Aly volta ao feitiço.

“Hun. ”

Diz ela. A porta se abre, uma imensa luz sai de lá.

“Ual. ”

Alguns dizem. Não me surpreendo muito.

“Entrem! ”

Chama Aly. Vitoria vai logo na frente mostrando seu posto de liderança, em seguida Jack que esta muito preocupado com Tania, atras eu e o restante.

Descemos escadas e esta muito escuro ali.

“Shi”

Diz Vitoria. Ficamos em silencio e caminhamos bem devagar para que não nos notem. Passo a frente de Jack e ele faz uma careta para min. Ignoro. Eu e Vitoria avistamos John preso em uma cela, no chão ha vários desenhos de círculos, no alto muita verbena, ele esta acorrentando pelos braços e pernas, esta sentando em uma cadeira sem roupas, a cena me enjoa, ele esta coberto de sangue e muito machucado.

“Onde ela esta? ”

Pergunta Alan com uma corrente em mãos gritando.

“Vai se ”

Antes de John terminar, Alan mete a corrente em seu rosto.

“Tudo o que Jeane passou a Bryan eu sei. Estou na mente dele. Sei dos seus pontos fracos. ”

Diz Alan.

“Como é possivel? ”

Pergunto a Vitoria.

“Deve ser algum tipo de feitiço. ”

Cochicha ela.

“O que vamos fazer? ”

Pergunta Jack.

“Ja descobrimos que Tania não esta aqui. ”

Cochicha Vitoria.

“Podemos fazer uma troca já que sabemos onde Tania esta. ”

Digo.

“Vitoria. ”

Chama Aly. Voltamos um pouco o caminho para conversarmos melhor.

“Tania não esta ai. Podemos fazer uma troca mas acabam de me falar que não temos muito tempo, o castelo sera concluido esta noite. ”

Explica Isa.

“Então Alan sera o rei. ”

Diz Marlon

“Tania vai ser morta se ele virar rei. Alan precisa saber disso. ”

Diz Jack. Caminhamos ate ele sem medo.

“Ora temos visita. Princesa é uma honrra te receber. ”

Diz Alan.

“Bryan? ”

Pergunta ele olhando para min.

“Breno. Me chamo Breno ”

“É uma longa historia. ”

Diz Vitoria.

“O que os trás aqui? ”

Pergunta Alan soltando a corrente.

“As pernas. ”

Diz Dodge. John comeca a rir.

“Ora, ora, Dodge conosco. ”

“Como Príncipe. ”

Cospe ele.

“Quem diria. Então provavelmente David esta com minha filha em mãos. Mas a questao é por que você esta do meu lado? ”

“Por que eu quero que você seja rei. ”

Afirma Dodge. John volta a rir. Agora mais alto.

“Por que devo acreditar em você? ”

Pergunga Alan desconfiado.

“Não precisa acreditar em ninguem. Mas acredite nisto. Jeane vai concluir o castelo hoje. Se você assumir seu posto Tania estara morta. ”

Diz Vitória firme. Agora Alan também rir.

“Sabe o que mais me surpreende. É esta sua ingenuidade. Por que acha que me importo?”

Fico surpreso e indignado.

“Como pode? ”

Pergunta Vitoria chorando.

“Ser rei é o mais importante. Tirem eles daqui. ”

Ordena Alan, vários lobos chegam.

“Vocês conhecem a lenda. Mordidas de lobos sao fatais. Não é mesmo Jack.”

“Vamos sair. Não queremos confusao.”

Diz Isa. Saimos todos correndo com medo. Aly fecha a porta.

Olho para checar se estão bem. Falta alguem.

“Dodge ”

Chama Vitoria. Ela se joga na porta ao chão e luta.

“Dodge. Dodge. ”

Grita ela.

“Vitoria! ”

Grita Isa.

“Não!”

Grita ela socando a porta.

“Podemos abrir Aly?”

Pergunta Jack.

“Não. Agora não posso. Preciso me recuperar. ”

“Eu posso. Diz que posso. ”

Levanta Vitoria chorando.

“Eu sinto muito. Isa não pode sozinha e você não pode ajudar. ”

Diz Aly.

“Por que? ”

Cochicha ela.

“Vitoria não é uma bruxa. ”

Diz Isa.

“É uma fada. ”

Completa ela. Todos olham espantados e suspresos.


“Como vamos encontra-la? ”

Pergunta Jack.

“Teremos que destruir o castelo. Não podemos deixar Alan vencer. Sem castelo sem rei.”

Diz Vitoria.

“Vitoria você não é fraca. Você é melhor que nos bruxas. Ha pontos a seu favor.”

Explica Aly.

“Podemos derrubar o castelo. Ainda não ha feitiço sobre ele. Provavelmente Jeane reunira o livro e porção lá dentro mesmo, apenas precisamos ser convidados a entrar.”

Explica Isa.

“E Jeane?”

Pergunta Jack.

“Precisamos de alguém forte para ocupa-la enquanto derrubamos tudo.”

Explica Marlon.

“Vitoria como é uma fada pode se tornar invisível e pegar o livro e a porção, a capa. Enquanto isto alguém lutara com Jeane. Vamos juntar todos os índios que estão por aqui e lutar contra os vampiros.”

Diz Isa.

“São muitos. Mas podemos conseguir.”

Diz Alan.

“Nos bruxas tomaremos de conta do castelo.”

Diz Aly. Vitoria se aproxima de min me olhando fixo nos olhos.

“Você como um anjo chamado Breno é inútil, mas como o Bryan psicopata é aproveitável. Você terá que ocupar Jeane.”

Ordena Vitória.

“Como quiser princesa.”

Digo saindo.


 

 

 

 

 

27 | ABANDONO

|nossa mente esta sendo fragilizada pelas nossas emoções. |

 

Estamos nos preparando para a autodestruição. Jack esta escolhendo a melhores estacas, Marlon esta preparando novas, mais úteis, Isa esta concentrada lendo alguns livros, Aly esta treinando suas habilidades fazendo magia, olho para Jack preocupado, ele é apenas um humano que ama aquela garota e vai fazer tudo para tê-la, ele percebe e eu paro de olhar, incomodado se retira para um pouco mais longe, alguém bate na porta, abro, é ele, nossa única chance, Bryan.

“Olá princesa!”

Diz ele.

“Bryan!”

“Pode entrar!”

Convida Isa.

“Você também.”

Diz ela olhando para meu anjo.

“Não preciso ser convidado.”

Diz ele relembrando ela.

“Se fosse não te convidaria, mesmo não sendo dona da casa.”

Digo sorrindo para Breno.

“Temos algumas horas ainda, então é melhor aproveitar, ninguém sabe se vamos sobreviver.”

Diz Isa. Saio e vou ate a quadra. Estou um pouco diferente hoje, não sou mesmo uma princesa. Visto calcas pretas coladas e rasgadas ao joelho, uma regata preta e por cima um sobretudo diferente que não cobre os braços, na cor beije, nos pês uma bota, estou preparada para a luta. Penso em Dodge que esta preso com seu tio e o rei Alan, será que ainda esta vive? Caminho de um lado para a outra angustiada, já perdi minha amiga Tania, perdi meu amigo Dodge, que apesar de muitas diferenças nos entendemos e estamos em uma relação muito agradável, penso em Jack, ele é apenas um humano, como vai sobreviver a isto? Penso em Isa e Marlon junto com a tribo de índios, eles são ingênuos e inocentes de mais para matar alguém, alimentam pouco e não tiveram as possibilidades de aprendizagem que tive. Estou preocupada com tudo isto, sei que não vamos conseguir, mas ainda precisamos tentar, não apenas por Tania como também para os humanos que foram transformados em monstros por ela, eu odeio aquela mulher, mas não posso mata-la. O que posso fazer é aceitar meus dons e usar isto para meu bem próprio. Estou perdida em meus pensamentos e para piorar ele, Breno, se aproxima, vestindo calcas e blusas pretas, tênis pretos, cheio de tatuagens e um alargador na orelha. Como acreditar que é um anjo vestindo assim?


“Esta preparada?”

Pergunta ele.

“Sim. Por que esta me seguindo?”

“Não estou te seguindo. Estou cuidando de você.”

Diz ele. Reviro os olhos.

“Vai o deixar lutar?”

Pergunta Breno se referindo a Jack.

“Vou amarra-lo numa corrente.”

Digo seria. Estou bastante preocupada com Jack, afinal ele é apenas um humano.

“Eu posso fazer isto. De verdade.”

“Isto o que?”

Pergunto ingênua.

“Posso desfazer o imprinting.”

“É totalmente impossível.”

“É sim. Por que não podemos voltar atrás, não podemos mudar os fatos, mas podemos esquecer.”

“Por que devo acreditar em você?”

“Por que estou na sua mente. Tudo depende da capacidade do nosso cérebro. Se for inteligente como Bryan, nada pode te atingir, nossa mente esta sendo fragilizada pelas nossas emoções.”

“E por que acha que tenho isto?”

“Pode enganar a eles, mas não a min. Posso ver o quanto ainda o ama e se importa, mas desta vez o imprinting poderá ser desfeito se você for inteligente e estiver totalmente de acordo com isto.”

Explica Breno.

“O que devo fazer?”

“A tentativa de Jeane não deu certo por que ela mexeu com ele, mas não com você.”

“O que quer dizer com isto?”

“Quero dizer que se estiver mesmo disposta a sair desta maldição terá que esquecer Jack, terá que deixar eu lhe ajudar. Não posso desfazer apenas de um lado.”

Explica o anjo. Penso um pouco. Terei que esquecer tudo, literalmente tudo.

“Estou disposta. Quero que faca antes da luta.”

Afirmo.


Jack esta no campo caminhando de um lado para o outro, provavelmente esta pensando em Tania. Recordo que eles costumavam ficar muito ali. Estou em cima da arquibancada avistando Breno se aproximar lentamente de Jack sem que este perceba. Caminham ate o final do campo, Jack se vira e ver Breno.

“O que você quer?”

Ouço Jack perguntar. Num instante Breno toca em sua cabeça e ele cai ao chão desacordado. Assusto-me e corro ate o local. Avisto Jack dormindo em cima do campo verde.

“Esta pronta?”

Pergunta Breno.

“Sim.”

Digo com lágrimas aos olhos. Ele se aproxima de min e faz o mesmo. Sinto-me cansada, meu corpo pesa e caio ao chão.

 


 

 

 

28 | CASTELO

|”Alan foi esperto, ele pegou nossa peca mais forte. “|.

 

Acordo na cama de Isa está assustado ela logo me segura.

“Descansou?”

“Sim”

Respondo com voz de sono. O que teria acontecido para min dormir tanto assim. Isa me olha preocupada.

“Aconteceu alguma coisa?”

“Ainda não.”

Responde ela.

“A luta. Estou preparada.”

Digo.

“Vamos, Aly vai nos passar um pequeno plano de sobrevivência.”

Diz Isa. Levanto-me e desço as escadas. Todos estão reunidos segurando estacas e verbena. Ha muitos outros que não conheço.

“São os que encontramos.”

Diz Marlon. Compreendo agora, são os índios.

“Onde este Jack?”

Pergunta Aly.

“Dormindo.”

Responde Breno.

“Onde esta Bryan?”

Pergunta Isa.

“Ele disse que vai logo em frente, assim vamos ganhar tempo para planejar melhor as explosões.”

Explica Marlon.

“Bem o plano ficou o seguinte.”

Diz Aly jogando um mapa sobre a mesa. Ha pontos vermelhos e pretos, e um circulam grande na cor azul e outro na cor verde.

“Bom o primeiro passo é atacarmos os vampiros e herdeiros. Bryan sugere explosões com verbena. Temos lobos então poderemos excluir metade do bando.”

Explica Aly.

“Muitos deles são lobos.”

Digo.

“Como eu já havia dito, excluiremos metade. Enquanto aos outros Bryan sugiro usarmos flechas, estacas e mais verbenas, em relação ao fogo e ao comando da explosão eu estarei na sala de controle do campo de treinamento monitorando tudo”.

Ela aponta para o circulo verde. Significa Campo de treinamento.

“Como sou mais capacitada a me tele transportar ficarei na sala, cuidarei do fogo com minha mente, a distancia do campo de treinamento ao castelo de vidro não vai me afetar tanto.”

Continua Aly passando o dedo do circulo verde ao azul, mostrando a distancia do campo de treinamento ao castelo.

“Fico na sala Isa e Vitoria chegaram à frente no castelo de vidro. Pegaram o livro e a porção, no caso a capa e iniciaram o feitiço sem min. Irei assim que eu puder, quero que se esforcem ao máximo, vou chegar apenas para terminar o serviço, atear fogo em tudo, quanto ao castelo Isa terá que congelar para facilitar nosso lado, derrubaremos tudo, não vai ser difícil já que o castelo ainda não é um castelo.”

Continua Aly explicando.

“Bryan cuidara de Jeane para que esta não se se aproxima de nós. E vocês apenas lutaram contra eles.”

Explica Aly.

“E quanto a Alan?”

Pergunto. Aly liga a televisão da sala onde estamos, vejo Gabriela presa em uma cadeira em uma sala escura.

“Podemos usa-la como refém.”

Diz Aly.

“Não concordo muito com a ideia, mas é a única opção que temos.”

Digo.

“Não vai dar certo, Alan disse que não se importa”.

Diz Isa.

“Jack ficara preso nesta corrente.”

Diz Marlon. Balanço a cabeça concordando.

“Ele não pode ficar aqui. Jeane foi convidada a entrar.”

Digo.

“Ele ficara no porão.”

Diz Isa.

“Mas o porão faz parte da casa.”

Digo.

“Fiz um feitiço que vai retardar a entrada de algum mal no local.”

Diz Aly. Ainda estou preocupada, mas não ha outras escolhas.

“Vitoria”

Chama Isa.

“Você consegue fazer isto?”

Completa ela. Concordo com a cabeça. Não estou preparada para magias, mas preciso tentar.

“Ha um ponto a seu favor. Por ser uma fada pode se tornar invisível e se você adaptar mais a isto pode também nos tornar invisível, assim ninguém vera o que faremos no castelo.”

Explica Aly.

“Não gosto de deixar ninguém mais furioso, mas a esta altura Dodge esta sendo torturado. Alan não vai parar ate que encontremos Tânia, mesmo ele dizendo que não se importa podemos continuar acreditando que ela pode facilitar nosso lado. Se encontrarmos.”

Diz Bryan.

“Ela esta com David. Tenho certeza disto.”

Digo.

“Alan foi esperto, ele pegou nossa peca mais forte.”

Diz Isa.

“A peca mais forte deste quebra cabeça não é Dodge, e sim eu. Eu sou a princesa.”

Digo.

“E vamos derrubar o castelo de vidro.”

Completo.

 


Narrador: Escritor

23h20min, 28 de Abril de 2015.

Gritos vindos da floresta ao lado do campo é Dodge se contorcendo de dor. Esta sendo torturado.

 

“Senhora rainha, desde que Tania desapareceu os príncipes se encontram dispersos.”

Diz Kelly.

“Encontre-os!”

Grita Jeane. Ela no mesmo instante sai. Bryan esta olhando escondido para ela sentado na cadeira em boa postura, mas bastante preocupada com atraso.

“Ugo traga Alan.”

Ordena ela.

“Sim senhora.”

Ele faz reverencia e sai. Bryan caminha ate Jeane que logo se levanta.

“Bryan. Que presença maravilhosa.”

Diz ela sorrindo.

“Veio despedir-se?”

Pergunta ela.

“Não. Eu vim.”

Antes de ele completar a bruxa lança ele contra a parede, esta presa, apenas com o poder da mente ela faz isto, ele não consegue se mover e se contorce de dor.

“Onde esta Vitória?”

Pergunta Jeane se aproximando. Ela carrega uma espécie de bengala nas mãos cobertas com luvas brancas. Caminha ate Bryan.

“Onde ela esta?”

Pergunta sufocando-o.

“Eu não sei.”

Diz ele sem folego. Algo cai do teto, é um lustre de vidro com bastante verbena. Jeane se distrai e o solta, ligeiro ele puxa uma estaca do seu casaco e enfia no coração da bruxa.

“Não pode me matar Bryan.”

Diz ela sorrindo. Retira a estaca e inicia uma luta com ele. Ha uma espada em seu vestido, ela tira e tenta ataca-lo, mas ele também veio preparado, pega um cano pequeno e faz com que vire espada. Eles lutam.

 

[…]

 

“Temos que ser mais rápida.”

Diz Isa.

“Estou tentando.”

Isa repara que os olhos da garota estão muito vermelhos, ela esta chorando sangue. Finalmente Aly chega.

“Ela esta muito fraca, temos que terminar logo isto.”

Diz Isa.

“Concentrem-se.”

Diz Aly pegando nas mãos das duas. A capa que estava ao lado do livro logo pega fogo. Jeane ver e corre tentando recuperar.

“Onde elas estão?”

Grita Jeane enfiando a espada no estômago de Bryan. Ele é um humano, logo cai ao chão. A rainha preocupada cata o livro e segura em seu colo, Vitoria furiosa tenta tirar dela, mas esta fraca de mais para isto. Emile chega assustada, Bryan esta caído ao chão.

“Jeane o que esta havendo?”

“Elas estão aqui?”

“Elas quem?”

Pergunta Emile. Os vampiros que sobreviveram começam a entrar no castelo, Vitoria esta se enfraquecendo, ela esta ficando visível para todos junto com Aly e Isa.

“Vitoria se concentre!”

Grita Aly.

“Vitoria!”

Grita Jeane com raiva. Ela cata a espada e luta com Vitória que é ágil e forte. A espada cai ao chão, Aly e Isa juntas derrubam muitos vampiros fazendo-os sentir uma imensa dor de cabeça, alguns vão morrendo ali mesmo.

“Vitoria você devia estar do meu lado.”

Diz Jeane.

“Você não cumpriu com a sua promessa.”

Responde ela. Jeane faz com que Vitoria cai ao chão sentindo também muita dor de cabeça.

“Pare!”

Grita Isa.

“Isa, vamos derrubar logo isto.”

Ordena Aly. O livro ainda esta nas mãos de Jeane. Vitoria esta ao chão morrendo, esta ficando sem ar.

“Vitoria se concentre.”

Ordena Aly. Breno chega e corre ate Bryan. De repente o corpo onde Breno estava fica ao chão e Bryan levanta.

“Não vou poder segurar por muito tempo.”

Diz Breno no corpo de Bryan. Ele ataca Jeane dando socos. Aly e Isa se juntam com Vitoria ao chão para continuar o feitiço, o castelo esta sendo congelado.

“Não!”

Grita Alan entrando. Armado com uma espada ele procura por elas que novamente estão invisíveis. Ele mete a espada no ar procurando-as.

“Vitoria se concentre!”

Grita Aly.

Os vidros do teto começam a voar pelo vento forte que vem de cima, o clima muda, esta tudo muito escuro. A lua e as estrelas parecem mais próximas, ha fogo no ar misturado com magia, o teto esta sendo levado por um furacão.

 


A corrente onde Dodge esta suspenso é quebrada, ele se liberta.

“Aonde você vai? Tire-me daqui! Não pode sair daqui, a porta esta trancada com um feitiço.”

Grita John preso.

“Quem disse?”

Pergunta Dodge mostrando a porção.


Vidros estão sendo lançados para todos os lados.

“Vitoria temos que sair! ”

Grita Aly.

“Não!”

Grita ela indo ate Jeane que ainda esta com os livros em mãos.

“Vitoria! Você vai machucar Jack.”

Grita Isa. Ela ignora e começa a lutar com Jeane derrubando-a no chão com as mãos, o livro cai e logo Alan pega, mas Isa luta com ele dando socos, ele segura o braço dela e quebra. Breno chega com uma espada em mãos se perguntando se Bryan faria isto, pois é seu pai. Aly inicia um feitiço fazendo Alan ficar intacto ao chão, Vitória cai pregada sobre uma espada que Jeane atirou, esta caminha ate Isa e a faz sentir dor na cabeça, o livro cai ao chão, Breno vai ate Vitória tentar ajuda-la. Mais vidros são lançados, Breno puxa Vitoria para fora e Aly faz o mesmo com Isa que quer lutar pelo livro. Alan levanta-se cuspindo sangue enquanto Jeane esta paralisada como estatua, Vitoria se solta de Breno e luta com ele dando socos para se libertar, ela corre ate Alan e o empurra ao chão, os vidros estão caindo, o castelo esta sendo destruída, uma grande poeira sobe no ar embaçando tudo, Aly e Isa estão perdidas, enquanto Alan luta com Vitória também perdidos, Emile se aproxima e luta com Jeane que logo tira uma arma do seu vestido, ela atira três vezes, Emile cai ao chão morto.


 

 

 

 

 

29 | ÊMULO

|”Reverência para os príncipes”|

 

Narrador: Vitória

Estou lutando com Alan, ele é um rei, consequentemente mais forte, persisto lutando, ele me joga ao chão e chuta minha barriga, grito de dor, algo atravessa a barriga dele, é uma espada que Bryan ou se preferir Breno empurrou. Levanto-me e ele continua a lutar com seu pai, vou correndo ate Jeane avista meu pai ajoelhado chorando em cima de um corpo, mamãe. Jeane continua a segurar o livro e fujo, eu fico intacta deixando minhas lagrimas escorrerem, não compreendo, pois não sou tão ligada à mamãe, não sei o que esta havendo comigo. Caio ajoelhada próxima a ela e choro junto com meu pai, toco em sua barriga e vejo sangue em mimas mãos, ela foi morta, atiraram nela, que tipo de arma pode matar um vampiro? Pergunto-me. Olho para ela ainda com os olhos abertos querendo me comunicar algo, sua voz saia fina e fraca.

“Jack.”

Diz ela. Não sei do que se trata, não sei quem é Jack, por que ela esta dizendo isto a min?

“Vitória!”

Chama Isa. Ela para de gritar quando vir mamãe ao chão. Seguro forte a mão desta e fecho seus olhos com a outra mão, choro muito, como uma criança estou soluçando.

“Vitoria. Temos que ir.”

Diz Isa. Meu pai pega minha mãe ao colo e saímos de cima dos destroços, o castelo esta ao chão, tudo foi destruído, em todos os lados a vidros e pessoas mortas. Não sei se Breno esta bem, não sei para onde Jeane foi nada disso importa agora.


Isa me leva para sua casa, vejo um garoto preso acorrentado, ele esta confuso, mas esta bem.

“Jack que bom que esta bem!”

Diz Isa.

“Este é Jack?”

Pergunto.

“Sim.”

Afirma Isa. Estou confusa. Não sei o que mamãe tinha a me dizer sobre o garoto, cera___2 que é importante?

“Isa ajuda aqui.”

Diz Aly entrando com Marlon, ela segura o braço e o puxa, este muito fraco. Cuidadosa, Isa o segura e o leva ate a cama, logo ela procura por remédios enquanto Aly desprende Jack. Olho para ele como se já o conhecesse, ele é lindo parece um Príncipe.


“Conseguimos destruir o castelo, mas não o livro.”

Diz Isa. Alguém abre a porta com forca, ele carrega uma porção em mãos.

“Dodge!”

Digo sorrindo. Fico feliz ao vê-lo. Corro e abraço. Ele me aperta forte.

“Pelo menos temos a porção.”

Diz Marlon.

“O que eu perdi?”

Pergunta Dodge.

“O castelo foi destruído, mas Jeane fugiu com o livro.”

Diz Aly.

“E Alan?”

“Não o vi desde que iniciou uma luta com o próprio filho.”

Diz Isa.

“Será que eles estão bem?”

Pergunto preocupada.

“Possivelmente não, Bryan é apenas um humano.”

Diz Aly. Preocupo-me, é estranho já que não nos damos tão bem.

“Sem a porção e capa Jeane não pode construir um castelo.”

Diz Isa.

“E se eu ainda quiser ser Príncipe.”

Diz Dodge balançando a cabeça.

“Pode ser o que quiser depois que encontrar Tânia.”

Digo séria.

“Aconteceu algo?”

Pergunta ele desconfiado.

“Emile”

Diz Isa. Logo Dodge compreende que ela partiu.

“Entendi. Vamos voltar ao foco, meu tio esta preso, meu pai deu chá de sumiço e Tania esta desaparecida provavelmente com meu inimigo David.”

Diz Dodge.

“Ele vai querer isto em troca.”

Diz Aly se virando. Estava olhando para janela pensativa.

“Ah eu odeio esta cara.”

Resmunga ele.

“Você não é o único.”

Digo aflita.


Estamos em frente à escola onde ha vários agentes investigando tantas mortes ali, a maioria sabem da nossa existência.

“Por que estamos aqui?”

Pergunta Aly.

“Preciso saber se Bryan esta vivo.”

Digo.

“Bryan ou Breno?”

Pergunta Dodge jogando verde.

“Quem se importa? Deveríamos continuar investigando onde Tania esta.”

Diz Isa. Saímos e nos dispersamos pela floresta que esta ensanguentada, vê logo à frente o castelo ao chão, lembro-me da minha mãe, volto logo para casa.

 


“Demoraram chegar! Quase entro.”

Diz David quando chegamos. Já esta tarde, esta escura.

“Você!”

Diz Dodge furioso.

“Reverência para os príncipes”

Diz David irônico.

“Onde ela esta?”

Pergunta Jack furioso.

“Tacharam.”

Diz David abrindo a porta de trás de um caminhão. Tania esta lá dentro, ha sangue em sua boca e mãos, ela esta comendo algo, um ser humano.


 

 

 

 

 

30 | VITÓRIA

|”Meu nome é Vitoria! “|.

 

No mesmo instante me assusto e respiro fundo.

“O que é isto?”

Pergunta Jack surpreso e preocupado. Ela mostra os dentes.

“Vocês já entenderam o jogo me passe à porção.”

Ameaça David.

“Não!”

Grita Dodge furioso.

“Não pode matar ela, já completou a transição.”

Digo, corro e tento ataca-lo. Um tiro acerta meu braço, logo dói.

“Não podem lutar. Você já deve conhecer esta belezinha aqui.”

Diz ele balançando a arma.

“O solte!”

Grita Dodge.

“Primeiro me de a porção.”

Pede David.

“Não!”

Grita Dodge novamente.

“Dodge para com isto entrega logo isto.”

Pede Aly.

“Não tente fazer isto bruxinha.”

Diz David desconfiado. Ele tira um cordão de dentro da blusa, uma pedra em azul muito bonita.

“Talismã.”

Cochicha Aly.

“Entregue a porção.”

Diz David.

“Não!”

Grita Dodge. Furioso David corre ate Jack e o segura com a arma na sua cabeça.

“Entregue.”

Ameaça ele. Fico furiosa. Tenho vontade de mata-lo, ele é um frouxo, covarde. Jack é apenas um humano.

“Pare!”

Grito.

“Me de a porção!”

Continua ele ameaçando.

“Dodge, por favor!”

Peço.

“Não!”

Grita ele.

“Entregue a porção!”

Grita David.

“Não!”

Persiste Dodge. Enquanto eles gritam, Tânia continua devorando a vítima.

“Esta bem. Vamos deixar tudo mais divertido.”

Diz David quebrando o braço direito de Jack. Sinto uma dor imensa no mesmo local, grito junto com ele.

“Jeane fez um feitiço, tudo o que ele sentir vai atingir Vitoria.”

Explica Aly.

“Entregue a porção!”

Grita David. Agora ele joga Jack ao chão e o chuta diversas vezes na barriga.

“Não!”

Grito caindo junto. Estou sentindo as dores dele.

“Dodge esta machucando ela, entregue a porção.”

Pede Isa.

“Não!”

Grita ele, novamente David chuta e soca Jack no estômago, estou muito fraca desde a queda do castelo de vidro, não resisto, cuspo sangue.

“Dodge.”

Cochicho.

“Primeiro entregue a porção.”

Pede David. Logo Dodge joga e ele apara. Soltando Jack ao chão.

“Já consegui o que queria.”

Diz David puxando Tania de dentro do carro. Ela tenta correr ate Jack que esta ao chão ferido, me transformo e a jogo no chão. Ela esta descontrolada, seguro firme suas mãos, ela tenta lutar para de soltar.

“Não Tania não. Se controla, vai ficar tudo bem. Tudo bem.”

Digo segurando. Ela chora confusa e preocupada.

“Tire ele daqui.”

Peço.


Estou na quadra junto com Bryan e Tania. Fico feliz por ele ter sobrevivido, mas em compensação Alan também esta vivo, a esta altura esta planejando um novo castelo com Jeane. Agora que ele tem tudo em mãos vão ganhar o jogo. Pergunto-me por que Jeane teria matado mamãe, cera___2 que esta sabia de algum segredo da outra. As últimas palavras de Emile foram Jack, Jack. Não sei o que ela quis dizer sobre o garoto, afinal ele esta bem. Só um pouco confuso.

“Então é assim? Eles vão ganhar?”

Pergunta Tânia.

“Destruir o castelo sempre foi um erro.”

Digo.

“Jack se lembra de você.”

Afirma ela como se eu já o conhecesse, mas não conheço.

“Ela não se recorda.”

Explica Bryan.

“Não é minha função cuidar dele. É sua.”

Digo. Ela balança a cabeça com lágrimas aos olhos.

“Sozinha eu não consigo.”

Diz ela.

“Você consegue sim. Vai conseguir. Precisa.”

Digo e meus olhos também estão cheios de lágrimas. Ela olha para Jack que esta ao campo provavelmente recordando de algo.

“Tânia. Você tem que cuidar dele.”

Peço.

Ela balança a cabeça e deixa suas lágrimas caírem. Aproximo e lhe dou um abraço de despedida. Aperto forte. Não sei por que fiz isto, talvez um impulso por vê – lá triste ou talvez seja por que ainda a amo, ela não tem culpa de nada. Soltamos, ela se afasta aos poucos e caminha até Jack no campo. Eu e Bryan observamos, eles se abraçam. Percebo que não ha mais por que continuar ali, esta tudo bem agora.


Narrador: Escritor

A casa de Emile esta intacta, por impulso Vitória corre ate lá com intuito de se lembrar da mãe, confusa e triste ela abre o portão e entra.

Caminha lento, esta fria naquele dia, ela usa um casaco Preto bem maior que seu tamanho adequado, uma calça preta e rasgada ao joelho, um pouco rebelde, seus cabelos estão desajeitados e sua franja meramente bagunçada pelo vento. Correndo e chutando as portas ela procura uma fuga para tanta dor. Sobe as escadas afobadas e sua respiração está pesada, chega ao último andar cansada sem fôlego, arromba a porta e tira a toca da sua cabeça. Ela anda até a varanda, aflita, esta triste, seus olhos demonstram isto. O vento bate e deixa seus cabelos ainda mais bagunçados. Lentamente caminhando pensando em o que fazer. Depois da destruição do castelo ela se tornou frágil como um humano, qualquer acidente é fatal. Ela caminha ate a grade e olha para baixo, cair dali pode matar. Afasta-se devagarinho e tira sua blusa de frio jogando-a no chão. Caminha novamente ate o precipício. Sua boca esta bem vermelha e sua pele mais branca que o normal. Sobe na grade e encara o chão que esta distante. Ela respira funda e deixa suas ultimas lágrimas caírem. Vira-se para pular, ela solta as mãos, mas alguém a segura puxando-a de volta. Ele persiste mesmo a garota sendo pesada e lutando para lhe soltar.

“Me solta!”

Grita ela.

“Não. Nunca!”

Grita o garoto loiro de olhos verdes.

“Me solta. O que esta fazendo?”

Pergunta ela.

“Não Vitória, não!”

Ele grita puxando. Ela se esforça para se soltar, o garoto não desiste e a grade não resiste, um barulho, esta se quebrando, Vitoria solta uma das mãos do garoto, ele puxa com forca e um pedaço da grade cai ao chão. Vitoria grita assustada.

“Breno socorro. Eu vou morrer.”

Grita ela desesperada.

“Eu não vou deixar você morrer!”

Grita ele. Mais um pedaço da grade cai ao chão e Vitoria cai puxando Breno junto, ele abre suas asas e prende no restante da grade, ela grita aos poucos ele a puxa com cuidado, ela esta assustada e com medo, seus olhos estão fechados, Breno puxa a garota para a varanda, ao seu colo ela ainda de encontra com os olhos fechados com medo. Delicado ele toca em sua bochecha, tranquilizada pelo toque, abre os olhos encarando o anjo. Ele é lindo, suas asas são grandes e bem branquinhas, seu corpo é forte e bem definido, suas asas encobre Vitória do vento frio, ele a acolhe em seus braços, a garota esta com os olhos espantados admirando-o seus olhos verdes. O anjo fica a cuidar da princesa.

A rainha esta na floresta segurando uma flecha, alguém lhe persegue, Alan esta atrás de um novo bando de lobos e David de vampiros, enquanto isto Jeane esta na floresta checando e escolhendo o novo lugar do novo castelo. Segurando uma flecha ela mira para todos os lados procurando por algo. Vitória aparece com seu vestido Preto de mãos limpas sem arma enquanto Jeane continua a mostrar a flecha.

“É assim que você recebe uma princesa alteza?”

Pergunta Vitória irônica.

“O que você quer?”

Pergunta Jeane ainda mirando na garota.

“O que houve com arma? Foi emprestada?”

Pergunta Vitoria provocando-a.

“Emile esta morta. Não pode mudar isto. Eu a matei assim como vou fazer com você.”

“Com esta flechinha ai?”

Pergunta Vitória caçoando.

“Esta sentindo falta da mamãe? Veio se vingar? Perdeu seu tempo.”

Diz Jeane furiosa.

“Emile.”

Diz Vitória.

“Mataria demovo.”

Diz a bruxa.

“Pena que você não vai ter esta chance.”

Ameaça Vitória. A bruxa olha preocupada e se afasta com medo, Vitoria se aproxima. Jeane atira uma flecha na sua perna esquerda e logo cata outra para repor, Vitoria continua andando enquanto a outra esta intacta, Vitória tira a flecha da perna e volta a andar.

“Pare!”

Grita Jeane.

“Então você é descendente?”

Pergunta Vitória. Jeane olha apavorada, Vitória corre ate ela e puxa a flecha da sua mão, segura seu braço e morde. A rainha cai ao chão ajoelhado.

“Então é hora de ser vampira.”

Diz Vitória mordendo seu braço, sangue pinga no chão, a garota se aproxima e põe seu braço na boca de Jeane, esta cospe tentando por para fora. Se arrastando tonta olhando para as botas de Vitoria, sua respiração esta pesada, esta muito fraca. O cansaço toma conta de si, ela se entrega ao chão tentando respirar e dizer algo, ha lágrimas em seus olhos verdes, seus cabelos ruivos estão cheios de grama, sua mão esta em cima da barriga em pouso, a rainha esta morrendo e a princesa fica a olhar.

“Vitoriosa, vencedora, origem no latim. Carrega o sentido de triunfo, sucesso e êxito, o qual é compartilhado com as pessoas assim chamadas. Indica a paixão pelo sucesso, guerreira e dedicada. São próprios de pessoas que sentem atração especial por grandes solenidades, ritos e glória. Gostam de ser tratadas como verdadeiras realezas.”

Diz ela olhando diretamente para a rainha ao chão. Agacha-se e põe a mão em cima de seus olhos de modo a fechar.

“Meu nome é Vitoria!”

 

FIM

 

 

REFERENCIAS

K.F ELLEN, Jeane, 04. CIDADE PARA VAMPIROS, p.223