Vitória | 01 | Cidade Para vampiros

Sumário

 

Capa. 1

Sumário. 2

01 | VANTAGEM… 3

02 | CAFÉ DA MANHA.. 7

03 | ASTRO.. 9

04 | COLEÇÃO.. 15

05 | FESTINHA.. 21

06 | NAO MORDE ELE. 25

07 | VISITINHAS. 31

08 | A CANTADA.. 35

09 | TRÁFICO.. 39

10 | JANTAR. 45

11 | BONECAS. 47

12 | A PRIMEIRA DOSE. 53

13 | PLANO B. 59

14 | ADVINHA QUEM VEIO PARA O JANTAR?. 67

15 | SANGUE. 73

16 | TORTURA.. 77

17 | SAIA JA DA CASA.. 81

18 | MAMÃE. 85

19 | ALCATEIA BEM PLANEJADA.. 87

20 | DECODIFICAR. 95

REFERENCIAS. 102

 

01 | VANTAGEM

 

Em um dia qualquer decidi entrar em uma floresta escura, minha vida mudou pra sempre. Sou feliz agora, sem limites, livre, faço o que eu quiser. Olho-me no espelho e me sinto lindos, meus dentes afiados, minha pele branca como a neve, meus olhos escuros que combina com o meu cabelo, nunca me senti assim, tão viva. Fui diagnosticada com leucemia, mas bebo sangue não por isto, bebo por que gosto de matar, gosto do último olhar das vítimas. Com o meu vestido preto me faço de garotinha delicada e frágil, me chamam de princesa. Tenho lá minhas dúvidas.

 


 

Estava na casa da minha mãe adotiva, há pouco tempo ela havia morrido, meu pai estava ali dando suporte a mim e minha irmã, eu fingia não se importar, não tínhamos uma relação amigável. Quando descobri que meu pai casou-se com ela por dinheiro, nossos dramas começaram. Hoje ele se tornou o principal suspeito, e eu iria descobrir cedo ou tarde, mas o que realmente me intriga é a casa, de algum modo ele quer tomar posse disso, não é uma mansão, é uma casa simples, com uma chuva forte poderíamos correr o risco de morar na rua. Afinal o que tinha de tão especial na casa?

 

Enfim estava com o diagnóstico em mãos onde dizia LEUCEMIA com as letras maiúscula. No momento não soube ao certo o que fazer e a quem conversar, não tinha muitos amigos. Havia apenas dois amigos que começaram a namorar, mas devido a um problema com droga, minha amiga Tânia traiu meu amigo Jack. Ele precisava de ajuda e apoio e eu não era a pessoa certa para isto, mas ele insistia em falar comigo.

 

Antes desse terrível diagnóstico participei de um pequeno concurso de vestidos onde eu, isto mesmo, com um vestido preto simples rodado acompanhado de botas, colar e luvas, consegui o prêmio, me tornei uma princesa aos olhos deles, mas por dentro me sentia furiosa e com certeza faria algo para que esteja angústia acabasse.

 

Após o concurso, Jack me olhou com olhos diferentes, desde crianças éramos inimigos, brigávamos por tudo, mas recentemente ele se aproximou de mim de um modo que não dá pra explicar. Minha amiga Tânia percebeu algo diferente em nossa relação e foi conversar comigo, ela se abriu e me disse o motivo da traição, era um trato com um traficante, sexo por droga.

 

Fui ao doutor e ele me disse o que eu já esperava ouvir.

  • Não há transplante, não atingimos o total de doações.

Infelizmente as pessoas são assim, vivemos em um mundo onde ninguém ajuda ninguém. Eu precisava de algo simples que poderia salvar minha vida, apenas um pouco de sangue e OK.

 

Fui até a floresta vestida como uma princesa, o mesmo vestido, botas, colar e luvas, com raiva, pensando em como seria minha vida com esta doença, andei entre as árvores de um lado para o outro. Foi então que tudo mudou…

 


 

Ouvi algo passar depressa. Desviei o olhar e nada. Novamente tornou a passar. Que coisa era aquela? Tão rápido. Andei levemente de costas para uma árvore até encostar. Senti medo e calafrios nas costas. O vento batia forte fazendo meus cabelos negros voarem em minha face, cobria meus lábios rosados, olhei para todos os lados apavorados. E se fosse algo muito perigoso? Não poderia ficar ali, tinha que fugir, então corri, correu muito, foi tolo, em instantes fui atirada ao chão pela coisa. A pancada foi muito forte minhas vistas embarcaram. Levantei com dificuldades e novamente sem que eu conseguisse ficar de PE fui jogada, dessa vez em uma árvore que logo rachou , quando tentei levantar, fui atirada de novo com muita força ao chão fazendo deslocar-me próximo a outra árvore. Alguém se aproximará, não deu pra avistar, estava fraca, minha visão embaçada, consegui apenas ouvir alguém aproximar-se. Algo foi posto em minha boca. Senti um gosto de sangue, senti uma dor profunda em seguida, percorria meus membros como bala, estava engasgada em minha garganta, tentava tirar, mas estava deitada e não conseguia me virar, estava morrendo ali, sem ar, minha cabeça doíam, meus pulsos tive que manter firme ao chão, algo acontecia tudo doía muito, foi como uma convulsão deu um último suspiro e senti que alguém passou a mão em meus olhos fazendo-me fechar.

Acordei no mesmo lugar, diferente, me sentia mais forte, via tudo com mais clareza, aquele sangue foi como o fruto do jardim do Éden, vi o mundo diferente. Sempre odiava espelhos, mas no momento senti uma grande vontade de olhar em um. Estava noite, fui até em casa, entrei no meu quarto onde havia um espelho enorme. Vi minha pele que parecia estar mais branca; meus olhos mais negros e meus dentes afiados. Compreendi tudo, nunca me senti tão linda, nunca me senti uma princesa. Eu estava doente e morreria em pouco tempo, estava com leucemia e ninguém queria me ajudar, vi uma vantagem ali, se ele não queria me ajudar por bem, iam me ajudar por mal.

 


 



02 | CAFÉ DA MANHA

 

Chovia de manha e eu estava com muita fome, fui ate uma floresta, sim eu amava arvores, preferia ficar com elas à com as pessoas. Andei uma boa distância, estava no meio do nada com muita fome. Ouvi um tiro que parecia vim de muito longe. Eu podia ouvir e sentir tudo com mais clareza. Corri mais rápido que o normal até o lugar do barulho. Vi um caçador ali, ele acabará de matar um passarinho, logo viu outro em cima da árvore e tornou a atirar. O pobrezinho do passarinho caiu ao chão.

 

“Tchausinho passarinho”

 

“Tchausinho”

Disse eu, ele se virou e eu ligeiramente corri e escondi.

 

O caçador andou em direção a arvore e eu então decidi fazer meu primeiro café da manhã. Ele se virou quando me ouviu correr, estava atrás dele, quando se virou eu o ataquei, mordi seu pescoço e suguei todo o sangue que havia ali. Quando terminei observei uma corda ali que provavelmente era mais uma armadilha para matar outro animal. Peguei a corda amarrei no pescoço da vítima e o ergui até a árvore onde estava o passarinho.

 


03 | ASTRO

 

Acordei de manha e estava muito quente lá fora. Havia me esquecido do sol, assim que o saí me queimou ligeiro entrei novamente para casa. Logo soube que não seria um dia bom. Voltei para o meu quarto e meu pai resolveu bater na porta.

 

“Vitória. Vou sair, cuide da sua irmã.”

 

“Vai aonde?”

 

“Não é de sua conta. Faça ao que te peço.”

 

“Você não manda em min.”

 

“Mando sim”

Ele segurou meu braço com muita força. Eu também era forte, mas ele era muito mais, isto significava que ele já era um vampiro, mas eu tinha que manter tudo em segredo.

 

“Está me machucando me solta”

 

“Vou fazer pior se não me obedecer”

Eu olhei bem nos fundos dos seus olhos e tive uma imensa vontade de matá-lo, mas não poderia se fosse mesmo um vampiro quem sairia machucada seria eu.

 

Ele saiu de casa e eu tinha que investigar, mas o sol me impedia, se ele era mesmo um vampiro como conseguia andar ao sol? Dei meu jeito. Vesti roupas compridas, coloquei uma capa preta na cabeça e uns óculos de sol, fui pela sombra. Saí na rua e todos olhavam curiosos. Já me vestia estranho por natureza própria, agora então eram difícil todos com olhares direcionados a min.

 


 

Avistei meu pai em um bar conversando com vários amigos. Falavam sobre a casa.

 

“Faremos um ótimo negócio com a casa. Basta você aceitar.”

Disse um homem mais velho que tinha os cabelos brancos e usava uma bengala e óculos escuros. Eu observava tudo de longe, mas conseguia ver e ouvir bem.

 

“Eu estou com vocês. Mas quero fazer parte do negócio. Eu não quero apenas minha recompensa financeira, quero algo a mais.”

Disse meu pai.

 

“Podemos aceitar. Desde que você entre no tráfico”

Disse outro homem parecido com o velho, também usava óculos escuros, mas seu cabelo não era tão branco.

 

“Tráfico?”

Perguntei baixinho. Alguém me cutucou era um garoto magrelo. Assustei-me. Ele tapou minha boca para não fazer barulho.

 

“Marcos o que está fazendo?”

 

“Ajudando-te. Quer saber o que eles estão planejando? É um tráfico, de drogas, sei por que faço parte disso. Perdi a Gabriela por causa disso, mas não tenho escolhas, meu pai manda e eu obedeço.”

Ele cochichou.

 

“E quem te mandou aqui?”

 

“Meu irmão”

É claro foi hipnotizado.

 

“Diz pro seu irmão que quero uma conversa séria com ele”

Hipnotizei marcos e ele saiu de La.

 

Fui para casa me preparar para o encontro. Fiz um lanchinho antes, não sabia do que ele poderia ser capaz. Alguém bateu na porta e eu abri.

“Olá Doge”

“Olá Vitória”

 


 

“Não vai me convidar para entrar?”

 

“Não seja irônico”

 

“Que bom que recebeu meu recado”

 

“Como soube que sou vampiro?”

 

“Suas roupas estranhas”

 

“O que quer falar comigo?”

 

“Meu objetivo aqui è fazer um bom trabalho no tráfico e sugiro que você não se intrometa. Estou lhe avisando, não sabe no que está se metendo.”

 

“Não quero fazer parte do joguinho sujo de vocês, mas posso dificultar se não me ajudar”

Fui clara.

 

“Não me diga que quer andar a luz do sol?”

Perguntou ele debochando.

 

“O que mais seria?”

 

“Terá que fazer muito mais que isto.”

 

“Tipo o que?”

 

“Eu não vou muito com a cara do Jack. Pra mim ele parece ser do time contrário. Tânia é como uma irmã pra mim. Quero que de fim nesse relacionamento, sei que pode fazer isto.”

 

“Farei”

 


04 | COLEÇÃO

 

Em um dia de chuva resolvi fazer um teatro. Fui até a delegacia e vi uma lista de assassinos na cidade. Saí procurando um por um. Encontrei um em um bar, ofereci bebida boa e cara, não foi difícil pendurá-lo numa árvore. Fui atrás do segundo que estava em uma mansão. Não foi difícil entrar, foi divertido, com minha agilidade mordi todos os seguranças. Aproveitei o banquete e levei também para a floresta. Havia muitos corpos pendurados ali, ia me divertir muito aquele dia.

 

Mais tarde Jack bateu na porta do meu quarto. Eu estava passando mal, era à leucemia, apesar de eu ter encontrado uma espécie de cura minha febre continuava alta. Estava deitada na cama e com preguiça de atender.

 

“Vitória sou eu Jack”

Lembrei-me do pacto que fiz com Doge e tinha certeza que minha febre estava alta por que não estava me alimentando direito. Levantei num instante e vesti minha roupa de princesa. Abri a porta e algo aconteceu.

 


 

“Nossa. Você está linda. Esta incrível, esta”

Disse ele, ficou sem palavras. Eu não me sentia muito bem, estava acontecendo algo comigo, eu o desejava, queria muito do seu sangue, queria muito, queria muito, meus olhos ficaram vermelhos der repente.

 

“Você está bem?”

 

“Sim é só a febre”

Respondi abaixando a cabeça indo em direção a cozinha.

 

“Júlia me contou da sua doença. Sinto muito”

Júlia era minha irmã mais nova. Intrometida. Abri a geladeira e pus água em um copo.

 

“Estou bem.”

 

“Eu não”

 

“O que?”

 

“Não estou bem. Eu e Tânia tivemos que terminar, mas ela não aceita isto”

Explicou ele.

 

“Sinto muito”

Bebi um pouco da água.

 

“Ela tem que entender que acabou e não tem mais volta. Além disso, estou interessada em outra”

 

“Posso saber quem é?”

Perguntei engolindo um pouco mais de água.

 

“A chamamela de princesa”

Quase engasguei com esta resposta.

 

“Vai ser mais fácil do que pensei”

Disse baixinho.

 

“O que disse?”

Perguntou ele.

 

“Nada.”

Voltei à sala disfarçando meu interesse.

 

“O que vai fazer hoje?”

Estávamos sozinhos em casa. Esta era uma boa chance, mas eu não podia tentar nada agora, queria muito matá-lo.

 

“Nada”

 

“Então vamos”

 

“Não”

Respondi antes de ele completar.

 

“Desculpa eu não estou bem. ”

Já sabia que ele me chamaria para alguma festa.

 

“Desculpa o incomodo. Liga-me se precisar de algo. ”

Ele saiu, uma pontada bateu em meu coração, admito que o cheiro do sangue dele me chame bastante atenção, sempre que tive vontade de matar alguém eu matava, mas com ele não pude, não podia se não Doge não me daria o que eu queria, não podia matá-lo, fiquei furiosa, muito furiosa, eu quebrei tudo que encontrei ali. Eu queria muito matá-lo. O tipo do seu sangue combinava exatamente com o meu. Eu o queria muito, mas não podia fazer aquilo. Saí dali furiosa e descontei nos primeiros que encontrei. Vi um homem na esquina corri ate ele é quebrei sua cabeça. Levei até a floresta arrastando pelo pescoço mesmo, me alimentei, mas eu ainda estava com fome. Não importavam quantas pessoas matasse, a minha fome ainda estava ali. Depois que vi Jack me descontrolei emocionalmente e fisicamente. Não conseguia entender o que estava acontecendo com meu corpo. Olhei para minhas mãos estava tremendo, estava com medo, não sabia o que significava isto. Matei muitas pessoas naquela noite. Preferia as mulheres o sangue delas era mais gostoso, elas ficavam desesperadas e implorava para solta-las, era isso que fazia meu show ficar bom. Alimentava-me na frente das vítimas para que elas já se preparassem para o pior. Eu as via gritar e ficava feliz ao ponto de dar pulinhos. Foi doentio. Foram muitas vítimas naquela noite. Fiz uma boa coleção na floresta.

 


05 | FESTINHA

 

Estava tentando dormir, mas o som estava alto. Estava tendo uma festa ali e sabia que Jack tinha ido. Arrependi-me de não ter aceitado o convite. Não era tarde pra ir então me vesti. Coloquei uma calça preta rasgada aos joelhos, botas e meu vestido preto. Fui correndo.

Cheguei lá e passava uma música eletrônica, escutava tudo com clareza então o som estava me machucando. Meu objetivo era ir até o DJ, hipnotizá-lo para desligar o som, mas algo me impediu. Observei Jack beijando minha irmã, foi uma cena terrível para mim.

 

Fiquei com muita raiva, fingi não ter visto nada e fui até o balcão, engoli uma bebida forte. Havia muitas pessoas ali, e eu estava faminta, mas tinha que ser discreta. Bebi mais uma dose da bebida.

“Vai com calma princesa”

Disse um garoto pardo parecido com Jack, também tinha os olhos castanhos.

 

“Chamo-me Pedro”

Ele estendeu a mão.

 

“Vitória”

Cumprimentei.

 

“Ah você está ai”

Disse uma garota chegando. Era linda branca e tinha os cabelos negros, seus olhos azuis como o céu.

 

“Anne acalme-se”

Disse Pedro.

 

“Acalme-se, há um monte de traficantes aqui”

 

“Isto não é problema para nós sabe disso. ”

 

“Eles podem pegar suas armas e sair atirando em todo mundo. ”

 

“Relaxa. Faça como a Vitória, engole esta aqui”

Disse Pedro passando um copo.

 

“Está bebendo? ”

Perguntou Anne surpresa.

 

“Vitória vai sair daqui”

Ele me puxou para a multidão.

 

Dançamos com os copos em mãos. Bebi e dancei muito. Felizmente Jack me avistou e eu propositalmente beijei Pedro. Abri os olhos e avistei Jack saindo. Agora que tinha conseguido o que queria fui comemorar. Hipnotizei Pedro.

 

“Agora que você já foi usado pode cair fora. ”

Disse olhando firme em seus olhos. Num instante ele saiu.

 

Ao lado da casa noturna avistei usuários e traficantes de drogas. Nunca havia experimentado uma, então está era a hora, eu queria comemorar. Cheguei com meu jeito meigo e delicado, matei dois usuários quebrando o pescoço deles. Avistei os traficantes correrem fui atrás ainda mais rápido, os joguei ao chão e fiz minha festinha. Todas as drogas que eles usaram eu senti no ato de beber o sangue, foi incrível.  O som estava bem alto então fiquei triste por não ouvir os gritos deles.

 


06 | NAO MORDE ELE

 

Depois da festa não tive sono. Fui até casa de Jack ver se ele estava bem. Dormia tranqüilo em sua cama, tentei entrar, mas não consegui então apenas observei pela janela. Enquanto ele dormia subi em uma árvore para avistar se havia alguém na floresta. Infelizmente ninguém, teria que me alimentar de outro modo. No momento em que ia descer Jack apareceu subindo a árvore.

 

“O que está fazendo? ”

Perguntei

 

“Subindo”

Finalmente estávamos no mesmo galho.

 

“Nossa. O que faz aqui tão cedo? ”

Pergunta ele.

 

“Nada. ”

Estava preocupada com o sol. Tinha que expulsa-luz dali.

 

“Você tem que ir. ”

Tentei hipnotizar.

 

“Por quê? ”

 

“Deve entrar em sua casa e sair apenas quando eu estiver longe. ”

Olhei firme nos olhos dele.

 

“Não.”

Ele respondeu e eu vi que não deu certo. Algo estava errado. Não conseguia hipnotizar ele, por quê? Deu certo com todos, mas não com ele.

“Vi-te na festa ontem. Achei que estava passando mal.”

Disse ele.

 

“Também te vi muito bem acompanhado”

 

“Sua irmã é maluca”

 

“Ela é idiota isto sim”

 

“O que disse? ”

 

“Nada”.

Respondi virando o rosto.

 

Um vento forte bateu fazendo meus cabelos voarem. Logo senti o cheiro do sangue dele e tive uma imensa vontade de mordê-lo.

 

“Está bem? Parece pálida e seus olhos”

 

“Não é nada. Estou doente lembra? ”

Virei imediatamente os olhos.

 

“Deve descansar”

Assenti com a cabeça.

 

“Quer saber vou abrir o jogo pra você. ”

Disse ele.

 

Olhei nos seus olhos castanhos. Havia algo diferente quando olhava nos olhos dele. Sentia mais fome.

 

“Eu gosto de você. Mas não deste jeito sabe? Eu amo você e quero ficar com você”

Ele disse e eu avistei Doge bem distante. Lembrei do que ele me disse.

“Também gosto de você”

Menti mordendo os lábios. Não sabia ao certo se era mentira. No fundo eu gostava mesmo de Jack, eu desejava seu sangue a todo instante. Ele aproximou-se ainda mais de mim e a vontade de matá-lo ficou ainda mais intensa. Fechei os olhos e tentei me controlar. Ele colocou seus lábios juntos aos meus e nos beijamos. Eu estava com muita fome e sentia uma imensa vontade de mordê-lo. Ouvi Doge dizer.

“Não morde ele”

 

Mas eu queria muito. Doge voltou a repetir

 

“Não faça isso. ”

Com muita dificuldade apenas retribui o beijo, me afastei quando vi que não conseguiria me segurar. Pulei do galho e corri ignorando o sol. Tenho certeza que Jack achou estranho o jeito em que pulei da árvore.

 

Corri até em casa, mas antes de entrar Doge entrou na minha frente.

 

“Sai da minha frente”

Eu estava queimando.

 

“Falta pouco Vitória”

 

“Me solta”

Ele me segurava dando gargalhadas.

 

“Fica quieta e escuta”.

Gritou ele.

 

“Me solta esta me machucando. ”

 

“Você tem que procurar um livro na casa. É importante. ”

 

“Me solta! ”

 

“Você vai fazer! ”

 

“Eu vou fazer, eu prometo”

Ele me soltou e eu entrei em casa caindo ao chão de barriga para cima recuperando o fôlego.

 


07 | VISITINHAS

 

Estirada ao chão, com os ferimentos do sol. Levantei e cai na cama. Logo Jack entrou sem minha permissão.

 

“O que está fazendo aqui? ”

 

“Vim te visitar”

 

“Eu não quero visitas. Saia. Saí daqui. Sai”

Gritei e ele saiu. Não queria fazer aquilo, mas não tive escolha. Estava com fome, assim que o sol me abaixasse iria me alimentar do primeiro imbecil que visse na frente.

Não demorou muito e de novo alguém bateu na porta. Pensei que fosse Jack.

 

“Jack eu já disse saia daqui”

Abri a porta e vi Tânia.

 

“Jack estava aqui? ”

Sabia que ela ia chorar por isso, ela o amava e eu odiava coisas sobre o amor, já estava estressada por conta da fome.

 

“Quer entrar? ”

Perguntei gentil mudando o tom de voz.

 

“Sim obrigado”

 

“Eu que agradeço”

Fechei a porta e brinquei de mordidas com minha melhor amiga. Deixei marcas em seu corpo todo. Pescoço, braços, costas.

 

Ouvi meu pai chegar. Ele sempre tinha que estragar tudo, então infeliz teve que hipnotizar Tânia para cair fora dali.

 

“Gostou do meu vestido? Saiba que sou a nova princesa daqui, hora de cair fora, e me faça um favor pare de perseguir Jack. ”

Ela saiu.

 

Ele, meu pai, estava de moto. Uma moto muito bonita e cara. Logo desconfiei. Ele não tinha dinheiro para aquilo. A conversa sobre vender a casa foi estranha. Será que ele fez isso? E Doge me disse agora a pouco sobre um livro. Eu tinha que encontrar antes da venda da casa. Enquanto meu pai estava babando pela moto ao lado de fora eu saí procurando por todo lado alguma coisa relacionada a este livro. Abri gavetas, joguei roupas para todos os lados. Baguncei tudo, mas não encontrei nada. Que livro era este? Por que ele é tão importante? Antes de responder às minhas perguntas Doge bateu na porta.

 

“Encontrou? ”

 

“Não”

 

“Inútil. Você é inútil. ”

 

“O que está fazendo aqui? ”

 

“Vim te dar dois aviso. 01 – Encontre o livro e 02 acabe com o tráfico desta cidade”

 

“O que? O que o tráfico influência? E por que este livro é tão importante? ”

 

“Você tem um dia para fazer isso. Amanhã eu quebro o pescoço da sua irmã o que me diz? ”

 

“Vou procurar o livro”

 

“Seu tempo está passando. Tic tac, tic tac. ”

Bati a porta. Chega de visitas.

 


08 | A CANTADA

 

Eu tinha que encontrar o livro. Mesmo procurando muito não consegui encontrar. Já estava noite. Já estava cansada e com fome. Decidir sair de casa. Fui até a praça.

 

Estava vestida como princesa, usava uma meia até o joelho, botas e luvas. Um garoto bonitinho me deu uma cantada.

 

“E então vamos dar uma volta? ”

Chamei e ele me acompanhou.

 

Levei-o até um rio ali, próximo onde havia algumas árvores. Gostava de lugares isolados para que pudesse ver as vítimas gritar. Meu dom não era só matar, mas sim torturar. Aquele garoto merecia sofrer. Chegamos ao rio.

 

“Venha não tenha medo. Eu não mordo.”

Chamei com ironia. Vi um machado ali. Poderia ser útil para mim. Logo soube que seria divertido.

Ele aproximou e me beijou, veio com mão boba e tocou na minha bunda.

 

“Vai se arrepender por isso”

Ameacei.

 

“E qual vai ser meu castigo? ”

 

“Isto”

Mostrei meus dentes e mordi seu pescoço.

 

Antes que ele morresse joguei o no chão.

 

“Não, não!

Ele implorava.

 

Minha boca estava cheia de sangue. Peguei o machado. Vi o olhar triste do garoto pedindo para eu não fazer.

 

“Não! ”

 

“Acalme-se vai ser divertido ”

Eu disse lambendo os lábios. Levantei o machado e taquei na sua perna direita. Ele gritava muito e eu achava ainda mais divertido. Com um sorriso gigante no rosto continuei minha brincadeira. Sangue espirrou em minha roupa. Arranquei os dois pés dos garotos e pendurei na árvore. Ele já estava morrendo quando resolvi também tirar suas mãos. Quando finalmente tirei a primeira ele estava sem pulsação. Continuei tirei também sua outra mão. Pendurei a cabeça, os pés e as mãos do garoto na árvore, via o sangue pingar na água.

 

“Missão cumprida. ”

Disse pra min. Peguei o resto do corpo e fiz proveito dele.

 


 

09 | TRÁFICO

 

Depois que terminei o jantar me deparei com Doge na praça.

 

“Temos que conversar ”

Ele me puxou.

 

“O que houve? ”

 

“Até então nada. Mas não podemos vacilar. Conseguiu encontrar o livro?”

Ele cochichou

 

“Claro que não ”

 

“Você está vacilando. Não temos muito tempo. Seu pai está nesta também se ele encontrar este livro e entregar em mãos erradas estará vivendo um verdadeiro desastre”

 

“O que este livro há de tão importante? ”

 

“Ah Vitória não dá pra dar detalhes. Encontre até amanhã. Se não faço da sua irmã meu almoço. ”

 

“Eu estou tentando. Diz-me por que este livro é tão importante? ”

 

“Encontre e você terá seus ganhos. ”

 

“Por que os vampiros desta cidade tem se multiplicado? ”

 

“Tráfico ”

 

“O que? ”

Ele saiu me deixando sem respostas.

 

“Doge! ”

 


 

Estava tudo muito confuso para min. Havia tempo que não ia à floresta. Resolvi ir. Infelizmente quando as mortes ficaram freqüentes as pessoas começaram a ter medo de sair de casa, o que dificultava minha brincadeira na hora da refeição. Aquela floresta estava vazia e escura. Subi em uma árvore procurando qualquer sinal. Até mesmo os policiais que investigaram as mortes ali estavam com medo. Não havia ninguém até então. Algo me derrubou da árvore. Caí ao chão. Levantei rápido e vi ali um homem branco de cabelos negros.

 

Assustada perguntou.

 

“Quem é você? ”

 

“Concretiza não sou seu jantar”

Disse ele. Tinha razão, era apenas mais um vampiro me deixando decepcionada.

 

“Sou um índio, estou à procura de vampiros”

 

“Para matá-los? ”

 

“Não. Para brincar de derrubá-los da árvore. ”

Ironizou

 

“Não sou um. Não ainda”

Menti. Há tempos me encontrava fraca por conta da doença e mesmo alimentando isto piorava a cada dia.

Em compensação dava para mentir por conta da fraqueza

 

“Ainda não completou a transição ”

Disse ele

 

“Não pretendo completar. Não quero viver assim. Prefiro morrer. ”

Menti e ele parecia acreditar. Não foi difícil fazer isto. Quando os vampiros está há muito tempo com fome, têm suas conseqüências, perda de alguns dons como ler mente, não conseguem hipnotizar, tem pouca agilidade e eficiência nos sentidos. Eu vi que aquele índio era inteligente, mas não forte fisicamente, eu pude mentir sem dificuldades afinal eu era apenas uma garotinha delicada, uma princesa.

 


 

“Como os vampiros tem se multiplicado?”

Perguntei

 

“Trafico”

 

“O que isto influencia? ”

 

“É uma droga diferente baseada em dois conceitos. Primeiro matar o humano e depois o transformar. Algum vampiro muito forte, provavelmente o sangue de um original está servindo como o segundo conceito, o de transformar. O resto você já sabe, vem a fome. ”

 

“Por que isto? ”

 

“Não sabemos ainda. Mas temos um plano de sobrevivência e alterações dos fatos. Estamos procurando os vampiros e mudando-os. ”

 

“Como sabe tanto sobre isto? ”

 

“Quando me transformei matei muitos e eles me ajudaram. ”

 

“Eu não preciso da sua ajuda”

 

“Você pode controlar depois que completar o ciclo. ”

 

“Eu não quero”

Virei saindo.

 

“Pode fazer coisas comuns como pessoa comum”

Parei de caminhar.

 

“Posso andar no sol? ”

 


 

Mais tarde depois da conversa com o índio me encontrei com o Doge. De novo ele me ameaçou. Mas logo perguntei.

 

“O que sabe sobre índios? ”

“Perigosos. Muito perigosos”

Respondeu ele com um olhar de medo.

 



10 | JANTAR

 

Aquela cidade a cada dia ficava mais perigosa. Os vampiros estavam se multiplicando, isto seria difícil, pois em algum momento teríamos que lutar pela comida. Agora que eu já sabia do tráfico tinha que descobrir o porquê disso. Por que tantos vampiros? O mundo vai ser assim agora? Como vão sobreviver? Os vampiros dependem dos humanos, infelizmente. Agora eu tinha que aproveitar já que a comida ali poderia estar em extinção.

 

Andava por ruas escuras sozinha na calada da noite. Estava com muita fome, a cada dia isto piorava quanto mais me alimentava mais faminta ficava. Cheguei a casa peguei uma faca e um garfo, voltei às ruas e avistei um homem que provavelmente estava voltando do trabalho. Sempre com meu vestido preto me sentia mais forte. Eu o segui, ele logo percebeu e acelerou os passos. Insisti caminhei um pouco mais rápido. O homem caminhava rapidamente e olhava várias vezes para trás. Aquilo me deixava ainda mais com fome, me dava mais vontade de matá-lo. Seu medo fazia seu sangue esquentar e eu pude sentir. O homem continuou andando ligeiro e eu estava apenas alguns passos dele. Ele olhou novamente para trás e correu. Infelizmente ele alcançou a sua casa e entrou, como não podia entrar fiquei ao lado de fora. Esperei outro vim.

 

Não demorou muito e uma mulher apareceu na rua, assim que ela me viu ficou com medo. Passou por mim e eu pude sentir ainda mais de perto seu medo, seu cheiro e seu sangue. A segui, ela fez exatamente igual ao homem, acelerou os passos. Mas desta vez eu não ia vacilar. Corri rápido parei em sua frente.

“O que está fazendo? ”

Ela perguntou amendrotada.

Mostrei o garfo e a faca.

 

“Vou jantar”

Apenas gritos.

 



11 | BONECAS

 

Era hora do almoço. Não o meu almoço, mas o de Doge. Ele me ameaçou a dias por conta do livro. Eu revirei a casa procurando, mas não encontrei. Em poucos dias meu pai poderia finalizar a venda, o que dificultava ainda mais meu processo de procura. Jack bateu na porta.

 

“O que está fazendo aqui? ”

 

“Visitando-te ”

 

“Não deveria. ”

No mesmo instante  chegou.

 

“Oi amor ”

Ele propositalmente me deu um selinho na boca e deixou Jack confuso.

 

“Mas e a Gabriela? ”

Perguntou este.

 

“Ela é apenas minha boneca”

Respondeu  e Jack ficou ainda mais confuso, mas eu pude entender, Gabriela era apenas a bolsa de sangue dele.

 

“Vou deixá-los a SOS”

Disse Jack saindo chateado.

 

“Agradeça a mim. Este idiota gosta de você”

Disse  quando Jack já estava longe.

 

“Por que você fez isto? ”

 

“Ele ficou com ciúmes, deu certo. Ah e a propósito pare de brincar de mordidas com a Tânia. Ta roubando meu posto. ”

 

“Você é doente. ”

Respondi.

 

“Ora não sou que levo uma faca e um garfo para o jantar”

 

“Facilita o meu lado. Uma ironia”

Respondi orgulhosa.

 

“E o livro? ”

 

“Nada”

Respondi.

 

“Beleza. ”

Ele respondeu saindo. Parecia estar de bom humor.

 

“Vai fazer algo com minha irmã? ”

 

“Não. Gostei do seu beijo. Encontra-me mais tarde na praça ”

 


 

Antes de eu ir à praça chamei Tânia até minha casa.

 

“Você disse que queria conversar comigo”

Disse ela entrando.

 

“O que quer dizer? ”

Perguntou ela.

 

“Isto”

Mostrei meus dentes e mordi seus lábios até sangrar, depois o pescoço e os seios. Ela era linda loira com os olhos verdes. O que me deixava ainda mais faminta.

 


 

Na praça  estava acompanhado de Gabriela, uma garota loira com olhos azuis, corpo perfeito, uma verdadeira princesa. Esta é Irma de Tânia.

 

“Vaza”

Disse ele e ela obedeceu.

 

“Não pode deixar seu pai concluir a venda”

Disse ele a mim.

 

“E como vou impedir? ”

 

“Se vira. Fiquei sabendo que você e sua irmã têm parte na casa, faça algo.”

 

“Por que a casa é tão importante? ”

 

“O livro está La”

 

“Por que o livro é tão importante? ”

 

“Pare esta parecendo um gravador”

 

“Quer saber faça o que quiser com minha irmã, mas tenha certeza de algo eu terei dois bonecas e é melhor ter cuidado nunca gostei de brincar com isto, sempre preferi bolas, skate coisas do tipo. ”

Virei saindo.

 

“Espere”

Olhei para seus olhos cinza.

 

“Isto aqui não é uma brincadeira. Não é um jogo onde vampiros matam humanos. Esta história vai além. ”

 

“Então me diga”

Ele olhou para baixo e criou coragem.

 

“O livro é um tesouro. Ele dar um poder absoluto a um vampiro ou lobo. John sabe desta história por isso ele quer comprar a casa. É importante que peguemos o livro antes dele, se cair em mãos erradas isto aqui vai virar um verdadeiro inferno.”

 

“Você disse que os índios são perigosos”

Ele olhou para mim confuso, levantei a sobrancelha tive uma idéia.

 



12 | A PRIMEIRA DOSE

 

Agora que eu sabia de toda a história do tráfico e do livro fui até a floresta procurar pelo índio. Não demorou muito e ele apareceu. Contei tudo o que eu sabia.

 

“Estou disposto a ajudar. Posso me comunicar com a tribo para resolvermos isto, mas em troca terá que deixar eu te ajudar.”

 

“Você é doente. Eu sou um vampiro. Sabe o que pode acontecer quando completar a transição? ”

 

“Sei sim. É por isso que vou te ajudar. Você vai aprender a viver de outra forma sem ter que matar ninguém. ”

Era uma idéia absurda. Eu gostava de matar e brincar com os humanos, isto seria difícil pra mim.

 

“E a primeira dose? ”

Perguntei.

 

“Vamos dar um jeito. Precisamos de alguém que tenha o sangue compatível com o seu. ”

Ele descobriria cedo ou tarde sobre minha doença e minhas mentiras.

 

Não ia ser fácil encontrar alguém com o sangue compatível. Eu conhecia apenas uma pessoa e eu tinha muito medo dela.

 

“Conheço uma. ”

 

“Perfeito. Traga-o até amanhã. Completaremos a transição, faremos um feitiço para que possa andar no sol, vamos te educar na alimentação e depois são depois eu digo a eles sobre o livro e o trafico. ”

 

“Não temos muito tempo. Meu pai provavelmente vendeu a casa o que dificulta ainda mais o processo. ”

 

“Posso adiantar este lado ainda hoje, mas tenho que ser convidado a entrar. ”

 


 

Cheguei a casa e dei permissão para o índio entrar.

 

“A propósito qual seu nome? ”

 

“Marlon ”

Respondeu ele iniciando a procura. Alguém bateu na porta, era Jack, ele não podia saber de nada.

 

“Jack o que faz aqui? ”

 

“Vim te visitar”

Ele sempre dizia isto. Revirei os olhos.

 

“Consiga um guarda chuva temos que conversar”

Pedi, já que não podia hipnotizar.

 

“Por que um guarda chuva? ”

 

“Não posso andar no sol lembra”

Cochichei. Ele saiu, fui ate Marlon e disse sobre minha saída.

 

“Por que ele está sabendo? ”

Perguntou o índio.

 

“Por que ele é meu melhor amigo. ”

Menti e sai.

 


 

Ao lado de fora com Jack tentei dar explicações sobre o beijo de Doge.

 

“Eu não gosto dele. ”

Disse.

 

“Que bom”

 

“O que? ”

 

“Nada”

Respondeu ele sem jeito. Eu senti o sangue dele ainda mais forte quando um vento bateu.

 

“Preciso que me ajuda em uma coisa”

Pedi. Estávamos em frente à outra casa que também era da minha mãe adotiva. Esta um pouco mais simples feita de tijolos, escura sem luz e água. Olhando a noite parecia uma casa mal assombrada.

 

“Em que posso te ajudar? ”

 

“Sangue”

Disse.

 

“Amanhã vou lá ao”

Antes que ele dissesse hospital, o beijei. O índio  podia saber de nada. Jack me olhou admirado.

 

“Preciso ir”

Fui embora o deixando no sol, confuso.

 


 

Depois de muito tempo procurando o livro, o índio não pode concluir a busca.

 

“Amanhã à tarde no mesmo lugar. Tchau. ”

Ele foi embora.

 


 

No outro dia de manha fui bem cedinho à casa de Jack. Estava ventando muito. Bati na porta da sua casa.

 

“Oi quer entrar? ”

 

“Não. Quer dizer ”

Ele foi burro em ter me convidado. Mas estava ventando ali fora, eu não tive outra opção. Tentei entrar, mas não consegui mesmo ele me convidando não pude entrar. E agora? Pensei.

 

“Eu prefiro não incomodar”

Disse. Ele saiu e um vento forte me bateu senti o cheiro do seu sangue, instantaneamente meus olhos ficaram vermelhos.

 

“Está bem? ”

 

“Estou com fome”

 

O ataquei. Ouvi seus gritos e acordei na cama toda suada. Foi apenas um pesadelo.

 


 


13 | PLANO B

 

“Entra”

Disse novamente ao índio deixando-o entrar para de novo procurar o livro.

 

“Você gosta dele não é? ”

Perguntou Marlon o índio.

 

“Que absurdo. Não seja ridículo ”

 

“No fundo você gosta sim”

 

“Não. Não gosto. O sangue é exceção ”

 

“Está pronta? ”

 

“Sim”

Respondi. Ele colocou um pouco do sangue de Jack a um copo e jogou algumas folhas que de longe me deu ânsia de vômito.

 

“O que é isto? ”

Perguntei enjoada.

 

“Verbena. Vai te ajudar a controlar. No início vai ser muito difícil. Vai querer colocar para fora, mas você tem que ser forte. ”

Olhei para o copo e olhei para Marlon. Balancei a cabeça negativamente e sem pensar duas vezes coloquei um pouco na minha boca. No mesmo instante quis colocar para fora, mas Marlon segurou minha boca como uma mãe segura a do seu filho na hora do remédio. Foram assim nós primeiros goles. Depois eu ainda queria vomitar, mas não precisava tanto da ajuda dele. Tossi diversas vezes, o sangue parecia estar engasgado em minha garganta. Tossi muito, fiquei sem ar e pensei por um instante que morreria. Até que cai ao chão, sentia-me fraca, Marlon me pegou ao colo e me levou para fora para tomar um ar. Pôs-me sentada em uma cadeira.

 

“Tem algo errado ”

Disse ele.

 

“O que está errado? ”

Perguntei sem voz por conta da fraqueza. Estava suando, com o vestido então.

 

“Geralmente eles tomam tudo, já você não chegou nem na metade. É como se você já tivesse se alimentado. Pra você está mais difícil. ”

 

Eu não podia mais mentir, eu matei muitas pessoas e cedo ou tarde ele descobriria. Mas tudo seria em vão.

 

“Tem sim um problema. Eu fui diagnosticada há pouco tempo com leucemia, me encontro perdida, fraca, sem rumo”

 

“Você devia ter me falado antes, poderia ter morrido. ”

 

“Não importo. ”

 

“Está tentando se matar? ”

Perguntou ele, pobre coitado pensava mesmo que não me importava com a minha vida, que era apenas uma garota frágil e delicada perdida.

 

“Eu não quero ser isto”

 

“Nós vamos dar um jeito. Eu prometo”

Eu não sei como, mas, por um instante senti que aquele índio queria me ajudar de todas as formas possíveis e eu estava dando brecha a isso.

 


 

Mais tarde Jack bateu na porta da minha casa, entrou logo me beijando. Um beijo intenso e longo, muito bom, depois que tomei a primeira dose sentiu menos o cheiro do seu sangue. O índio nos pegou de surpresa.

 

“Quem é ele? ”

Perguntou logo Jack.

 

“É um amigo da minha mãe. Ele está me ajudando. ”

Menti.

 

“Ajudando em que? ”

 

“Na investigação do”

 

“Marta morreu de uma forma literalmente estranha. Éramos amigos, sei que há algo errado aqui, nos unimos para descobrir”

Completou o índio.

 

“Se tem algo errado aqui, este algo se chama Thomas. ”

Disse Jack.

 

“Vou deixa-Luiz a sós. Amanhã partiremos para o plano B”

Disse Marlon saindo.

 


 

Finalmente a sós novamente Jack me beijou. Antigamente eu me deixava cedia por que Doge me manipulava, também gostava do cheiro do seu sangue, mas agora nada justificava aquilo. Interrompi o beijo, não podia amá-lo, não podia encontrar motivos para isto.

 

“Saía daqui”

 

“O que? ”

 

“Não podemos. Não podemos ficar juntos. ”

 

“Por que está dizendo isto? ”

 

“Por que eu não gosto de você. ”

Menti.

 

“Vitoria? ”

 

“Gosto do Doge. ”

Ele saiu confuso.

 


 

No outro dia Marlon apareceu e eu pude entender o plano B. Andar no sol. Ele trouxe algumas coisas na qual não sabia o que era. Um amuleto, um livro de feitiços, velas e uma mulher na qual não conhecia. Uma ruiva, muito bela e não parecia ser da tribo, não se vestia como tal, usava roupas chiques e elegantes, botas aos pés, calças coladas e blusa com decote. Uma maquiagem impecável combinava com seus olhos verdes e sua pele branquinha como a neve.

 

“Está é Jeane. Ela vai lhe ajudar com o feitiço do sol”

Ela estendeu a mão e eu apertei. É só o que me lembro.

 


 

Acordei no meio do nada. Na floresta embaixo do sol. O dois me observava.

Ela disse algo que não entendi.

 

“Obrigado”

Respondeu Marlon.

 

“Bem. Vou indo. Amanhã continuo às buscas. ”

Disse Marlon despedindo.

 

“Obrigado”

Agradeci.

 

Não tinha este hábito, mas andar no sol era tudo o que eu desejava e ele me ajudou.

 


 

A noite logo chegou, estava em cima de uma árvore quando senti o cheiro de Jack. Ele vinha pela rua. Ouve um barulho. Logo em seguida gritos. Corri ao local e vi Jack ao chão, ao lado  junto com dois outros vampiros e a bruxa que me ajudará mais cedo, a ruiva.

 

“O que? ”

Perguntei e  olhou para mim furioso.

 

“Olhe quem chegou para o jantar”

 


14 | ADVINHA QUEM VEIO PARA O JANTAR?

 

“O solte”

Pedi.

 

“Calma Vitória, se for boazinha podemos dividir em partes iguais. Afinal é só mais um lanchinho”

Disse Jeane.

 

“O que está havendo? ”

Indaguei.

 

“Você me traiu”

Disse  apontando o dedo para mim.

 

“Não me diga que está com ciúmes do nosso beijo? ”

 

“Não seja irônica. ”

 

“O que vocês são? ”

Perguntou Jack amedrontado.

 

“Você já vai saber”

Disse Jeane.

 

“Solte o”

Pedi mais uma vez.

 

“Está bancando a princesinha agora. Fazendo tudo da maneira correta. Enfiando verbena em seu corpo ”

Disse Doge.

 

” eu não vou falar de novo. ”

 

“Está bem”

Ele se afastou. Jack levantou-se,  correu e o jogou com muita força na parede da casa antiga de minha mãe.

 

“Não! ”

 

No mesmo instante eu ataquei. Ele me jogou ao chão e me deu vários socos. Senti o cheiro de o sangue pairar ainda mais forte no ar. Levantei e lutei com Doge, derrubei ao chão. Algo estava diferente ali. Eu ganhei uma imensa força. Com facilidade derrubei os outros dois vampiros e Jeane correu indo embora com medo de algo, mas eu não era tão má assim, era?  Levantou-se.

 

“Seus dias estão contados. ”

Ele ameaçou saindo.

 

“Afinal eu já fiz o que queria fazer”

Vi o sangue nas mãos de Jack e não pude controlar meus olhos instantaneamente ficaram vermelhos, corri, mas antes de caçá-lo alguém me empurrou. Era o índio.

 

“Jack corra para casa! ”

Gritou o índio.

 

Ele obedeceu enquanto o índio me segurou.

 

Lutei para fugir, mas eu não queria machucá-lo.

 

“Vitória. Acalma. ”

 

“Você me traiu. Mentiu para min. ”

Gritei.

 

“Eu não sabia que ela era isto. Não sabia de nada. ”

Ele por fim me soltou e eu não ouvia nem um rastro de Jack.

 

“Você é uma grande idiota. E quer saber de uma dane-se o livro e a vida daquele humano infeliz. Eu sempre matei e sempre gostei disso. Não vou deixar nenhum índio tirar minha identidade. Eu não tenho medo de você ”

Gritei saindo virando as costas.

 

“Deveria”

Disse ele enfiando uma estaca próximo ao meu coração.

 


 

Acordei acorrentada em uma floresta, a mesma que fui transformada, mas estava em lugar mais distante, com bastante fome. Estava com raiva de tudo e de todos. Queria matar aquele índio. Queria matar Jack, não fazia mais sentido menti-lo vivo. Ele era uma boa refeição por que não aproveitar? Eu não podia o deixarele fazer isso comigo. Não podia o deixarele ser meu ponto fraco. Antes de tudo tinha que sair daquela corrente e riscar o índio da minha lista.

 


 

Não demorou muito e ele logo apareceu.

Lutar e brigar com ele eram inútil. Então fiz minha ceninha.

 

“Ajuda-me. Tem algo errado. Por favor. ”

 

“Acho que já tenho uma resposta para isto”

Disse o índio.

 

“Impriting”

Completou-o.

 

“O que? O que é isto? ”

 

“Uma ligação. Entre vampiros ou lobos. Na língua dos humanos se chama amor”

Quanta baboseira pensou.

 

“Ajuda-me. Ele está em perigo. Por favor.”

 

“Sim Vitória, ele está em perigo. O perigo é você”

No mesmo instante algo atravessou a barriga do índio. Era uma estaca. Quem atirou foi Jeane que vinha logo atrás vestida impecavelmente desta vez com um, sobretudo com um capuz na cabeça. Mesmo na floresta ela estava bem vestida. Ela olhou para mim com desaprovação e disse.

 

“Uma princesa de vestido preto”

 



15 | SANGUE

 

“Estou livre”

 

Pensei.

Ela quebrou a corrente presa a árvore, mas ainda estava no meu pescoço, Jeane saiu me puxando pela floresta como um cachorrinho, eu me arrastava para trás, mas ela era mais forte, me puxou com sua força, eu tentava lutar, mas não adiantava.

 

“Anda vamos não quero te machucar. Você tem que chegar lá como uma princesa”

 

“Me solta. Me solta. ”

Ela continuava a puxar. Foi assim até chegarmos à beira de um rio, avistei mais a frente uma casa abandonada. Ela me jogou lá, avistei  acompanhado de seu pai e outros dois homens.

 

“Olá princesa ”

 


 

Prenderam-me novamente, agora Jeane não me segurava.

 

“O que vocês querem? ”

Perguntei.

 

“O livro. ”

Disse Doge.

 

“Pode estar com aquele índio maldito”

Disse o pai de Doge. Um homem velho com cabelos grisalhos.

 

“Ele não encontrou ainda. Deixe-me em paz”

Eu gritava.

 

“Não. Vamos brincar com você. ”

Disse  aproximando. Ele tocou no meu rosto, eu senti nojo, uma ânsia de vômito.

 

“Nem pense nisto Doge, vai se arrepender”

 

“Por que não? Olhe para você. Mais bela que minha boneca. Uma princesa, como não aproveitar. ”

Disse Doge.

 

“Virgem ”

Disse o pai de  rindo.

 

“Acabem com isto”

Ordenou Jeane.

 

“Faça bom proveito  ”

Disse o pai saindo acompanhado de Jeane e outros dois vampiros.

 

“Não faça isso. Se tocar no meu corpo eu vou matar você. ”

Ele ria. Comecei a gritar.

 

“Me solta seu imundo. ”

Ele segurava minhas mãos. Era mais forte que eu.

 

“Pare”

Gritei ainda mais forte. Ele me soltou e andou em direção a uma mesinha. Abriu um pote e senti o cheiro de um sangue familiar. Era o sangue de Jack. Comecei a lutar correr, mas a corrente me prendia ao pescoço e machucada.  Logo meus olhos ficaram vermelhos. Ele correu em minha direção e começou a desabotoar meu vestido. Fiquei apenas com um top, calcinha, meias até o joelho, botas, luvas e o colar. Ele correu até a mesinha, molhou o dedo no sangue de Jack, lentamente aproximou-se de mim, abri a boca e ele colocou seu dedo em minha língua. Finalmente pude sentir o gosto daquele sangue que desejava há muito tempo. Senti-me realizada, feliz e com mais vontade de matar Jack.

 



16 | TORTURA

 

“Você quer mais? ”

Ele me perguntou e eu balancei a cabeça.

 

“Mas eu vou querer algo em troca. ”

 

“Eu não tenho o livro. ”

 

“Quem disse que eu quero o livro? Há algo mais valioso em você ”

 

“Não ”

Disse com medo.

 

Ele ocorreu até a mesinha e mostrou-me o pote cheio de sangue. No mesmo instante lutei presa contra as correntes, eu queria mais, eu precisava de mais.

 

“Pare eu faço o que quiser. ”

Gritei.

 

Ele colocou o sangue na mesinha, aproximou-se de mim e tocou nos meus seios.

 

“Não ”

 

“Sim”

Insistiu ele.

 

Eu amava meu corpo. Sempre antes de dormir eu me admirava no espelho. Sentia-me linda, como uma princesa, e  queria que ninguém tocasse no meu corpo nem mesmo Jack. Mas agora tudo estava errado, eu queria muito o sangue e sacrificaria qualquer coisa para conseguir. Ele prendeu as minhas mãos e pôs um mordedor em minha boca para que não gritasse. Ele me jogou para o chão, fiquei de quatro, ele tirou minha calcinha com sua força e acariciou minha bunda. Eu tinha nojo dele, queria matá-lo, queria vomitar diversas vezes, não podia gritar com aquilo na boca. Ele acariciava minha bunda, meus olhos se enchiam de lágrimas com aquela tortura. Ele me deu um tremendo tapa que me fez soltar um grito abafado. Era um grande pesadelo para mim. Ele era bonito, musculoso, tatuado, aos olhos dos homens faríamos um bom casal, mas eu não o amava, queria apenas matá-lo. Ele me levantou e me pôs sentada ao chão, colocou uma tiara em minha cabeça, com duas orelhas de coelho. Era tudo uma grande brincadeira para ele e uma grande tortura para mim. Ele tirou suas roupas e na minha frente mostrou sua parte íntima, mas nada aconteceu. Água fria caiu em cima de mim. Estava tão amendrotada que nem vi uma ducha ali. Ele pôs novamente suas roupas e me soltou das correntes. Tirou o mordedor da minha boca.

 

“Achou mesmo que eu iria fazer isto com você. Não seja estúpida. Não é uma princesa aos meus olhos. ”

Levantei-me e me vesti. Logo quis do sangue de Jack, mas  foi mais rápido.

 

“Você quer? Então encontre o livro”

Ele correu e eu fui logo atrás, mas ele era mais rápido, logo sumiu na floresta.

 


17 | SAIA JA DA CASA

 

Assim que cheguei a casa comecei a revirar tudo e procurar, tirava tudo lugar e não se preocupava em arrumar. Após horas de tanta busca alguém bate na porta.

 

“Pai? ”

Disse surpresa.

 

“Seu tempo acabou”

Disse ele. Logo vi atrás dele  e Jeane.

 

“Saía da casa”

Ele ordenou.

 

“Não ”

Respondi com lágrimas aos olhos.

 

“Saía já”

 

Afastei-me.

 

“Não ”

Apenas meu pai poderia entrar na casa, pois os outros não foram convidados.

 

“Não”

Repeti

 

“Acaba logo com isso Thomas”

Disse Jeane, ele entrou me atirou na parede, em seguida em uma mesinha onde havia muitos objetos que logo caiu ao chão, apoiei às mãos para levantar-se. Novamente ele me puxou agora pelos cabelos e me levou em direção à porta.

Olhei com desaprovação para Doge.

 

“Como pode? ”

Ele pegou uma garrafa onde havia muitas plantas e jogou em mim, era verbena. Tanto meu pai como Jeane riram da situação.

 

“Lute princesa”

Disse Doge.

 

“O que está fazendo? ”

Perguntei confusa.  Saiu dali correndo.

 

“Não vão me convidar a entrar? ”

Perguntou Jeane.

 

“Por que não pede a ele? ”

Perguntei

 

“Ora, você acha que é simples assim? Primeiro derrubem a casa e depois os convida a entrar ”

Explicou Thomas meu pai.

 

“Derrubar a casa? ”

Perguntei confusa.

 

“Sim princesa fará um castelo”

Disse Thomas.

 

“Não tem o livro em mãos, é impossível”

Argumentei.

 

“É por isso que temos uma chave. Você ”

Disse Jeane.

 

“Doge. ”

Chamou meu pai. Ele pulou da casa com uma faca apontada para Jack.

Como ele fez aquilo?

 

“Não quer ajudar por bem, terá que ajudar por mal. Gostou da frase? ”

 



18 | MAMÃE

 

“Um castelo, onde vampiros serão reis, eles tomaram de conta do mundo, sua força será maior que a de um original. Eles vão liderar as pessoas, os humanos e outros seres sobrenaturais não serão tão bom como eles, nem mesmo lobos, bruxas, anjos ou demônios poderão disse. Ele tem a chave, a garota é uma princesa e faz qualquer coisa, repito qualquer coisa para que ele fique intacto, existe uma ligação entre os dois que chamam de amor, eu prefiro chamar de Impriting, maldição. A princesa se tornará escrava destes vampiros, o que ela não sabe é que são indivíduos más que vão tomar posse do mundo as suas custas. Se ela encontrar o livro e entregar em mãos erradas tudo estará perdido. Temos que separá-la do garoto. ”

 


19 | ALCATEIA BEM PLANEJADA

 

“Solte – o”

Disse.

 

“Primeiro saía da casa”

Obedeci e logo  o jogou ao chão.

“Vamos o show acabou”

Disse Jeane chamando Doge.

 

“Quem disse? Apenas começou.”

Disse Marlon o índio chegando com uma alcatéia atrás de si.

 

“Eu me esqueci da lua cheia. ”

Disse Jeane revirando os olhos.

 

“Boa sorte aí fora”

Disse Thomas fechando a porta.

 

“Não queremos briga. Queremos paz. Deixe o garoto e não faremos nada. ”

Disse Marlon

 

“Quem disse que vamos machucá-lo?”

Perguntou Doge.

 

“A princesa vai”

Acertou sua faca no braço de Jack, me descontrolei e corri para atacá-lo, mas fui impedida pelo índio. Logo a luta começou, ele lutava contra Jeane e  que não tinha problema nenhum em derrubá-los, era mais fortes, pois se alimentava todos os dias, a maioria da alcatéia estava ferida e eu continuava a lutar com Marlon, Jack saiu correndo para sua casa, tentei diversas vezes tentei ir atrás, mas o índio era mais forte. Finalmente me cansei peguei uma estaca e enfiei próximo a seus coração, mas era tarde, Jack Já estava dentro da casa.

 

“Você é um monstro”

Disse ele batendo a porta em minha cara. Virei-me e vi uma mulher parecida comigo, cabelos longos negros e pele clara.

 

“Mamãe? ”

 

“Olá minha princesa, vamos para casa? ”

 


 

Foi estranho, ela disse para sairmos da confusão e foi isto que fiz, ignorei o índio e a alcatéia feridos ao chão e fui com ela. Entramos na floresta na qual eu amava muito.

 

“Não se preocupe terá um tempo para despedir de seus amigos”

 

“Está bem”

Eu não sabia como, mas ela tinha o poder de me fazer obedecer, como se estivesse me hipnotizando.

 

“Um dia você vai entender que está é a melhor escolha”

Continuou ela.

 

“Mas”

 

“Jack ficará bem, eu tenho um plano para isto. ”

Fiquei calada e intacta.

 

“E o Castelo? ”

 

“O livro está muito bem protegido. Amanhã mesmo vamos embora”

 


 

No dia seguinte minha coisa estava prontas para voltar para casa.

 

“Encontro-te no carro”

Disse mamãe.

 

“Está bem”

 

“Antes de ir, precisava me despedir de Jack”

 

“Não precisa ir. ”

 

“Eu não tenho escolhas”

 

“Desculpa por ontem eu estava nervoso e com medo”

 

“Entendo. Também estava. Eu não quero te machucar por isto é melhor assim”

 

“Quem garante que ficarei bem quando você partir”

 

“Mamãe ”

 

“Ela está te enganando. Ela me odeia, sempre foi assim”

 

“Como ela te odeia se sua mãe era melhor amiga dela? ”

 

“Eu não sei. Mas, ela não quer nos juntos, então me odeia. ”

 

“Talvez ela tenha razão. Jack vai ser melhor assim. ”

 

“Não há nada que eu possa fazer. Afinal ela é mais forte do que você é óbvio que vai te hipnotizar para sempre ”

 

“Não. Ela é minha mãe e quer meu bem”

 

“Ela é mais forte do que nosso amor. ”

Disse ele desapontado.

 

“Adeus Jack”

 

“Adeus”

 


 

Segui procurando o carro, me deparei com Marlon, estava machucado, faixas em seu corpo todo.

 

“Sinto muito pela sua tribo”

 

“Não sinta, fiz de propósito ”

 

“O que? ”

Não compreendi.

 

“Mas me atrasei um pouco e ela acabou chegando. Agora é tarde”

 

“O que está dizendo? ”

 

“Sua mãe. Cuidado com ela. ”

 

“Não. Vocês estão errados. ”

 

“Vitória eu sei que seu amor por Jack é mais forte que isto. Aceita, por favor. Este é o único jeito de você se tornar livre. Ela vai te hipnotizar para sempre. ”

Cochichou ele.

 

A buzina do carro soou Alto.

 

“Lembre – se foi de propósito. A lua está a seu favor. ”

Novamente a buzina.

 

“Eu tenho que ir”

Continuei andando e entrei no carro.

 


20 | DECODIFICAR

 

Estava noite quando chegamos a casa, abri o portão e minha mãe entrou com o carro. Subi as escadas e entrei no quarto caindo na cama e chorando. Não tinha controle dos meus pensamentos e desejos. Eu queria muito estar com Jack, ao mesmo tempo queria apenas

Matá-lo e ficar livre, já depois pensei em ouvir minha mãe e esquecer tudo o que acontecerá até aqui. Deitei e deixei o sono me consumir.

 


 

Estava machucado, muito machucado, praticamente nu com todas as feridas em seu corpo. Eu o via deitado ao chão morrendo, olhei minhas mãos imundas de sangue.

 

“Jack”

Cochichei baixinho.

 

Observei-o morto ao chão. Gritei Alto, mas minha voz parecia não sair, continuei a gritar até que acordei suada na cama.

 


 

Saí de casa ignorando mamãe, corri, ela não veio atrás de min., por quê? Fiquei confusa, continuei a correr e ignorei qualquer hipótese de ela estar morta. Nada disso importava para min., eu apenas queria vê-lo, abraca-lo. Bati na porta da casa de Jack e o abracei, me controlei e ele me beijou, foi mágico, meu coração batia forte, estava nervosa e trêmula, há tempos eu fugia disso, não queria ama-lo mas agora está era a única chance de não ser um monstro. Ficamos juntos na floresta o resto da noite, observavamos as estrelas e a lua. Lembrei do que Marlon me disse, não entendi ao certo o que significava e nem queria mesmo saber, naquele momento nada importava.

 


 

Após algumas horas na floresta decidimos ir a praça.

 

“O que foi? ”

Perguntei vendo ele pensativo.

 

“Um dia isto terá que acontecer. ”

 

“O que? ”

Ele subiu no corrimão da escada, tirou a faca do bolso.

 

“Jack”

Disse. Ele fez um corte em seu braço e pulou do corrimao.

 

“Acaba logo com isto”

 

“Não ”

 

“Por favor Vitória ”

Aproximei, vi o sangue escorrer.

 

“Nao”

Disse sem ar.

Marlon apareceu e me puxou dali.

 


 

Enquanto Marlon fazia o curativo em Jack fiquei em cima da árvore aguardando.

 

Me despedi de Jack para voltar para casa e ver se minha mãe estava bem.

 

“Preciso dizer uma coisa a você. Venha”

Ele chamou. Segurou minha mão e me levou até a casa do meu pai.

 

“Ah não ”

A casa estava ao chão.

 

“Agora é tarde”

Disse o indio chegando.

 

“Muito tarde”

Repeti.

 

“O livro? ”

 

“Sua mãe entregou a eles. Pensou em despedir dela antes de fugir? ”

Disse Marlon.

 

“Por que ela faria isto? ”

 

“Por que ela quer ser a rainha ”

Explicou Marlon.

 

“O que vamos fazer? O livro? O Castelo? O que tudo isto significa? ”

Perguntou Jack. Vi a casa toda ao chão, deixei minhas lágrimas caírem, subi nos juntos da casa ao chão, vi o sol nascer, o sol que não me afetava mais, vi ali tudo destruído, vi Jack sem resposta e com medo.

 

“O livro, o Castelo, isto será um verdadeiro ”

 

“Desastre? ”

Perguntou Doge chegando.

 

“Vim te fazer uma proposta princesa”

Continuou ele. Aproximou-se de Jack e logo fiquei inquieta.

 

“Você quer ser minha companheira neste Castelo? ”

 

“Desculpa mas você não é meu Príncipe, nunca vai ser”

 

“Assim como no conto ela beija o sapo, escolha errada. ”

Disse ele jogando Jack ao chão. Desta vez ele levantou-se e jogou verbena em Doge. Logo corri e o ataquei. Ele me jogou com toda sua força ao chão que logo se rompeu e abriu. Vi minha blusa rasgada. Levantei, pulei e dei dois socos mas ele segurou minha mão, o indio chegou por trás e enfiou a estaca próximo a seu coração.

“Devia ter acertado o coração ”

Doge puxou a estaca por frente mesmo e logo a cicatriz se curou. Me afastei, estava assustada com a cena, ele realmente estava muito forte. Mais uma vez me empurrou me jogando no ar, muito forte, desta vez minhas costas bateu na parede da outra casa, cai ao chão e não consegui levantar, minhas vistas estava escura. Ouvi Marlon gritar, viu mais vampiros chegar, era meu pai junto com Jeane, jonh e seu irmão o pai de Doge. Eram quatro e havia apenas eu nesta luta. Jogaram Jack ao chão, me levantei muito furiosa, o dia estava amanhecendo, mas num instante o sol parou de nascer, a lua continuou intacta no céu, algo dentro de min acordou algo muito ruim, corri rápido e pulei alto, no ar algo aconteceu depressa,  cheguei ao chão como um lobo atacou todo ali sabia que a mordida em um vampiro era fatal, não perdi a oportunidade e mordi Doge. Logos os outros correram deixando- o para trás. Agora estava apenas Marlon desacordado ao chão, Jack ferido, eu e Doge, empurrei este em seu próprio precipício, virei humano novamente, estava nu, mas ignorei, com os olhos vermelhos e com muita fome andei lentamente até Jack que se arrastava para trás com medo. Assim como no sonho avistei sangue em minhas mãos, mas eu não podia deixar isto virar realidade.

 

“Vitória não! ”

Ele gritou. Continuei a andar.

 

“Eu te amo. Não faça isso. Eu te amo”

Ignorei suas palavras e continuei a andar, eu queria muito isto, queria muito mais um pouco do seu sangue, mesmo sabendo dos riscos continuei a andar.

 

“Vitória eu te amo”

Ele se arrastava.

 

Andei,lentamente andei e andei. Havia apenas um jeito de isso acabar. O sol tinha que nascer, enquanto andava pedia para que acontecesse, já estava muito fraca, finalmente o sol veio, tirei o anel do dedo e cai ao chão. ÁGUA saia das minas mãos, me encobriu estava afogando, fiz uma espécie de piscina ali, deixei a ÁGUA tomar conta de min.

 

FIM


REFERENCIAS

 

K.F ELLEN, LIVRO 01 CIDADE PARA VAMPIROS, VITORIA,P 102.